O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, instituiu cinco leitores e quatro acólitos, alunos do Seminário dos Olivais, durante a Missa, no final da tarde desta terça-feira, dia 25 de março, pedindo aos seminaristas para serem “testemunhas da primazia da graça de Deus” e para viverem “voltados para o Alto”.
Na capela do Seminário Maior de Cristo Rei do Olivais, na Solenidade da Anunciação do Senhor, o Patriarca destacou que Maria, “a cheia de graça”, é “a luz que nos atrai para o coração do mistério”. “E deste coração podemos contemplar o primado da graça, o gesto de esperança e a força da Palavra”, salientou D. Rui Valério, desenvolvendo depois, na sua homilia, cada um destes três pontos. A celebração contou com a presença dos Bispos Auxiliares de Lisboa D. Alexandre Palma e D. Rui Gouveia, do antigo Reitor do Seminário dos Olivais e atual Bispo da Guarda, D. José Miguel Pereira, e de D. João Marcos, Bispo Emérito de Beja e antigo formador desta casa de formação, além da equipa formadora do seminário, de alunos, sacerdotes, familiares e amigos dos instituídos. Primado da graça Sobre o “o primado da graça”, o Patriarca de Lisboa lembrou que “se revela e materializa na iniciativa de Deus em vir ao encontro da humanidade, em ser Ele a dar o primeiro passo”, mas que também “contemplamos o primado da graça quando constatamos a primazia dos critérios de Deus, que se sobrepõem aos critérios humanos”. Nesse sentido, salientou como “a Virgem vai conceber, vai dar à luz um Filho, mas porque o Espírito Santo é derramado”, porque, “ao convite, à iniciativa de Deus, responde o seu ‘Fiat’, o seu sim”. “Isto verifica-se também na vida de quem se sente chamado a uma vocação de serviço, de anúncio de evangelização. Assim é para vós que, hoje, aderis ao ministério do leitorado e do acolitado: tudo obra da graça. Ali, tudo tem início. Mas caros irmãos seminaristas, gostaria também de vos chamar a atenção, porque se é na graça de Deus que o vosso chamamento ao púlpito, ou ao altar, é para a graça de Deus que deveis viver. Ou seja, numa disponibilidade total à vontade e à Palavra de Deus Altíssimo. Para vós e para todos nós, vale o que foi válido para Maria: seja feita não a minha, mas a tua vontade”, realçou. “Como acólitos, como leitores, sois, pois, interpelados e desafiados a ser testemunhas desta primazia da graça de Deus num tempo em que isso é ir contracorrente, porque o espírito de iniciativa e a sede de protagonismo do ser humano, muitas vezes, acabam por sufocar os próprios desígnios da gratuidade do Pai”, acrescentou D. Rui Valério. Gesto de esperança Sobre o gesto da esperança, o Patriarca lembrou a “forma pedagógica” com que “o Arcanjo Gabriel começa não a responder diretamente a Nossa Senhora”, mas “começa-lhe a falar do Alto, a força do Altíssimo, o Espírito Santo”. “É pedagógico porque nos mostra como as respostas para as inquietações da humanidade não estão aqui na terra. Tantas vezes elas provêm do Alto, provém do Céu”, garantiu. O Arcanjo Gabriel, prosseguiu, “ao mesmo tempo como que mobilizou a direção do olhar de Nossa Senhora”. “Ela que deixou de estar fixa em si, na sua condição de virgem, de solteira, de jovem, para começar e para passar a estar voltada para o Alto. E foi assim que Nossa Senhora sempre viveu. Essa é, porventura, a configuração da esperança: caminhar em frente, mas com o olhar fixo no Céu, fixo em Deus”, considerou. “Cara irmã e caro irmão, acolhe este exemplo de Nossa Senhora, que se descentrou de si para se centrar no Alto e, por isso, chegou longe, não espacialmente, não quilometricamente falando, mas chegou longe na plenitude da graça. Se queres vencer os desafios, superar as dificuldades e adversidades, nunca te esqueças: não deixes de olhar e de estar fixo em Deus para chegares aos horizontes e às metas que almejas”, aconselhou. Força da Palavra Aos “caríssimos acólitos e caríssimos leitores”, D. Rui Valério observou que “o primeiro destinatário da Palavra que se escuta, da Palavra que se anuncia, não é o povo, é cada um de nós”. “É como se aquela força, aquela força criadora, encontrasse como primeiro laboratório da sua realização e da sua efetividade o coração de cada um de nós. Só um coração realmente transformado pela força e pela luz, pelo ardor da Palavra que se escuta e da Palavra que se anuncia, só um coração assim transformado é apóstolo de conversão para os irmãos”, assegurou. No final da sua homilia, o Patriarca de Lisboa recordou que, “na Igreja, o grande mistério não é dar, não é oferecer”, mas “é dar-nos, é oferecer-nos a nós próprios”. Desta forma, terminou com um desafio aos seminaristas instituídos: “É nós sentirmos que a principal Palavra que há para testemunhar é aquela Palavra Viva que fez história em mim. O verdadeiro pão que nós oferecemos para sustento e alimentação da humanidade é uma vida transformada pela entrega de Cristo, que se renova em cada Eucaristia. Caros irmãos, o vosso ministério de leitor e de acólito será desenvolvido, preferencialmente, na Eucaristia. Mas não esqueçam: a Eucaristia, dentro da igreja ou em torno de um campo ou em torno de um altar, não é 50 por cento do sacramento ou do mistério. Ele exige, per si, uma consumação da vida, uma atualização e uma atuação na história, e nós todos somos convidados a seremos esses ministros da Eucaristia na história e na vida de cada um. Neste ano jubilar dedicado à peregrinação da esperança, é com algum sentido de dever que nós nos abeiramos da Eucaristia nesta perspetiva, como não só a fonte e o cume da vida cristã, mas como o critério de uma história e de uma humanidade renovada”.![]() |
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