Poderia escrever que «se realizou em Sintra mais uma edição do Encontro Cristão...» ou pior «do tradicional Encontro Cristão» e seria a notícia que o «Jornal da Casa» daria na sua habitual narrativa de eventos que acontecem na Diocese. Porém, isso seria subestimar o Evangelho! Uma, de entre muitas das páginas que nos convém não ler, veio em relevo, uma que se integra naquelas que incomodam porque mudam a nossa rotina de prestação cómoda de serviços religiosos; uma de muitas que implicam mudança de vida, convidando a acolher a radicalidade revolucionária da Boa Nova; ou outras que nos causam incómodo porque desafiam a nossa assepsia de um culto sagrado mas desligado dos Homens que vivem connosco. Ou talvez outras páginas que acordam a nossa consciência por estarmos acampados na acédia recusando o desassossego, que a Igreja em campanha, proposta pelo Papa Francisco, vem trazer.
Porém, tirar da penumbra as páginas que não queremos ler, provoca um clarão que dá verdadeira luz à nossa vida. Para desconforto de muitos e êxtase de outros, «Que todos sejam UM para que o Mundo creia» foi a página iluminada que emergiu em Sintra De cristãos, de ortodoxos russos a ucranianos; de evangélicos protestantes às novas comunidades evangélicas; dos católicos mais «tradicionais» aos mais «progressistas» nasceu uma luz que colocou claramente em destaque a base necessária para que o Mundo creia.
A fraternidade provocou o brilho que emanava da conversa partilhada entre o Bispo da Igreja Lusitana, o Patriarca de Lisboa e a secretária da Aliança Evangélica Europeia; o perfume emanou da radicalidade da Fé nos testemunhos de quem tem essa Graça; a alegria verdadeira, sem euforia alienante, ecoava como louvor profundo; o Espírito desceu na poética reflexão teológica de um redentorista em profunda sintonia com o piano de um evangélico e permaneceu no tempo de oração em que participaram dezenas de líderes.
Experimentámos a Harmonia, aquele dom do Espírito que consegue unificar a diversidade no corpo de Cristo, cabeça da Igreja. E o Presidente da República exemplificou, com o seu testemunho, como se podem construir pedaços de Céu aqui na Terra,
«Eu sou a Ressurreição e a Vida» – Crês nisto? E se crês que diferença faz?
Viver cada dia como «ressuscitandos» foi a feliz proposta final que, só caiu em boa terra porque a fraternidade já existia naquela pequena porção do povo de Deus.
A sementeira pode dar mais frutos se não quisermos esconder ou apagar páginas do Evangelho. Jesus é claro: «que todos sejam Um… para que o mundo Creia.»
Não entendemos esta orientação clara? Ou persistimos em usar vernizes teológicos que escondem o essencial?
Quem experimentou o «Espírito» em Sintra nunca duvidará do caminho, porque é o caminho que o Papa trilha, porque é a estrada que o Senhor nos indicou!
Luís Parente Martins
fotos por André Patrício/Encontro Cristão
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