Muitos portugueses estão tristes e desanimados com a recente promulgação desta lei que não nos eleva ao melhor do que outros países europeus têm. Pelo contrário, esta lei arrasa toda uma cultura civilizacional baseada no casamento entre um homem e uma mulher.
Daí a cada vez mais imprescindível acção dos educadores cristãos em apontar o padrão, com base nos valores cristãos e no ensinamento da Igreja.
O nosso Programa para o próximo ano pastoral contempla já uma primeira acção - a não perder - no dia 10 de Outubro em Penafirme, que visa reunir pais e outros educadores à volta do tema “Educação cristã na família e na Escola”.
Afinal qual é o padrão?
A sociedade portuguesa acaba de receber um dos mais profundos golpes na sua estrutura. O que seria impensável há poucos anos atrás, acaba de se verificar pela introdução de uma lei que permite o “casamento” de homens com homens e de mulheres com mulheres.
O impensável aconteceu: 1. Uma decisão legislativa do governo que nos nivela por baixo, desprezando o caminho da construção de famílias fortes perante as adversidades dos tempos: quer económicas, quer nos valores do respeito, solidariedade e complementaridade. 2. Uma promulgação de lei que se revelou um “encolher de ombros”, pondo de lado a convicção pessoal e uma afirmação de ideologia no primado do que é mais nobre.
De regresso ao Vaticano, Bento XVI enviou ao Senhor Presidente da República o seguinte telegrama:
"Ao deixar espaço português venho renovar-lhe minha deferente saudação e cordial gratidão pelo acolhimento fidalgo que me reservou e pela solicitude do governo em assegurar tranquila realização desta minha visita a Portugal com ponto mais alto em Fátima onde pude ajoelhar aos pés de Nossa Senhora depondo no seu coração materno aflições e esperanças da família humana inteira e de modo especial do dilecto povo português sobre cujo presente e futuro invoco a luz protectora de Deus com propiciadora bênção apostólica." (cf. Bento XVI em Portugal, ed. Paulinas)
Três dias depois da partida do Santo Padre na tão rica visita que nos fez, a lei do chamado “casamento de homossexuais” foi promulgada e já hoje assistimos a um folclore na televisão e nos jornais que pretendem explorar o sensacionalismo da nova situação.
Esta alteração da estrutura da sociedade marca-nos e às gerações vindouras. Marca-nos negativamente porque arrasa com tudo o que é tradição, ou seja com toda a herança histórica de sempre, em que um homem se casa com uma mulher e uma mulher se casa com um homem, no compromisso de amor e de fidelidade.
Esta lei não acaba com um costume mais ou menos recente ou ténue. Esta lei do “casamento” dos homossexuais pretende arrasar todo o equilíbrio de uma sociedade fundada e alimentada pelos frutos do amor-compromisso de um homem com uma mulher.
Esta lei questiona todo um passado e presente do homem/ser humano, não se empenhando na recuperação daqueles que, por razões diversas, não se adaptam à regra. Esta lei acaba por ir pelo caminho mais fácil: não procura esforços humanos ou económicos na recuperação (tratamento) daquele que é diferente. Esta lei integra o diferente (quer doente, quer exibicionista) como igual aos demais, criando a norma de que tudo é bom, tudo é aceitável e destruindo o padrão.
Poder-se-á, então, perguntar: Qual passa a ser, afinal, o padrão?
Nunca a Igreja desprezou os doentes, mas pelo contrário, aprendemos com Jesus que vem recuperar os doentes e marginalizados.
Ao procurarmos ler a aprovação desta lei num contexto sociológico, até parece que predomina a ideologia da sociedade israelita do tempo de Jesus, em que os doentes eram também considerados pecadores: “Se estás doente, é porque pecaste! Tu ou os teus pais.” Por isso, os portadores de doenças perigosas como por exemplo a lepra, eram pura e simplesmente excluídos da sociedade. E eram excluídos não apenas por causa do perigo de contágio, mas também e principalmente, porque a gravidade da doença revelava a gravidade do pecado. Pensava-se que esses doentes eram excluídos por Deus, eram rejeitados por Deus, eram abandonados por Deus.
Podemos, sim, situar-nos no Antigo Testamento, mas de uma outra forma. Tal como Jonas, enviado por Deus à cidade pagã de Nínive (capital da Assíria) a pregar a penitencia, assim estamos nós hoje, como que lançados ao mar e engolidos por um grande peixe (que é esta ignóbil iniciativa dos nossos governantes), sofrendo a escuridão e o turbilhão que esta nova lei nos vem trazer.
É uma situação de grande desespero pelo rompimento dos valores humanos, cristãos e civilizacionais que esta lei do "casamento" dos homossexuais implica. Porém, não podemos abandonar a nossa responsabilidade de formadores, pais, padrinhos, avós, etc. na missão de apontarmos sempre o caminho, a verdade e a vida, baseados na complementaridade da relação matrimonial do homem com a mulher.
Esta é a missão que recebemos pelo baptismo: anunciarmos aos homens de hoje e às gerações mais novas que Deus nos ama, mas que o homem se fez para a mulher e a mulher para o homem. Sem fazermos "guerra", sejamos, pois, para as novas gerações, o sinal do amor de Deus em nós, como Jonas foi sinal para os ninivitas. Se assim não fizermos, não tem sentido o anúncio do Evangelho que, como sabemos, significa boa nova, boa notícia.
O programa do Sector da Pastoral Familiar da diocese de Lisboa, para o próximo ano pastoral, prevê vários encontros que levem os pais e educadores a entrar em espírito de missão. É já no dia 10 de Outubro, em Penafirme, que teremos o primeiro encontro subordinado ao tema "Educação cristã na família e na escola". Não nos calemos. Não nos resignemos. E sobretudo trabalhemos em casa, com a família, insistindo na riqueza do matrimónio cristão como padrão de vida.
Cada vez é mais necessário que os cristãos conscientes e responsáveis sejam fermento, lutando pelas suas justas convicções e apontem caminhos de salvação para uma sociedade que está enferma.
É tempo de matrículas
Aproxima-se a época das matrículas escolares e é tempo de lembrar a importância de sensibilizar pais e filhos para a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC).
Todos os que somos educadores, quer pais, quer avós ou até tios e padrinhos, se estamos verdadeiramente preocupados com a educação das novas gerações, verificamos a sua fragilidade, muitas vezes sem referência a um quadro de valores que respeite o próximo e dê sentido à vida.
A educação faz-se no respeito pelo outro, pelo respeito à diferença e é na família que se aprende a aceitar as diferenças de personalidades e de sentimentos.
Há, portanto, que acentuar a grande vantagem de inscrevermos os nossos jovens nesta disciplina que faz parte do projecto educativo. É preciso preparar os nossos jovens para o amanhã; prepará-los para a vida, com uma educação integral, com o testemunho e acção de professores cristãos, que são uma presença fecundante da Igreja no seio das comunidades educativas.
Mesmo que os horários não sejam muito vantajosos, cabe aos pais (e familiares) estimular nos seus filhos a frequência desta disciplina, pois é dever dos pais escolher o projecto educativo para os seus filhos. Não basta escolher a escola. É preciso tomar parte activa na educação complementar à que se transmite na família.
Muitos pais desconhecem a riqueza dos programas da disciplina de EMRC, Desconhecem ainda a diversidade de meios audio-visuais que são utilizados, os quais procuram uma inter-actividade entre professores e alunos, mas também entre os próprios alunos que são orientados para o compromisso de humanização e de progresso, na verdade da liberdade e do amor.
Se há pouco tempo em casa para se viver uma verdadeira “igreja doméstica”, desafiamos os pais a não desaproveitar esta excelente oportunidade de oferecer aos seus filhos esta disciplina que forma para os valores cristãos.
Recentemente o Papa recebeu em audiência os participantes da 24ª assembleia plenária do Conselho Pontifício para os Leigos, realizado com o tema "Testemunhas de Cristo na comunidade política”. E o Papa referiu que "compete também aos fiéis leigos participar activamente na vida política de modo sempre coerente com o ensinamento da Igreja".
Sublinhou ainda Bento XVI que "o Evangelho é garantia de liberdade e mensagem de libertação; que os princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja - como a dignidade da pessoa humana, a subsidiariedade e a solidariedade - são de grande actualidade e valor para a promoção de novas vias de desenvolvimento ao serviço de todos os homens." Ora, perguntamos nós: onde é que se forma a consciência dos jovens senão na família e na escola, para que, como adultos, sejam capazes de intervir na sociedade, assumindo um papel activo de verdadeira intervenção social?
A disciplina de EMRC torna-se importante e será sempre um complemento à educação familiar e à catequese da comunidade paroquial, pois a noção de desenvolvimento humano integral pressupõe coordenadas precisas, como a subsidiariedade e a solidariedade. E família, escola e paróquia têm de estar em conjugação para criarmos adultos fortes na fé.
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