Cáritas de Lisboa |
Envelhecimento
Promover a dignidade e a autonomia
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Imaginemos que a vida é uma estrada, que cada um terá de percorrer na sua singularidade, pois cada pessoa vê e sente o mundo de uma maneira muito própria.

A pessoa resulta de uma combinação de vários fatores, desde a herança genética deixada pelos pais, à família e cultura em que cresce. A forma como lidamos com as situações, como sentimos, como reagimos e nos comportamos, também caracterizam cada um de nós. Somos seres resultantes da mistura de vários “ingredientes”.

Ao longo desta estrada, e nas várias etapas da vida, as pessoas vão vivenciando e gerindo experiências e situações com que se vão deparando, boas e menos boas. Umas fazem parte das regras ou costumes da própria sociedade e cultura a que pertencem (como a ida para a escola), outras são acontecimentos mais ou menos inesperados (como a mudança de casa, a morte de uma irmã, o divórcio dos pais, a doença crónica da mãe). Algumas destas experiências podem ficar vincadamente marcadas na memória de alguém e podem até condicionar a forma como uma pessoa passa a ver o mundo, determinadas situações e pessoas.

As pessoas tendem geralmente a lidar com as situações de determinada forma, o que não significa que esta não se possa alterar. O papel do psicólogo está precisamente na forma como pode ajudar a fazer face as situações adversas. Se por um lado há pessoas que, por natureza otimistas, confiantes, resilientes, respondem positivamente à adversidade, tirando dela benefício e sem nunca desistirem do seu caminho, outras, mais pessimistas, podem sentir-se ultrapassadas e vencidas pelas contrariedades.

 

Envelhecer

As reações são sempre variadas, e o mesmo acontece quando confrontados com o envelhecimento. Com o avançar no tempo, há alterações a nível biológico (como o surgimento de doenças, a perda de capacidades sensoriais e físicas), a nível social (como nos diversos papéis sociais assumidos) e a nível psicológico (como na capacidade cognitiva, afetiva-emocional e na funcional). Há pessoas que facilmente conseguem aceitar estas alterações e perdas, valorizando o que têm, convivendo socialmente e encontrando novas formas de se ocupar. Outras, pelo contrário, podem nunca se conformar, vivendo um constante sentimento de revolta e de mágoa pelo que perderam, pelo que não conseguiram realizar na vida, deixando-se assim vencer pela tristeza e desânimo. Esta realidade revela a complexidade do desenvolvimento humano e o modo diversificado, neste caso, de envelhecer.

As estradas da vida são cada vez mais longas. O progressivo envelhecimento da população humana é um fenómeno global contemporâneo, especialmente nos países ditos desenvolvidos, não deixando, porém, de se verificar (ainda que de uma forma menos acentuada), nos países em vias de desenvolvimento.

Em Portugal, o acentuado envelhecimento populacional é visível quando o número de idosos se compara com o dos mais jovens. De acordo com os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) de 2011, a esperança média de vida em Portugal é de 79,2 anos (76,1 para os homens e 82,1 para as mulheres).

 

Os idosos entre nós

Ainda de acordo com os dados do INE (2012), muitos idosos vivem com outros idosos, num frequente papel de cuidadores. A maioria dos adultos idosos portugueses é pouco (ou nada) escolarizada. Adicionalmente, os idosos portugueses têm, em geral, baixos rendimentos e apresentam maior risco de pobreza. Para além das dificuldades ao nível do funcionamento e da saúde mental, como a depressão e a demência, a situação social precária, em que a maioria das pessoas se encontra, torna esta população particularmente vulnerável. O envelhecimento da população pode ser visto como uma história de sucesso para as políticas de saúde e para o desenvolvimento social. No entanto, coloca sérios desafios à promoção da qualidade de vida, à medida que as pessoas vão envelhecendo.

A Constituição da República Portuguesa (2011), no artigo 9º dos princípios fundamentais, define como objetivo e tarefa primordial do Estado promover o bem-estar e a qualidade de vida de todos os cidadãos. Dos cidadãos, os idosos constituem um grupo importante e cada vez mais numeroso.

As Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), vulgarmente chamadas lares, são um recurso da comunidade, na maioria dos casos o último recurso das pessoas (das famílias). Os cuidadores quando procuram estas soluções, encontram-se num intenso sofrimento e mal-estar. Por um lado, sentem que estão a “abandonar” o seu pai ou mãe, por outro, estão exaustos (física e psicologicamente), a chegar a um limite e a não conseguirem conciliar as várias áreas importantes da vida (pessoal, familiar, profissional, social), gravemente afetadas por estas situações.

 

Lar da Bafureira

Estas tensões e sofrimento sentem-se frequentemente no Lar da Bafureira – valência da Cáritas Diocesana de Lisboa. Aberta há 18 anos, é hoje uma estrutura inserida e reconhecida na comunidade. O acolhimento de mais de duas centenas de idosos, desde a sua abertura, tem sido um apoio efetivo às pessoas e suas famílias. Com o objetivo de promover o bem-estar e qualidade de vida dos residentes, foi adquirindo uma experiência importante neste delicado cuidado aos idosos. O Lar da Bafureira distingue-se pelo ‘selo’ Cáritas: cada pessoa é uma irmã ou um irmão, que merece todo o nosso respeito e consideração, é Cristo num ‘disfarce por vezes angustiante’ para utilizar a expressão da Santa Teresa de Calcutá. A missão do Lar da Bafureira rege-se pela Doutrina Social da Igreja, pelas orientações definidas pelo Plano Pastoral Diocesano e pelos imperativos de solidariedade, sendo sua prioridade, em qualquer momento, responder às situações mais graves de pobreza e exclusão social. Todos os colaboradores do lar partilham da nobreza desta missão e com alegria e profissionalismo estão empenhados em defender e promover a dignidade e autonomia das pessoas que a ele recorrem.

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