Um dos momentos mais relevantes do Rejoice! foi a vigília de oração. Ao longo de quase duas horas, os cinco mil jovens rezaram juntos, fizeram momentos de silêncio, escutaram testemunhos de paz e ouviram o Patriarca de Lisboa a garantir que Deus “ama”, “confia” e “espera tanto” de cada um.
No início da vigília, D. Rui Valério sublinhou como “Lisboa volta a ser cenáculo de comunhão com Deus”. “Na oração, somos convidados a estar na presença de Deus: no meio das dúvidas e das dificuldades, somos convidados a dar o nosso ‘Sim’ a Deus, como Nossa Senhora. Que cada um, no tu a tu com o Senhor, expresse esta generosidade de coração”, referiu. Na zona por baixo da pala do Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, em Lisboa, na noite deste sábado, dia 19 de outubro, o Patriarca de Lisboa destacou depois, na homilia, as palavras alegria e esperança. “Todos nós que aqui nos reunidos detemos, neste instante, uma dupla identidade: por um lado, somos memória viva do encontro com Cristo Vivo, que há um ano veio ao nosso encontro. A JMJ foi um laboratório de alegria, de uma esperança confirmada e reconfortada. Por outro lado, em perfeita sintonia e continuidade, somos artesãos da esperança. Somos feitos e constituídos artesãos da esperança porque tal é-nos concedido por Deus. Nesta noite, todos nós reunimos aqui para escutar três palavras: amo-te, sem reservas e condições. Confio em ti: confio no que és, nas tuas capacidades, no que fazes, confio no que és capaz. Preciso de ti, por isso espero muito de ti”, garantiu. Âncoras Nesta vigília que reuniu jovens de todo o país, D. Rui Valério focou a sua reflexão na esperança. “Sempre que o Senhor empreende uma obra de criação, não há obra ou feito que não tenha sido pela força da esperança. Como quando cria o homem e a mulher, e manda cuidar e povoar a terra. Ou quando chama os discípulos junto do lago, constitui pescadores de homens. Mas nesta noite, de mim, que espera Deus? De mim, que fui constituído artesão da esperança?”, questionou. O Patriarca de Lisboa convidou depois os jovens a serem “âncoras”. “Na iconografia, sempre que se quer mostrar a esperança, faz-se uma âncora. Isto porque, no meio das ondas e das tempestades, a âncora torna o barco seguro e firme. A âncora da vida é Cristo: no meio do mundo, das ideologias, Cristo é a nossa força. E Cristo faz-nos também âncoras para os outros, para que o semelhante não se perca, para que cada um seja ponto firme para o outro”, frisou. Depois, D. Rui Valério recordou uma história da República Centro Africana: “Numa visita ao Cardeal de Bangui, a Igreja em Portugal disponibilizou-se para ajudar em alguma obra. O Cardeal pediu ajuda para construir uma escola: porque as escolas apontam para o futuro, para a construção do futuro. A esperança é isto, quando tu és caminho e não fronteira; quando és ponte e não muro; quando dás oportunidade para sonhar o amanhã”. Em terceiro, recordou a parábola do homem que plantou a figueira, que nos vários anos não deu figos. “Quando alguém diz que vai cuidar dela, para depois ver se dá fruto. A esperança é a possibilidade de uma nova vida que se dá a alguém. Quando se encontra alguém na berma da estrada, dizer que há uma nova vida. O Senhor espera que tu sejas essa voz, esse profeta de uma nova vida. Agradeçamos ao Senhor porque esta noite nos diz que nos ama. Ele que é a nossa esperança, faz de nós esperança para os outros”, terminou. Esperança A vigília de oração do Rejoice! foi inspirada pela Mensagem do Papa para o XXXIX Dia Mundial da Juventude, intitulada ‘Aqueles que esperam no Senhor, caminham sem se cansar’. Num primeiro momento, foi mostrado um vídeo com excertos de palavras do Papa Francisco na Vigília da JMJ Lisboa 2023. Depois, como introdução à temática da vigília, dois jovens leram um texto, tendo como base citações da Mensagem do Papa para o XXXIX Dia Mundial da Juventude, que vai ser assinalado no próximo em novembro. “O nosso querido Papa Francisco continua a dizer-nos a nós, jovens, que assumamos a nossa vida com aquela confiança e esperança que encontramos no Senhor Jesus. ‘Esperança’! É esta a palavra de ordem do Papa aos jovens para este ano”, leram os dois jovens. Ao som do cântico ‘Felizes os pés’, deu-se a entrada do presidente desta vigília, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, juntamente com a cruz da JMJ, o ícone mariano e a Bíblia. Após a escuta da Palavra de Deus, lida por um jovem, e a homilia do Patriarca, seguiu-se um momento de adoração eucarística. À entrada do Santíssimo Sacramento, os jovens cantavam ‘Nós te adoramos, Aleluia’. O Patriarca de Lisboa dirigiu-se, então, para o genuflexório diante do Santíssimo, detendo-se em oração. Tal como há um ano, no Campo da Graça, os jovens viveram um momento de silêncio. Testemunhos de paz Nesta vigília de oração houve ainda tempo para escutar três testemunhos de esperança, em torno da questão da paz, nomeadamente de jovens que viveram situações de guerra e violência. Entre cada orador, uma oração e um momento de silêncio. Primeiro foi Matilde Salema, que esteve no campo de refugiados de Moria, na ilha grega de Lesbos. “Deus fala-me no dia a dia, na normalidade, e não tanto nas coisas grandes”, sublinhou, recordando a ida para Lesbos e a ajuda que deu às equipas médicas, mas também na cozinha e na roupa. “Mas o que gostava mais era andar pelo campo a ver quem precisava de ajuda”, confidenciou Matilde, reforçando: “Basta estarmos atentos a Deus porque Ele fala-nos em qualquer lugar”. Esta jovem contou depois a história de uma família de refugiados e garantiu que “um sinal de esperança é o dia de amanhã”. O segundo testemunho foi de Nikola, natural de Belém, na Terra Santa, que salientou ser “um orgulho” e “um privilégio” ser “cristão na terra de Jesus”. Nikola pediu a paz, porque “se a guerra não acabar, a minha vida fica reduzida a duas malas” e “a Terra Santa ficará sem cristãos”. “O meu desejo é mantermo-nos firmes na fé e manter viva a presença de Cristo”, observou. Nikola está atualmente na Basílica dos Mártires, na Baixa de Lisboa, “a vender artesanatos de 40 famílias” e convidou “todos a passar para lá e a levar Belém para casa”. O terceiro e último testemunho foi de uma jovem libanesa Hila Maria, de 16 anos, que lamentou que “a paz esteja longe de ser encontrada” no seu país. “A paz é um sentimento de segurança, quando não temos de nos preocupar com dia seguinte, quando os pais deixam os filhos andar sozinhos na rua”, exemplificou. Garantindo que “sem paz não podemos ter paz espiritual”, lembrou os familiares “que se escondem atualmente das bombas”. “Cabe a todos ajudar o vizinho. Vamos lutar por um mundo onde todos podem experimentar a paz que todos merecemos”, terminou Hila. No final, o Patriarca de Lisboa deu a bênção aos jovens, com o Santíssimo Sacramento. Após a vigília de oração, os jovens participantes do Rejoice! deixaram este espaço e dirigiram-se para as paróquias da cidade de Lisboa, onde pernoitarão em espaços coletivos privados de alojamento.![]() |
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