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“A oração é como o oxigénio da vida”
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O Papa Francisco reafirmou o empenho da Igreja em erradicar os abusos e assegurou que “quem reza não perde tempo”. Na semana em que se encontrou com um missionário que tinha sido sequestrado no Mali, o Papa pediu paz para a Líbia e Etiópia, rezou pelos cardeais e bispos falecidos e defendeu a inteligência artificial ao serviço do ser humano.

 

1. O Papa Francisco garantiu que “quem reza não perde tempo” e terminou com uma referência ao documento sobre o caso McCarrick, o ex-cardeal e Arcebispo de Washington, responsável por abusos sexuais e reduzido ao estado laical em 2019. “Foi publicado ontem [terça-feira] o relatório sobre o doloroso caso do ex-cardeal Theodore McCarrick”, disse o Papa no final da catequese da audiência-geral de quarta-feira, 11 de novembro, transmitida a partir da biblioteca do Palácio Apostólico. “Renovo a minha proximidade às vítimas de todos os abusos e o empenho da Igreja em erradicar este mal”, concluiu, com uma breve pausa de silêncio.

O relatório revela que antes da criação cardinalícia do arcebispo McCarrick, em 2000, houve denúncias de abusos sexuais contra o responsável católico que terão sido consideradas infundadas pelo Papa de então, João Paulo II. Ao longo de mais 400 páginas são apresentados documentos e testemunhos, naquele que é o primeiro texto do género a ser publicado pelo Vaticano sobre a gestão de um caso de abuso de menores.

Na reflexão da catequese, o Santo Padre considerou importante rezar sempre, “mesmo quando temos a impressão de estar a perder tempo, porque Deus tarda a responder”, mas, à semelhança do que aconteceu com tantos santos e santas, “ainda que o Céu nos pareça surdo e mudo, continuemos a rezar, porque, mesmo na noite da fé, nunca estamos sozinhos”. Francisco garante que “Deus é mais paciente do que nós, e quem bate à porta do seu coração com fé e perseverança não fica desiludido, pois o nosso Pai sabe bem do que precisamos”. Para isso, é preciso “uma disposição corajosa para invocar Deus… até para ‘discutir’ com Ele, sem se resignar ao mal e à injustiça”. Segundo o Papa, nunca se deve desanimar, porque “nas noites de fé, quem reza nunca está sozinho”. “Se não rezamos, não teremos força para avançar na vida. A oração é como o oxigénio da vida. É atrair para nós a presença do Espírito Santo, que nos faz sempre avançar”, indicou, na audiência-geral à porta fechada e com transmissão online.

 

2. O Papa Francisco encontrou-se, no Vaticano, com o missionário italiano Pierluigi Maccalli, um mês depois da libertação do sacerdote católico no Mali, após dois anos de rapto. “Fiquei emocionado, especialmente por contar ao Papa tudo o que eu passei e por confiar à sua oração, especialmente, as comunidades às quais me dedicava e que agora estão sem uma presença missionária e um padre há mais de dois anos”, referiu o membro da Sociedade de Missões Africanas, em declarações ao Vatican News. O sacerdote mostrou-se ainda emocionado por um gesto do Papa, na despedida, quando Francisco decidiu beijar-lhe as mãos.

No Dia Mundial das Missões, a 18 de outubro, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa manifestou publicamente a sua gratidão pela libertação do padre Maccalli, depois de mais de dois anos em cativeiro às mãos de um grupo jihadista.

 

3. Não basta “a lâmpada da fé, mas é necessário também o óleo da caridade e das boas obras”, referiu o Papa, durante o Angelus do passado Domingo, 8 de novembro. Ao refletir sobre o Evangelho, Francisco alertou para a distração em que muitos vivem, “absolutizando o presente, como se não houvesse vida eterna”, pois “se nos deixarmos guiar por aquilo que parece mais atraente, pela busca dos nossos interesses, a nossa vida se torna estéril”, disse o Santo Padre. “Devemos viver o hoje, mas o hoje que vai em direção ao amanhã, em direção àquele encontro, o hoje repleto de esperança”, salientou.

No final do Angelus, o Papa solidarizou-se com o sofrimento das populações da América Central, devastadas pela passagem de um furacão, mostrando-se preocupado com a situação na Etiópia, pedindo “que se rejeite a tentação de um confronto armado” e convidando todos “à oração e ao respeito fraterno, ao diálogo e à recomposição pacífica das discórdias”.

O Santo Padre também quis assinalar o fórum para o diálogo político líbio, que naquele dia tinha tido início na capital da Tunísia. “Espero vivamente que, neste momento tão delicado, se encontre uma solução para o longo sofrimento do povo líbio. E que o recente acordo para um cessar-fogo permanente seja respeitado e concretizado. Rezemos pelos delegados do fórum, pela paz e pela estabilidade na Líbia”, pediu.

 

4. “A vida dum servidor do Evangelho é animada pelo desejo de agradar ao Senhor em tudo: este é o critério de cada uma das suas opções, de cada passo que tem de dar”, observou o Papa, na homilia da Missa em sufrágio dos cardeais e bispos falecidos no último ano. Na Basílica de São Pedro, no passado dia 5 de novembro, o Santo Padre falou na ressurreição. “Hoje, a revelação de Jesus interpela a todos nós: somos chamados a crer na ressurreição, não como numa espécie de miragem que surge ao longe no horizonte, mas como um acontecimento presente, que misteriosamente já nos toca agora. Contudo, esta fé na ressurreição não ignora nem dissimula a desolação que sentimos, humanamente, perante a morte”, observou.

Segundo o Papa, “diante do enigma da morte, o fiel deve converter-se continuamente”. “Diariamente, somos chamados a ir mais além da imagem que, instintivamente, temos da morte como aniquilação total duma pessoa; transcender a aparência visível, os pensamentos prefixados e óbvios, as opiniões comuns, para nos confiarmos inteiramente ao Senhor que declara: «Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre»”, apontou. Para Francisco, “estas palavras, acolhidas com fé, fazem com que a oração pelos nossos irmãos falecidos seja verdadeiramente cristã”.

 

5. Neste mês, o Papa Francisco chama a atenção para a mudança que está a acontecer devido aos avanços da inteligência artificial. Para o Santo Padre, este progresso deve estar sempre “ao serviço do ser humano”, respeitando a sua dignidade e zelando pela Criação. Na edição de novembro de ‘O Vídeo do Papa’, Francisco sustenta que o avanço tecnológico, como o da robótica, “pode tornar possível um mundo melhor se estiver vinculado ao bem comum”.

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