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Papa preocupado com os hospitais: “Há doentes considerados desperdício”
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A audiência-geral de quarta-feira voltou a ser feita na Biblioteca do Palácio Apostólico, sem a presença de fiéis, com o Papa a deixar um alerta. Na semana em que condenou o atentado em Viena, Francisco celebrou Missa num pequeno cemitério no Vaticano, elogiou a coragem dos santos e lamentou o ataque terrorista em Nice.

 

1. O Papa regressou, na manhã desta quarta-feira, 4 de novembro, à Biblioteca do Palácio Apostólico para a audiência-geral, sem a presença de fiéis, por causa da pandemia. Francisco explicou que, para nos defendermos dos contágios, “devemos estar muito atentos às prescrições das autoridades, quer políticas quer sanitárias”. Neste contexto, o Santo Padre recordou os doentes que se encontram nos hospitais e convidou a pensar “naqueles que entram já como desperdício”, bem como “nos médicos, nos enfermeiros e enfermeiras, nos voluntários e em tanta gente que trabalha com os doentes neste momento, que arriscam a vida, mas que o fazem por amor, com a sua vocação de amor ao próximo”.

Após a reflexão que fez sobre o valor da oração enquanto “escuta e encontro com Deus”, o Papa também não esqueceu “as vítimas inocentes do terrorismo, que se está a espalhar na Europa, com especial crueldade”. Francisco considerou os recentes atentados de Nice e Viena “acontecimentos deploráveis que tentam comprometer, com a violência e o ódio, a colaboração fraterna entre as religiões”.

 

2.  O Papa Francisco reagiu “com dor e consternação” ao mais recente ataque terrorista em Viena, na Áustria, que ocorreu na noite de segunda para terça-feira, dia 3 de novembro, e apelou ao fim da violência e do terrorismo. “Expresso dor e consternação pelo ataque terrorista em #Viena e rezo pelas vítimas e seus familiares. Chega de violência! Construamos juntos paz e fraternidade. Só o amor apaga o ódio”, escreveu o Papa, na sua conta no Twitter (https://twitter.com/Pontifex_pt).

Também o Arcebispo de Viena condenou os atentados terroristas que atingiram diversos locais da capital austríaca, causando pelo menos quatro mortos e 15 feridos graves. “Qualquer que seja a natureza do ataque, uma coisa é clara: nada justifica a violência cega”, afirmou o cardeal Christoph Schönborn, numa declaração divulgada pela Conferência Episcopal da Áustria.

 

3. O Papa celebrou Missa no pequeno Cemitério Teutónico, no Vaticano, a poucos passos da Casa Santa Marta, onde reside, na Comemoração dos Todos os Fiéis Defuntos, tendo falado na “esperança cristã” na vida depois da morte. “Hoje, ao pensar em tantos irmãos e irmãs que partiram, far-nos-á bem olhar para os cemitérios e olhar para o alto, repetindo, como Job: ‘Eu sei que o meu Redentor está vivo, eu próprio o verei, os meus olhos o hão de contemplar’”, referiu Francisco, sublinhando que essa esperança, “que não se desilude”, é “um dom” que atrai o ser humano “para a vida, para a alegria eterna”. “É uma âncora que temos do outro lado”, observou, no passado dia 2 de novembro, na celebração que, habitualmente, tem lugar num grande cemitério romano, mas que, devido à pandemia, decorreu no pequeno cemitério teutónico.

No final da Eucaristia, o Papa rezou junto dos túmulos do cemitério, antes de se dirigir para a cripta da Basílica de São Pedro, para rezar pelos Papas falecidos.

 

4. Na reflexão que antecedeu a oração do Angelus, no Dia de Todos os Santos, 1 de novembro, o Papa Francisco elogiou a coragem de todos os santos que vão “contra a corrente da mentalidade mundana” e que, por isso, “são preciosos para Deus”. O Papa avançou depois alguns exemplos, a partir das bem-aventuranças. “Neste momento da vida mundial, com tanta agressividade, incluindo na vida quotidiana, a primeira coisa que sai de dentro de nós é a agressão, a defesa. Precisamos da mansidão para avançar no caminho da santidade”, disse. E explicou: “Mansos são os que sabem dominar-se, que deixam espaço para o outro, o ouvem e o respeitam no seu modo de viver, nas suas necessidades e nos seus pedidos. Não pretendem subjugá-lo ou menosprezá-lo, não querem sobrepor-se e dominar tudo, nem impor as suas próprias ideias e interesses, em detrimento dos outros. Essas pessoas, que a mentalidade mundana não aprecia, são preciosas aos olhos de Deus, que lhes dá como herança a terra prometida, ou seja, a vida eterna”.

Francisco concluiu, a propósito da festa que se assinalou naquele Domingo, que “escolher a pureza, a mansidão e a misericórdia; escolher confiar-se ao Senhor na pobreza de espírito e na aflição; comprometer-se com a justiça e a paz significa ir contra a corrente da mentalidade deste mundo, da cultura da posse, da diversão sem sentido, da arrogância com os mais fracos”. Foi o caminho percorrido pelos santos e pelos beatos, referiu, para sublinhar que “a vocação pessoal e universal à santidade nos oferece os modelos seguros deste caminho, que cada um percorre de modo único e irrepetível, segundo a ‘fantasia’ do Espírito Santo”.

No final do Angelus, o Papa solidarizou-se com as populações do mar Egeu, que sofreram com o mais recente terramoto, e renovou os apelos de paz para a região do Nagorno-Karabakh.

A terminar, deixou um conselho aos que, por aqueles dias, se iam deslocar aos cemitérios: “Uno-me espiritualmente com todos os que, nestes dias – observando as normas sanitárias que são importantes – vão rezar junto das sepulturas dos seus entes queridos, em todo o mundo”.

 

5. O Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, enviou um telegrama ao Bispo de Nice, D. André Marceau, dando conta de que o Papa condena “da forma mais enérgica” a ação terrorista na catedral da cidade do sul de França, no dia 29 de outubro e que fez três mortos, e garante estar “unido em oração” com todos os que foram atingidos. “Sua Santidade o Papa Francisco une-se em oração com o sofrimento das famílias que sofrem e compartilha a sua dor. Ele pede ao Senhor para trazer conforto e entrega as vítimas à sua misericórdia”, lê-se no telegrama. No texto, é ainda dito que Francisco “condena a forma mais enérgica estes violentos atos de terror” e “assegura a sua proximidade à Comunidade Católica da França e a todo o povo francês a quem apela à unidade”. “Confiando a França à proteção de Notre-Dame, o Papa dá de coração a Bênção Apostólica a todos os afetados por esta tragédia”, termina o cardeal Secretário de Estado.

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