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Roma
“Quando rezamos, nunca estamos sozinhos”
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O Papa Francisco reza pelas vítimas das cheias em Timor. Na semana em que o Vaticano publicou uma mensagem para Dia Mundial da Saúde, foi publicado mais um ‘O Vídeo do Papa’. Nas celebrações de Páscoa, Francisco disse ser “escandaloso” que “não cessem os conflitos armados”, e surpreendeu pessoas desfavorecidas durante a vacinação.

 

1. “Desejo assegurar as minhas orações pelas vítimas das inundações que, há dias, atingiram a Indonésia e Timor-Leste”, referiu o Papa, no final da audiência-geral de quarta-feira, 7 de abril. “Que o Senhor acolha os defuntos, conforte os familiares e ajude todos os que perderam as suas habitações”, afirmou.

O Papa dedicou a catequese aos laços que existem entre oração e comunhão dos santos. “Quando rezamos, nunca estamos sozinhos, mas encontramo-nos submersos num rio caudaloso de invocações, súplicas e louvores que nos antecedem e continuarão depois de nós”, disse Francisco. “Na oração descobrimos que compartilhamos as alegrias e as dores uns dos outros e que nos acompanham os santos, reconhecidos e anónimos”, acrescentou. Por isso, “na Igreja não há luto que seja vivido solitário, nem lágrima que caia no vazio, pois tudo respira e participa de uma graça comum”, porque os santos “têm sempre a mão estendida para nós, ajudando-nos a seguir em frente com confiança para estarmos em comunhão com Jesus Cristo, o único Senhor e mediador entre Deus e o homem”.

 

2. É urgente eliminar as desigualdades no acesso à saúde e o ano 2020 será recordado como “uma separação das águas, entre um antes e um depois”, escreveu o cardeal Peter Turckson, a propósito do Dia Mundial da Saúde, que se assinalou quarta-feira. Referindo-se aos efeitos da pandemia, sobretudo nas comunidades mais pobres e vulneráveis, o responsável do Vaticano para o Serviço do Desenvolvimento Humano e Integral apela, numa mensagem, aos governantes e responsáveis das políticas económicas que “garantam melhores condições de trabalho ao pessoal de saúde” e definam estratégias para “garantir um acesso equitativo aos serviços de saúde, sobretudo para os grupos mais vulneráveis e marginalizados, só possível se houver um renovado empenhamento moral dos países com maiores recursos para ajudarem os países mais necessitados”.

 

3. Na edição de abril de ‘O Vídeo do Papa’, o Santo Padre afirma que é preciso ter “coragem e determinação” para defender os direitos humanos fundamentais e pede que haja uma oposição severa “à pobreza, à desigualdade, à falta de trabalho, de terra, de habitação, direitos sociais e laborais”. Francisco lamenta que os direitos fundamentais ainda não sejam para todos, “há pessoas de primeira, de segunda e de descarte”, mas “cada ser humano tem direito a desenvolver-se integralmente e esse direito básico não pode ser negado por nenhum país”.

 

4. Cabo Delgado, Myanmar e Médio Oriente foram alguns dos focos de conflito mencionados pelo Papa Francisco na mensagem Urbi et Orbi e que estão entre as suas preocupações. “A pandemia está ainda em pleno desenvolvimento” e “a crise social e económica é muito pesada, especialmente para os mais pobres”, diz o Papa. “Apesar disso – e é escandaloso –, não cessam os conflitos armados e reforçam-se os arsenais militares. É este o escândalo de hoje!”, afirmou Francisco, na manhã de Domingo de Páscoa, 4 de abril.

Nesta mensagem, proferida no interior da Basílica de São Pedro devido às restrições impostas pela pandemia, o Papa falou de esperança para os que ainda sofrem com covid-19, para os doentes e para quem perdeu familiares. O Papa lembrou os médicos e enfermeiros, bem como os mais pobres e frágeis, “que precisam de assistência e têm direito a usufruir dos cuidados necessários”. Por isso, “no espírito dum ‘internacionalismo das vacinas’, exorto toda a comunidade internacional a um empenho compartilhado para superar os atrasos na distribuição delas e facilitar a sua partilha, especialmente com os países mais pobres”, pediu. “Infelizmente a pandemia elevou de maneira dramática o número dos pobres, fazendo cair no desespero milhares de pessoas”, disse Francisco, pedindo às autoridades públicas que “a todos, especialmente às famílias mais necessitadas, sejam oferecidas as ajudas necessárias para um condigno sustento”.

A Vigília Pascal foi celebrada na Basílica de São Pedro, perante um número restrito de fiéis. “Aqui está o primeiro anúncio de Páscoa que gostava de vos deixar: é possível recomeçar sempre, porque há uma vida nova que Deus é capaz, independentemente de todas as nossas falhas, de fazer reiniciar em nós”, garantiu o Papa, na vigília de Sábado Santo, 3 de abril.

Na tradicional Via Sacra de Roma, em Sexta-feira Santa, 2 de abril, o Papa Francisco carregou as “cruzes” de crianças de todo o mundo. As intenções das 14 estações da Via Sacra foram escritas por crianças e dão conta das suas preocupações. Ao contrário do que é hábito, o Papa optou por não fazer nenhuma intervenção no final, mas conviveu durante alguns minutos com as crianças que tinham lido as meditações.

Em Quinta-feira Santa, ao contrário do habitual, Francisco não presidiu à Missa da Ceia do Senhor, e foi celebrar na capela privada da casa do cardeal Angelo Becciu, a quem, há seis meses, o próprio Papa retirou todos os direitos cardinalícios devido a escândalos financeiros, cujos processos ainda decorrem. Neste dia, na Missa Crismal, Francisco lembrou aos sacerdotes que “a perseguição e a cruz são inseparáveis do Evangelho”.

 

5. O Papa Francisco apareceu de surpresa no átrio da Sala Paulo VI, no dia 2 de abril, enquanto se realizavam as vacinações de alguns sem-abrigo e pessoas desfavorecidas, acolhidos e acompanhados por algumas associações romanas. Num comunicado divulgado pela Sala de Imprensa lê-se que “o Papa saudou os médicos e enfermeiras, seguiu o procedimento de preparação das doses da vacina e falou com as pessoas que aguardavam”.

Na passada semana, o Vaticano anunciou que, para concretizar os apelos do Papa – de que ninguém fosse excluído da campanha de vacinação contra a Covid-19 –, “as doses da vacina Pfizer-BioNTech, adquiridas pela Santa Sé e oferecidas pelo Hospital Lazzaro Spallanzani, através da Comissão Covid-19 do Vaticano, serão destinadas à vacinação de 1.200 pessoas entre os mais pobres e marginalizados, que estão mais expostos ao vírus devido à sua condição”. O comunicado refere que, até agora, cerca de 800 pessoas já foram vacinadas com a primeira dose.

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