Falando do enorme fardo de liderar um país maioritariamente católico no rescaldo do terramoto, o Arcebispo Louis Kébreau, presidente da Conferência Episcopal do Haiti, sublinha a sua crescente preocupação com os seminaristas haitianos, 200 dos quais sobreviveram e precisam urgentemente de ajuda.
Numa entrevista à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o Arcebispo de Cap-Hatien disse que “não consigo suster as lágrimas quando penso no funeral” dos seminaristas que faleceram.
“Nem sequer lhes conseguimos arranjar um caixão, apenas um pobre saco de plástico”, assinalou, assegurando que se sente “completamente impotente” nesta situação.
Na capital do Haiti, Port-au-Prince, morreram 16 seminaristas diocesanos debaixo dos escombros. Outros 10, da Congregação dos Monfortianos, morreram quando o autocarro que os transportava foi destruído pelo sismo.
Estes seminaristas, na sua maioria com menos de 25 anos, foram sepultados nos terrenos do devastado seminário maior.
Na entrevista, o Arcebispo Kébreau lamentou não ter sido ainda possível enterrar todos os seminaristas diocesanos, porque alguns dos corpos continuam por aparecer. A preocupação é que nunca seja possível encontrá-los.
No final de Janeiro, o presidente da Conferência Episcopal do Haiti agradecia o apoio dado pela a AIS. Imediatamente após o desastre, a organização católica internacional, com secretariado em Portugal, estabeleceu contacto com o Núncio Apostólico no Haiti, Mons. Bernardito Auza, e enviou uma primeira ajuda de emergência no valor de 50 mil Euros para a aquisição de água potável, medicamentos, alimentação e abrigos temporários, através dos sacerdotes e religiosas que nestes momentos se encarregam de aliviar a dor do seu povo atingido pelo sofrimento. Mais tarde, a AIS decidiu enviar uma ajuda de 100 mil dólares aos seminaristas do Haiti.
Para além dos milhares de vidas perdidas, praticamente todas as 80 paróquias da Arquidiocese de Port-au-Prince e as 320 capelas ficaram destruídas, bem como orfanatos, escolas, jardins-de-infância...
Graças à generosidade dos seus benfeitores, a Fundação AIS está empenhada em ajudar a Igreja e o povo do Haiti que a ela recorre. Estamos unidos em oração e comprometidos neste longo caminho de ajuda e reconstrução.
“Estou profundamente grato porque a AIS veio ajudar, como o Bom Samaritano, trazendo abrigo e dando esperança”, disse o Arcebispo de Cap-Haitien.
O presidente da Conferência Episcopal diz que nessa função e como Bispo diocesano, se sente responsável pela saúde e o bem-estar físico e espiritual dos seminaristas. “Ainda tremo por dentro quando penso que tive de autorizar a amputação de uma perna de um deles e de um braço de outro”, lembra.
“Para a reconstrução de todo o país é necessário que estes seminaristas superem os seus traumas e recebam uma boa formação teológica”, acrescenta.
O Arcebispo Kébrau disse à AIS que agora quer centrar-se no cuidado dos seminaristas qe sobreviveram para que eles, por seu turno, possam ajudar as outras vítimas do desastre. “Muitas pessoas perderam os seus familiares e estão agora sozinhas, todas elas na completa miséria”, prosseguiu.
Um pouco por todo o mundo temos assistido à multiplicação de iniciativas solidárias em favor do povo haitiano, incluindo a conferência episcopal da vizinha República Dominicana, que recentemente visitou Port-au-Prince e ofereceu 100 mil dólares para ajudas de emergência. D. Kébrau viajou cerca de 200 quilómetros desde a sua diocese, no Norte do país, para se encontrar com os Bispos dominicanos.
A viagem acabaria por demorar 12 horas, depois do seu veículo se ter avariado a meio do caminho, consequência de muitos anos de uso intensivo. Apesar disso, e quando questionado pela AIS sobre se necessitava de alguma ajuda para si próprio, o Arcebispo de Cap-Haitien respondeu: “Não preciso de nada para mim, apenas que Deus me dê a força necessária para que com os outros Bispos, sejamos capazes de reconstruir a Igreja”.
A AIS pede orações pelo povo do Haiti num momento em que os coordenadores de projectos da organização se preparam para visitar este país, com o objectivo de estabelecer prioridades a medio e longo prazo.
Entre nós, no II Domingo da Quaresma a Igreja do Convento de Semide (Miranda do Corvo, Coimbra) vai realizar um Concerto - Celebração Penitencial. Será no dia 28 de Fevereiro, pelas 18h00.
Este concerto está inserido na corrente de oração pelos sacerdotes. Entretanto, devido à catástrofe ocorrida no Haiti, também querem ajudar a sua Igreja, nossa irmã.
Os donativos recolhidos neste evento serão para ajudar o Haiti, através da Fundação AIS - Ajuda à Igreja que Sofre.
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