Na terça-feira, 2 de janeiro, um dos principais líderes do Hamas foi morto num ataque com drones em Beirute. Depois de vários incidentes na fronteira com Israel, há o risco de a guerra alastrar também para o Líbano, o que está a assustar a comunidade cristã. Para a presidente internacional da Fundação AIS, se isso acontecer, será “dramático”…
As tropas de Israel situadas junto à fronteira com o Líbano estão em alerta muito elevado. Desde que começou a guerra na Faixa de Gaza, espoletada pelo ataque terrorista do Hamas em Israel a 7 de Outubro, que se têm vindo a registar incidentes na região fronteiriça com o Líbano, onde atua a milícia do Hezbollah financiada pelo Irão. A situação de tensão agravou-se profundamente esta semana com a morte em Beirute, a capital libanesa, de um dos mais importantes líderes do Hamas. Saleh al-Arouri foi morto, juntamente com alguns dos seus guarda-costas, num ataque com recurso a drones e que atingiu o escritório do Hamas numa zona dos subúrbios de Beirute. No meio de tudo isto, com ameaças de ataques de retaliação, os cristãos temem o alastramento do conflito e que o Líbano volte a mergulhar no caos e na destruição. Sinal disso, muitas famílias começaram já a abandonar a região. De acordo com os dados recolhidos pela Fundação AIS no Líbano, cerca de 90% da população de várias aldeias têm procurado segurança noutras regiões do país. Apesar de os cristãos não estarem envolvidos no conflito, já houve consequências diretas dos bombardeamentos entre as duas partes, ou seja, entre Israel e os elementos da milícia Hezbollah. Em Yaroun, por exemplo, a igreja católica Melquita foi danificada, mas felizmente ninguém ficou ferido e a aldeia de Alma el Chaeb foi até agora a mais afetada com 15 casas destruídas por mísseis e onde foram mortos alguns membros de uma família cujas crianças frequentavam a escola católica local. Situação “muito triste” A situação é muito grave. Regina Lynch, presidente executiva internacional da Fundação AIS, expressou já a sua preocupação pelo evoluir dos acontecimentos e muito especialmente para a comunidade cristã, dizendo que tudo o que está a acontecer nesta região “é muito triste”. “Existe uma grande preocupação de que o conflito se estenda ao Líbano, que continua a ser o país do Médio Oriente com a maior concentração de Cristãos. Isso seria dramático, porque sabemos que os Cristãos de toda a região se sentem tentados a partir”, disse Regina Lynch. Na memória de todos está ainda a guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah e toda a violência e devastação que o conflito provocou no Líbano. Calcula-se que cerca de 900 mil libaneses ficaram desalojados. Agora, apesar de estar ainda em vigor o cessar-fogo negociado em 2006 pela ONU, cresce o receio de que a guerra pode estalar de novo na região. Isso está a inquietar seriamente as famílias cristãs e a Fundação AIS tem procurado ajudá-las com cabazes de alimentos e assistência médica, bem como com o acesso ao ensino ‘on-line’ para os alunos das escolas católicas da região. “As pessoas estão com medo” Xavier Stephen Bisits, responsável pelos projetos da Fundação AIS no Líbano, esteve recentemente nesta região fronteiriça e reconhece que se sente já o impacto do ambiente de guerra, até porque, diz, “os bombardeamentos continuam a ser diários”. “As ruas estão muito calmas: já não se veem homens a beber café sentados em bancos e crianças a jogar futebol. As pessoas têm demasiado medo de ir para os seus campos, pelo que há um impacto económico nestas famílias, muitas das quais já são pobres devido ao colapso financeiro do Líbano”, descreve Xavier Stephen Bisits. A ajuda de emergência que a Fundação AIS tem estado a dar visa apoiar as famílias em maior dificuldade, mas também, esclarece o responsável de projetos, “manter as instituições a funcionar, o que, nesta altura, é fundamental”. “As pessoas estão gratas por isso”, acrescenta. Enquanto muitos civis se mudaram para casas de familiares em Beirute, ou para outros locais seguros, o clero e as religiosas que dão assistência à comunidade cristã permanecem no local. Segundo fontes locais, não há um único padre que tenha abandonado o seu rebanho. Recentemente, os bispos das Igrejas Maronita e Melquita deslocaram-se mesmo aos locais mais próximos da fronteira com Israel, para celebrar a Eucaristia e avaliar a situação com os seus próprios olhos. “O Bispo maronita de Tyr celebrou recentemente uma Missa na aldeia de Rmeich, sob a ameaça de bombas. É um testemunho da fé sólida e da resiliência dos habitantes desta região. O Bispo melquita de Tyr também foi visitar os fiéis nas aldeias ao longo da fronteira. Ficou visivelmente impressionado com o vazio assombroso que testemunhou em Yaroun, onde apenas alguns jovens permanecem, vigiando as casas, incluindo um invisual que não suporta partir”, conta Xavier Bisits. Também há o exemplo das Irmãs dos Sagrados Corações de Jesus e Maria que abriram as portas do seu convento em Debel para acolherem as pessoas que estão em maior necessidade, especialmente idosos e doentes. A Fundação AIS aprovou uma série de projetos de emergência para apoiar a Igreja no sul do Líbano, incluindo cabazes alimentares, assistência médica e social, ajuda operacional para escolas católicas, equipamento para um dispensário católico e distribuição de artigos de higiene. A Fundação AIS está a trabalhar em parceria com as igrejas locais maronitas e melquitas, bem como com as Irmãs dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. Apoie esta comunidade![]() |
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