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HAITI: DEPOIS DA TRAGÉDIA, A RECONSTRUÇÃO
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O Haiti ficou ainda mais pobre com a devastação provocada pelo terramoto. Depois da ajuda de emergência, é hora de fazer cálculos e planos para a reconstrução. A comunidade internacional vai ter que ser generosa.

O presidente haitiano, René Préval, repetiu “o Haiti não vai perecer, o Haiti não deve perecer”, na cerimónia que marcou o primeiro mês após o sismo de 12 de Janeiro. Nesse dia os haitianos juntaram-se para recordar e rezar pelas vítimas do devastador terramoto que assolou aquele país das Caraíbas. No final da cerimónia, o presidente convidou os seus compatriotas a “limpar as lágrimas para reconstruir o Haiti”. E concluiu: “É na vossa coragem que temos de encontrar força para continuar”.

 

O povo haitiano não confia nas palavras dos seus dirigentes mas desta vez tem que acreditar que, de facto, neste momento dramático da sua história necessita de coragem redobrada para se erguer das ruínas. Está em causa a sua sobrevivência como nação. O terramoto arrasou a capital, derrubou habitações, destruiu infra-estruturas essenciais, hospitais, escolas, igrejas, departamentos do governo e a própria ONU que estava no terreno numa missão de paz. Os últimos cálculos oficiais apontam para 217 mil mortos e 200 mil feridos. Um milhão de pessoas ficou sem casa e mais de quatro mil foram amputadas.

 

História atribulada

O mundo inteiro foi tocado pelas dimensões da tragédia e respondeu rapidamente. Desencadeou-se uma operação de socorro humanitário sem precedentes na história. Depois do pesadelo logístico e do caos dos primeiros dias após o abalo, neste momento a assistência já chega às populações. Mas com o aproximar da estação das chuvas avizinha-se outra tragédia. As chuvas torrenciais deitarão abaixo as tendas que estão a servir de refúgio aos desalojados. Prevêem-se inundações e aluimentos de terra. Neste cenário, as populações ainda traumatizadas, começam a desesperar e a não ver futuro para o seu país.

 

Se antes do terramoto o Haiti era já um país pobre, o mais pobre do continente americano, agora ficou sem capacidade de resposta e está totalmente dependente da ajuda externa. Com uma esperança média de vida de 50 anos, onde a maioria da população vive com menos de 2 dólares por dia, o país teve uma história atribulada ao longo dos seus duzentos anos de independência. Só conheceu a ditadura como única forma de governo, viveu sob ocupação dos Estados Unidos e suportou o regime de terror da família Duvalier.

 

Devido à sua localização geográfica crítica, o país sofreu várias catástrofes naturais e o governo havia sido avisado da eminência dum sismo de grande magnitude. Mas nada foi feito. A capital Port-au-Prince estava a rebentar pelas costuras com construções extremamente frágeis e as pessoas a viverem em condições precárias. Não é de admirar, pois, que um abalo de grau sete arrasasse 80% dos edifícios. Foi uma verdadeira tragédia que se abateu sobre um país tão pequeno e tão pobre.

 

“Solução duradoura”

O povo haitiano e a comunidade internacional têm à sua frente um desafio gigantesco: levantar o país do pó dos escombros, num esforço hercúleo que exigirá muita paciência, solidariedade e coordenação de esforços. O Papa Bento XVI preconiza uma “solução duradoura” que, além da reconstrução, invista no desenvolvimento com o objectivo de reduzir a pobreza. Para isto, será necessário um programa de médio e longo prazo com plena participação do povo e com o apoio da comunidade internacional, sob coordenação da ONU, propôs o Conselho Mundial das Igrejas. Este organismo eclesial fez um apelo aos países mais industrializados do mundo (G7) para cancelarem a dívida externa do Haiti. Num encontro do G7, saiu o compromisso de ajuda na reconstrução e de perdão da dívida, para que a nação que já está sob escombros “não seja também soterrada em dívidas”, como disse o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, que participou na reunião.

 

A República Dominicana acolherá no próximo dia 14 de Abril a Cimeira Mundial para a Reconstrução do Haiti. De acordo com o Presidente dominicano, Leonel Fernández, serão necessários cerca de 10 000 milhões de euros para um programa de cinco anos destinado a reduzir a pobreza no Haiti e a fortalecer as suas instituições e democracia.

Estará a comunidade internacional à altura desta urgência de solidariedade?

 

O HAITI

Independência                       1804

Domínio Americano   1915-1934

Governo                     República

Presidente                   René Preval (2006)

Primeiro-ministro        Jean-Max Bellerive (2009)    

População                   10 milhões

Capital                                    Port-au-Prince

Superfície                   10 714 km2

Línguas                       Crioulo, francês

Religião                      Cristianismo

Agricultura                 Café, óleo, fruta

PNB per capita          660 dólares    

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