Lisboa |
Patriarca crismou na comunidade de São Luís dos Franceses
“Questionar a nossa missão pessoal em comunhão com toda a comunidade”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, esteve na Igreja de São Luís dos Franceses em Lisboa, na manhã do passado Domingo, dia 12 de janeiro, tendo conferido o sacramento da Confirmação a 29 membros. Um momento que foi vivido com grande alegria pela comunidade francófona, que foi renovada com a realização da JMJ Lisboa 2023.

“Somos uma comunidade pequena, por isso receber o D. Rui em nossa casa, para o sacramento do Crisma, foi uma grande alegria, todos se sentiram honrados com a sua presença”, refere o reitor da Igreja de São Luís dos Franceses em Lisboa, Padre Hubert de Balorre. Na celebração no Domingo do Batismo do Senhor, o Patriarca crismou “20 jovens, entre os 16 e os 24 anos”, e ainda “9 adultos, o mais velho dos quais foi batizado há 77 anos”, salienta o sacerdote francês. “Três pais receberam o sacramento ao mesmo tempo que os seus filhos”, acrescenta.

Incardinado na Diocese de Bayeux e Lisieux, o Padre Hubert chegou ao nosso país em maio de 2022, ao abrigo da Convenção entre a Conference des Évêques de France (Mission et Migrations - Communautés catholiques francophones dans de monde) e o Patriarcado de Lisboa. Da mensagem deixada pelo Patriarca de Lisboa aos crismandos e a toda a nossa comunidade, o reitor francês destaca dois elementos: “A solidariedade real a que convida cada um de nós, como a de Jesus para com os pecadores no momento do seu Batismo, sabendo colocar-nos no lugar dos outros, para ajudar os outros a encontrar a salvação como nós a encontramos. E a importância de cada um de nós dar sentido à sua vida na Terra, questionando a nossa missão pessoal em comunhão com toda a comunidade”.

 

Jovens marcados pela celebração

O responsável pela Comunidade de São Luís dos Franceses em Lisboa partilha alguns depoimentos dos jovens e adultos que foram crismados pelo Patriarca. “D. Rui marcou a nossa festa desde o momento em que chegou, com a sua piedade ao rezar longamente no altar. Todos ficaram tocados por ele falar na nossa língua, e pela sua bela simplicidade em dedicar tempo a cumprimentar pessoalmente e calorosamente cada um de nós”, salienta um deles.

Outro frisa a beleza da celebração: “O Patriarca, em quem vi um pai extremoso dos seus filhos, mostrou-nos o caminho, daí a forte emoção sentida, sobretudo após a unção com o Santo Crisma. Uma celebração bela, alegre, magnífica... e cheia de naturalidade. Na minha comitiva, todos ficaram marcados pela presença calorosa de D. Rui, pela sua simplicidade, pelas suas palavras...”

Um terceiro testemunho realça o momento do Crisma. “No momento em que me assinalou a fronte com o Santo Crisma, D. Rui tocou-me pessoalmente com o seu sorriso e com a sua maneira de pronunciar, de forma muito fraterna, as palavras rituais: «Vai, o Senhor vai contigo. Que ele te guarde»”, manifesta.

Finalmente, um último testemunho destaca a força que sentiu. “Esta celebração da Confirmação foi um momento muito simples, poderoso e belo – exatamente como eu queria vivenciar este sacramento. Todos nós, confirmados, ficámos muito comovidos, até mesmo impressionados, no momento da unção com Santo Crisma que nos encheu do Espírito Santo. Pessoalmente, senti-me intimamente unido aos outros confirmandos, sem os conhecer bem pessoalmente fora das nossas reuniões, um calor suave invadiu-me e transcendeu a mão do meu padrinho no meu ombro, uma presença benevolente dando-me força e segurança para seguir em frente e acolher esta graça, com a assembleia e toda a comunidade a apoiar-nos em oração, transportando-nos e ancorando-nos na nossa fé”, contou.

 

JMJ Lisboa 2023 renovou a comunidade

O reitor da Igreja de São Luís dos Franceses em Lisboa garante ainda que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023 ajudou a renovar a comunidade francófona do Patriarcado. “A nossa comunidade mudou nos últimos dois anos e, se me perguntar porquê, a resposta é simples: em grande parte graças à Jornada Mundial da Juventude em Lisboa. Muitos adultos regressaram espontaneamente das suas férias em família para ajudar a acolher as centenas de jovens que se deslocaram à Igreja de São Luís para venerar as relíquias de Santa Teresa do Menino Jesus ou para encontrar celebrações em Francês. Ao passar o dia juntos, acolhendo-os à entrada, oferecendo-lhes um lanche, organizando a passagem dos grupos, rezando com estes jovens, testemunhando o seu fervor, o seu silêncio e a sua interioridade nos momentos de adoração, é um facto que se criou uma verdadeira solidariedade, amizade e alegria entre todos estes paroquianos que não se conheciam necessariamente muito bem. Isso foi-se espalhando, gradualmente, por toda a comunidade nos meses que se seguiram”, explica o Padre Hubert de Balorre.

Este responsável, de 56 anos, considera que a comunidade “se tornou, gradualmente, mais catecumenal”. “De uma comunidade de praticantes regulares, expandiu-se para uma comunidade onde muitos estão a redescobrir a fé e a Missa dominical. Os adultos pedem para fazer a Primeira Comunhão, outros para receber o Batismo, outros vêm pedir o Batismo para os filhos entre os 5 e os 12 anos, porque até então não viam isso como uma prioridade para eles. Todos os praticantes pedem aos seus filhos que façam a Catequese: o seu número duplicou em dois anos. Todos estes são belos frutos, pelos quais damos graças a Deus”, frisa.

 

Testemunhos

O reitor da Igreja de São Luís dos Franceses em Lisboa partilha também diversos testemunhos de membros da Comunidade de São Luís dos Franceses em Lisboa. Um deles diz que “há coisas realmente fantásticas a acontecer”, e que “é uma bênção ter uma comunidade tão animada e alegre”. Outro elemento garante: “Vemos uma comunidade mais madura, mais fervorosa, que parece muito unida, que acolhe um número crescente de paroquianos, com a sua singularidade e a sua diferença, onde cada membro se sente pessoalmente envolvido e onde se criam laços intergeracionais muito fortes”.

Por último, um outro cristão francês diz estar “muito mais envolvido” e sentir “um desejo real da comunidade de avançar, evoluir e ajudar-se uns aos outros. Estamos gradualmente a criar uma segunda família”.

 

Igreja de São Luís dos Franceses em Lisboa

A Igreja de São Luís dos Franceses em Lisboa está situada no cruzamento da Rua das Portas de Santo Antão com o Beco São Luís da Pena, junto ao Coliseu dos Recreios. A Missa em francês é celebrada todos os Domingos, às 11h15. Durante a semana, de segunda a sexta-feira, a Missa é às 18h30. As confissões decorrem todos os dias após a Missa, mediante solicitação.

A história desta igreja remonta à Idade Média, quando o Rei Luís XV de França (1710-1774) soube do terramoto de Lisboa de 1755 e enviou um ministro para reconstruir o templo. Hoje, esta igreja no coração da cidade é uma das três igrejas de São Luís dos Franceses no mundo: uma em Roma, outra em Madrid e esta em Lisboa, que tem o estatuto de embaixada.

 
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