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“A esperança do mundo reside na bênção de Deus”
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O Papa Francisco considera que “o mundo precisa de bênção”. Na semana em que foi publicada a edição de dezembro de ‘O Vídeo do Papa’, Francisco alertou os novos cardeais contra “dois sonos perigosos”, a mediocridade e a indiferença. O Vaticano desafiou os jovens a falar dos idosos nas redes sociais e garantiu que o Papa argentino reza por Diego Maradona.

 

1. O Papa Francisco considera que a bênção é uma dimensão essencial da oração. “A esperança do mundo reside na bênção de Deus, que continua a amar-nos sempre”, referiu o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 2 de dezembro. “Um pecador pode permanecer nos seus erros por muito tempo, mas Deus é paciente até ao fim, esperando que, no final, aquele coração se abra e mude. Deus é como um bom pai e como uma boa mãe, que nunca deixam de amar o seu filho, por mais que ele possa errar”, salientou, no encontro que decorreu na biblioteca do Palácio Apostólico.

Francisco lembrou ainda as filas que, tantas vezes, se veem à porta das cadeias, com gente à espera de entrar. “Não desistem de amar o seu filho, nem têm vergonha de o mostrar. Também nós, para Deus, somos mais importantes do que todos os pecados que possamos fazer”, comentou. Por isso, “a Deus que abençoa e nos ama, também nós devemos agradecer-lhe e abençoar o mundo todo. O mundo precisa de bênção. Se todos fizéssemos isso, não existiriam guerras”, acrescentou. Francisco criticou também os que costumam amaldiçoar tudo e todos. “Isso faz mal ao mundo e a quem o faz”, apontou, porque “de um coração abençoado por Deus, não pode sair maldição”. “Que Senhor nos ensine a nunca amaldiçoar, mas a abençoar sempre”, concluiu.

O Papa referiu-se ainda à situação no nordeste da Nigéria, “infelizmente ensanguentada pela tragédia terrorista”, que, no passado dia 28 de novembro, causou a morte a mais de 100 camponeses. “Que Deus os acolha na sua paz, conforte os seus familiares e converta o coração de quem comete tais horrores que ofendem gravemente o seu nome”, disse o Santo Padre, no final da habitual catequese da quarta-feira.

Francisco assinalou igualmente os 40 anos da morte de quatro missionárias, em El Salvador, raptadas, violadas e assassinadas por para-militares, a 2 de dezembro de 1980. Estas mulheres, que serviam as populações, “são um exemplo para todos se tornarem fiéis discípulos missionários”, concluiu o Papa.

 

2. Na edição de dezembro de ‘O Vídeo do Papa’, Francisco fala sobre o poder da oração. “Rezando, mudamos a realidade. E mudamos os nossos corações. Rezemos para que a nossa relação com Jesus Cristo se alimente da Palavra de Deus e de uma vida de oração”, pediu. O próprio Papa tem dado testemunhos de oração, que são recordados no vídeo deste mês: a oração pela pandemia na Praça de São Pedro vazia; a sua peregrinação ao crucifixo de São Marcelo na ‘Via del Corso’, no centro de Roma; os momentos de recolhimento diante do ícone bizantino da ‘Salus Populi Romani’, na Basílica de Santa Maria Maior.

 


3. Na Missa de encerramento do consistório, na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco pediu aos novos cardeais que não “tenham pretensões terrenas”, não se percam “em mil coisas”, não se distraiam “por tantas vaidades” nem se gastem “por um pouco de dinheiro, fama ou sucesso”. No Domingo I do Advento, 29 de novembro, o Papa apelou à proximidade e vigilância, sobretudo porque há dois “sonos perigosos”: o sono da mediocridade e o sono da indiferença.

Contra a mediocridade, Francisco propõe a vigilância da oração, que “desperta da tibieza duma vida horizontal, levanta o olhar para o alto, sintoniza-nos com o Senhor”. “A oração permite a Deus estar perto de nós; por isso, liberta da solidão e dá esperança. A oração oxigena a vida: tal como não se pode viver sem respirar, assim também não se pode ser cristão sem rezar”, sublinhou. Contra “o sono da indiferença”, que leva a “reivindicar tudo para si e a desinteressar-se dos outros”, é fundamental “a vigilância da caridade”. E como “a caridade é o coração pulsante do cristão”, disse o Papa aos novos cardeais, “tal como não se pode viver sem pulsação, assim também não se pode ser cristão sem caridade”.

O Papa tinha criado novos cardeais na véspera, numa celebração reduzida em número de fiéis devido à pandemia, deixando um conselho aos treze novos purpurados. “Queridos irmãos, todos nós amamos Jesus, todos queremos segui-Lo, mas devemos estar sempre vigilantes para permanecer no seu caminho. Pois com os pés, com o corpo, podemos estar com Ele, mas o nosso coração pode estar longe e levar-nos para fora do caminho. E pensemos em tantas formas de corrupção na vida sacerdotal”, alertou. Ainda neste dia, o Papa Francisco e os novos cardeais visitaram Bento XVI, na capela do mosteiro Mater Ecclesiae, onde reside o Papa Emérito. Francisco apresentou os cardeais, um por um, e foi cantado o hino mariano ‘Salve Regina’. Aos 93 anos, o Papa Emérito manifestou alegria pela visita e concedeu a sua bênção aos novos cardeais.

A Igreja tem agora um total de 229 cardeais, dos quais 128 são eleitores (têm menos de 80 anos): 16 criados por João Paulo II, 39 por Bento XVI e 73 pelo Papa Francisco.

 

4. A Santa Sé, através do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, convida os jovens a darem a palavra aos idosos e a receber deles um presente de sabedoria. “Hoje, no difícil clima de um Natal ainda envolto pela pandemia, propomos aos jovens que publiquem nas redes sociais uma lembrança, um conselho, um presente de sabedoria de um dos idosos com quem estabeleceram vínculo nos últimos meses”, lê-se no convite, publicado em várias línguas. Para participar na campanha, basta postar palavras dos avós e dos idosos nas redes sociais, com a hashtag #aGiftOfWisdom. As mensagens mais significativas vão ser divulgadas nas redes sociais do dicastério.

 

5. O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, referiu aos jornalistas que o “Papa foi informado da morte de Diego Maradona, que recorda com afeto as ocasiões de encontro que teve com ele nestes anos e que o lembra na oração, tal como o fez nos últimos dias quando soube das suas condições de saúde”.

No livro ‘Vamos sonhar juntos’, que será publicado em Portugal em janeiro, Francisco recorda os momentos que viveu como estudante na Alemanha e como se entusiasmou com o triunfo da Argentina no Campeonato do Mundo de 1986. Uma vitória cuja estrela foi Diego Maradona, com a camisola número 10, que mais tarde a ofereceu ao Papa, no Vaticano, em 2014. Na ocasião, Maradona, entrevistado pela Rádio Vaticano, afirmou que “entre os dois, o verdadeiro ‘craque’ é o Pontífice”.

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