Lisboa |
Patriarca enaltece os 50 anos de serviço do Hospital Pulido Valente
“Este hospital é uma bênção de Deus no mundo”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, esteve esta manhã de segunda-feira, dia 26 de maio, no Hospital Pulido Valente, para assinalar os 50 anos da instituição, deixando uma palavra de agradecimento pelo serviço, “com dedicação e com abnegação”, que presta a Lisboa e à sociedade.

“Neste dia tão maravilhoso e tão belo, e ao mesmo tempo tão cheio de esperança, que nos coloca 50 anos de vida, de ação, de boas obras, de criação de saúde e bem-estar, particularmente para doentes e seus familiares, que esta instituição, o hospital, tem proporcionado a Portugal, à sociedade e até ao mundo. É um dia para dizer obrigado! E estando nós na Eucaristia, o primeiro obrigado é para Deus, Nosso Senhor, que a todos inspirou e que, através desta obra, tem respondido a necessidades concretas, urgentes, necessárias, particularmente dos doentes. É uma bênção de Deus no mundo. Mas obrigado, também, a todas e a todos aqueles que, ao longo dos tempos, formaram as pedras vivas da instituição, fazem parte da sua história, da sua inspiração. Se há palavra que pode sintetizar estes 50 anos de vida e de história é a palavra servir. Servir com entrega, com dedicação e com abnegação. E por isso é um dia de parabéns, é um dia de dizer obrigado aos profissionais, aos voluntários, mas também aos utentes e a todos aqueles que o visitam, dirigir-lhes uma palavra de gratidão”, referiu o Patriarca de Lisboa, na saudação inicial da celebração a que presidiu.

 

Dignidade

Na capela do Hospital Pulido Valente, na presença do presidente do Conselho de Administração da ULS (Unidade Local de Saúde) de Santa Maria, Carlos das Neves Martins – uma unidade que agrega os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente –, D. Rui Valério enalteceu, na sua homilia, a “atitude de acolhimento que Jesus assumia para o doente” para recordar que, nas culturas antigas, a doença era “um fator de discriminação”.

“No contexto bíblico, uma doença, fosse ela qual fosse, a primeira atitude que suscitava não era uma atitude médica – vamos curá-la –, mas perguntava-se «que pecado grave é que cometeu?» E isto era uma diminuição da dignidade e do estatuto da pessoa enquanto pessoa. A doença igual a pecador. Jesus estabeleceu uma diferença substancial, que é inspiradora deste Hospital Pulido Valente. Com aquela urgência de Jesus imediatamente curar a quem estava doente, restituía a vista a quem estava cego, libertava a quem estava leproso, dava capacidade de andar a quem estava paralítico e assim sucessivamente, ao surdo, ao mudo… o que Jesus estava a fazer era fundamentalmente a colocar os alicerces de uma civilização que é aquela civilização verdadeiramente de rosto humano. São João Paulo II depois viria a chamar a ‘civilização do amor’, onde cada pessoa é chamada a uma integração total no todo da sociedade e, portanto, resgatada a formas de discriminação e de marginalização, e ao mesmo tempo é-lhe restituído isto que é fundamental: a sua dignidade de filho e de filha de Deus”, observou.

Neste sentido, prosseguiu o Patriarca, o hospital está “a restituir, à pessoa, saúde”, mas, “com a saúde”, está também “a restituir uma outra grandeza, tão importante para a pessoa: a dignidade, a dignidade da pessoa enquanto pessoa”. “Isto faz desta instituição uma instituição maior da civilização e da sociedade. Éramos mais pobres sem o Hospital Pulido Valente. Porquê? Porque privados de uma instância, onde para além da saúde, do bem-estar físico, espiritual, psicológico, afetivo, é-me dado este patamar da minha dignidade”, considerou.

 

Sentimentos

A Missa desta manhã foi concelebrada pelos Padres Fernando Sampaio e Natanael Mykola Harasym – capelães do Hospital Pulido Valente, juntamente com o Padre Manuel Fernando Soares –, com D. Rui Valério a sublinhar “os sentimentos de paciência, de misericórdia e de bondade” que se verificam diariamente nesta instituição hospitalar.

“O sentimento distingue-se das emoções por uma razão: é que a emoção fica-se na emoção e desvanece-se; o sentimento normalmente tenta encarnar-se, o sentimento leva a este movimento de algo que, partindo de dentro, se materializa em ações e gestos concretos. Isto é o sentimento. Ora bem, é exatamente a parábola de sentimentos que incessantemente nós estamos a testemunhar nesta instituição do Pulido Valente, nestes 50 anos. O saber e a ciência de mãos dadas com os sentimentos”, frisou.

Desenvolvendo, o Patriarca destacou “o sentimento de compaixão”. “Compaixão é uma palavra latina que significa partilhar o mesmo sofrimento, a mesma dor, a mesma vicissitude. Os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, terapeutas, analistas, radiologistas, voluntários, assistentes, sacerdotes, não são robots, mas realizam, produzem ciência sobre o paciente”, observou, perante uma capela que se encontrava repleta de funcionários e voluntários.

Falando deste hospital como “uma comunidade de comunidades”, D. Rui Valério sublinhou ainda as palavras “presença” e “memória”. “A história de 50 anos de vida e de ação do Hospital Pulido Valente é uma história, sim, de realização de saúde, é uma história, sim, de promoção de dignidade, é uma história, sim, de produção de bem-estar e de integração, mas é uma história que cria identidade. A pessoa fica a saber verdadeiramente quem é, de onde veio, onde está, para onde quer ir. Isto é, diria eu, das coisas mais importantes que o ser humano possa possuir. Coisa mais obscura e tenebrosa é quando nós não sabemos nem quem somos, já. E por isso, enfim, pela força do meu coração, dos meus sentimentos, um grande e infinito obrigado ao hospital, ao que tem dado e feito pela sociedade. Lisboa – permitam-me, agora, que diga, assim, como Patriarca –, Lisboa sente-se orgulhosa e reconhecida por vós, por esta instituição”, terminou o Patriarca de Lisboa, na homilia da Missa que assinalou os 50 anos do Hospital Pulido Valente.

 

Hospital Pulido Valente

Fundado em 1910, pela Rainha Dona Amélia, como Hospital de Repouso de Lisboa, depois do advento da República a unidade passaria a Sanatório Popular de Lisboa. Em homenagem à memória do Rei D. Carlos I, assassinado em 1 de fevereiro de 1908, o hospital foi renomeado Sanatório de D. Carlos I, designação que manteve até 1975. Com mais de um século de história, o Hospital Pulido Valente comemora, neste dia 26 de maio, os 50 anos desde que, em 1975, foi rebatizado com o nome do médico e professor Francisco Pulido Valente, considera uma “figura maior na luta contra a tuberculose e que marcou a Medicina Interna em Portugal na primeira metade do século XX”, segundo o site da ULS Santa Maria.

“O Hospital Pulido Valente não só teve um impacto significativo na luta contra a tuberculose em Portugal, mas também continuou até hoje a ser um baluarte fundamental no tratamento de doenças respiratórias, na formação de profissionais de saúde e na resposta à sociedade. A sua história reflete uma constante adaptação às necessidades de saúde da população, mantendo-se relevante e inovador ao longo das décadas”, assinala a informação, garantindo que “o Hospital Pulido Valente constitui um pilar estrutural na nossa instituição, mantendo sempre uma missão importante no SNS e uma atividade relevante para os utentes e suas famílias”.

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