Lisboa |
Santa Casa da Misericórdia de Arruda dos Vinhos celebra 450 anos (1574-2024)
“Salvaguardar e promover a dignidade de cada pessoa”
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O Patriarca de Lisboa assinalou os 450 anos da Santa Casa da Misericórdia de Arruda dos Vinhos, destacando o trabalho “ao serviço da dignidade do ser humano”, e benzeu uma imagem de Nossa Senhora da Misericórdia que agora vai percorrer todas as valências da instituição.

No Domingo da Santíssima Trindade, dia 26 de maio, D. Rui Valério começou por destacar a dignidade do ser humano. “Experimentemos olhar para nós próprios, para o ser humano. Está escrito no mais fundo da nossa alma, no mais intenso do ADN do ser humano que ele não é uma ilha, não é um ser solitário, que não somos feitos para a solidão, para o isolamento. Nós somos feitos para a comunhão. O outro, a outra pessoa, não é uma coisa, é um ser humano, o que significa que cada um de nós só será e só é pessoa, só é ser humano, na plenitude da sua dignidade, na medida em que, a seu lado, perante si, estiverem os outros reconhecidos com a mesma dignidade. O mistério da Santíssima Trindade é, porventura, o mais forte argumento para afirmarmos que nos assiste – enquanto pessoas, enquanto seres humanos – a elevação da dignidade”, frisou.

Na Eucaristia campal, em frente ao Hospital da Santa Casa da Misericórdia, o Patriarca de Lisboa reforçou que os quatros séculos e meio de vida da instituição visaram “salvaguardar e promover a dignidade de cada pessoa”. “Estamos a celebrar 450 anos de história da Santa Casa da Misericórdia de Arruda dos Vinhos. Se houvesse uma palavra para definir estes 450 anos de história, qual era essa única palavra que nós poderíamos eleger, aqui, esta manhã? Poder-se-ia dizer ‘misericórdia’, ela própria, todo um programa de vida; poder-se-ia dizer ‘serviço’; mas tudo isso está ao serviço da dignidade do ser humano. Para a sua afirmação, para a sua salvaguardara, para a sua promoção. Todas as vossas valências têm em vista esta dupla função: salvaguardar e promover a dignidade de cada pessoa. Independentemente, atenção, do seu estatuto, independentemente da sua proveniência étnica”, sublinhou.

 

Ser criadora

Numa manhã de sol, D. Rui Valério referiu ainda que a “função” e a “missão” de uma Santa Casa da Misericórdia – “e Arruda é disso exemplo e testemunha” – é “ser criadora”. “Pensai em quantas vidas não foram recriadas ao longo destes 450 anos de história, nesta terra e noutras terras. De pessoas que, de outra forma, não tinham possibilidade de viver. Pessoas que, porventura, bateram a estas portas desesperadas, desiludidas, desencantadas, e mercê da vossa ajuda, do vosso auxílio, da vossa misericórdia, elas sentiram-se renovadas nas motivações de viver, voltaram a acreditar na vida. Isto, hoje, é o mais importante: fazer com que todas as pessoas que nos procuram, ao partir, vão diferentes, vão com razões para continuar a acreditar na vida, vão com motivos para querer viver”, assinalou.

Dirigindo-se, de forma particular, a todos os dirigentes, funcionários, colaboradores e voluntários da Santa Casa da Misericórdia de Arruda dos Vinhos, o Patriarca de Lisboa agradeceu o trabalho de cada um. “Acho delicioso quando, considerando a vossa missão, considerando a vossa presença, vós, irmãs e irmãos das Santas Casas da Misericórdia, é importante terem sempre presente aquela palavra do Evangelho: «Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi a vós». Deixai-me que vos ofereça uma palavra de gratidão, uma palavra de parabéns. Mais do que terem sido vós a quererem participar deste projeto de misericórdia que Deus tem para Portugal, na figura da sua Santa Casa, vós fostes escolhidos por Ele. Isto tem força, porque significa que, para responder às necessidades desta comunidade, Deus pensou em pessoas concretas, pensou em vós”, terminou D. Rui Valério.

 

Imagem de Nossa Senhora da Misericórdia

No final da celebração dos 450 anos da Santa Casa da Misericórdia de Arruda dos vinhos, o Patriarca de Lisboa benzeu a imagem da Virgem Santa Maria com o título de Nossa Senhora da Misericórdia. “Esta imagem manifesta como é grande e profunda a relação de Nossa Senhora com Cristo e a sua Igreja”, referiu D. Rui Valério, momentos antes de benzer a imagem que “agora, ao longo do ano, vai percorrer as várias valências” desta Santa Casa, segundo anunciou o pároco, padre Daniel Almeida. “Nossa Senhora vai visitar cada uma das valências, cada uma das crianças, dos idosos, dos funcionários, a todos”, salientou o sacerdote.

A última palavra do Patriarca de Lisboa, antes da bênção final, foi de saudação. “Parabéns Santa Casa da Misericórdia, parabéns Arruda, parabéns ao seu povo, aos seus corpos dirigentes. Um grande bem-haja, continuemos unidos na solidariedade, no amor e na oração. Obrigado por esta maravilhosa página que hoje, nós, aqui, escrevemos e criámos, naquele espírito próprio da Santa Casa de Misericórdia que é o de nos colocarmos ao serviço do outro para a afirmação da sua dignidade e da sua grandeza de ser humano, filha ou filho de Deus, irmã ou irmão de todos nós”, terminou D. Rui Valério.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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