Domingo |
À procura da Palavra
Caminho de Luz
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DOMINGO DE PÁSCOA

“Não nos ardia cá dentro o nosso coração,

quando Ele nos falava pelo caminho

e nos explicava as Escrituras?”

Lc 24, 32

Estava a ser tão longo aquele caminho

de Jerusalém a Emaús.

O sol ia alto mas os nossos corações

estavam mergulhados em trevas.

Como fora possível tudo aquilo?

Tinham sido rápidos os acontecimentos

e o mundo novo que as palavras e os milagres de Jesus

pareciam realizar tinha desmoronado.

Nada puderam fazer os seus amigos.

E vimo-l’O ser condenado e flagelado,

crucificado entre dois malfeitores,

morrer na cruz em atroz sofrimento

e ser sepultado.

O silêncio e o fracasso habitavam dentro de nós.

Que futuro agora para as nossas vidas?

 

Foi então que se aproximou o desconhecido,

e juntou-se a nós com um ar tão familiar.

As suas perguntas fizeram jorrar a nossa tristeza

e o desalento que nos habitava.

Mas as palavras que nos disse reacenderam o fogo.

Pareciam antigas e tão novas,

a encher de espírito as nossas almas vazias.

Por isso lhe pedimos para vir até nossa casa.

Não queríamos perder aquela luz,

não podíamos entrar de novo na noite.

 

E foi à mesa, quando pegou nas mãos

o pão da hospitalidade e o vinho da amizade,

e disse as palavras que não tínhamos esquecido,

que O reconhecemos.

Pouco importou que deixássemos de O ver;

já estava tão dentro de nós que só isso importava.

E tornou-se claro o que tínhamos de fazer:

levar a luz a todos os que caminhassem nas trevas.

A começar pelos de Jerusalém,

mas daí ao mundo inteiro.

A Páscoa era então essa passagem

da morte à vida, do menos ao mais,

das trevas à luz, que exige o amor até ao fim.

Nada nem ninguém nos iria parar.

Este fogo que ilumina e fortalece

é o melhor presente para fazer o mundo novo!

P. Vítor Gonçalves (ilustração por Tomás Reis)
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