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O Natal para a Igreja que Sofre
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Milhares de cristãos em todo o mundo celebram mais uma vez, este ano, um Natal repleto de dificuldades, em que mesmo a sua vida está em risco.

No lugar em que Jesus nasceu, Belém, os cristãos estão encurralados por um enorme “muro de vergonha”, como refere a presidente do Conselho de Administração da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), Catarina Martins de Bettencourt.

Esta responsável lembra ainda os cristãos que sofrem no Sudão, China, Cuba e em tantas outras partes do mundo. Por isso, neste Natal, a AIS preparou um catálogo que procura ser “útil e inspirador”. Com um simples gesto, será possível levar algum conforto a estes cristãos perseguidos.

Livros, postais, CD’s, cruzes, terços, presépios e vários outros artigos fazem parte de um catálogo que pode ser consultado online em www.fundacao-ais.pt/catalogo

A maior parte dos donativos angariados nesta Campanha de Natal serão destinados a projectos pastorais em Moçambique. No meio dos muitos presentes desta época, a Fundação destaca os 5 mil projectos pastorais de formação de seminaristas, ajuda de subsistência para padres e religiosas em dificuldades, construção de igrejas, difusão da Bíblia, etc., que todos os anos são apoiados pela AIS graças à generosidade de pessoas de boa vontade.

No Iraque, por exemplo, este é o terceiro Natal consecutivo em que as monjas caldeias são ajudadas. As religiosas distribuirão uma cesta com vários alimentos na cidade de Zakho e arredores, perto da fronteira com a Síria e a Turquia.

A coordenadora da iniciativa, Marie-Ange Siebrecht, explica que aquilo que as religiosas estão a fazer dará “um imenso impulso para muitas pessoas neste Natal”, beneficiando milhares de pessoas, especialmente idosos, deficientes, mulheres e crianças.

Em Gaza, na Palestina, a determinação das religiosas é uma marca da Igreja, que enfrenta tanques, lança-mísseis, bombardeamentos aéreos e terrestres, detonações e fogo cruzado, mortos e feridos, muitos deles crianças.

As irmãs do Rosário de Tal Hawa, no Norte da Faixa de Gaza, são cinco. Três delas dirigem uma escola primária e um jardim-de-infância com cerca de 500 crianças. A escola foi atingida pelos confrontos militares em 2007 e 2008, pelo que as religiosas tiveram de recorrer ao apoio da AIS, que está a auxiliar na longa e difícil reconstrução.

 

Cristãos perseguidos

Como habitualmente, no final de cada ano, a Fundação AIS recorda as situações dramáticas em que vivem os cristãos de muitos países.

De acordo com a organização católica internacional, entre 75 a 85% das perseguições religiosas em todo o mundo dizem respeito aos cristãos. Berthold Pelster, membro da equipa que elabora o relatório sobre liberdade religiosa no mundo publicado pela AIS, concedeu uma entrevista ao secretariado nacional alemão, traçando o balanço da situação.

“Cerca de dois mil milhões de fiéis em todo o mundo são cristãos e o número cresce, sobretudo nos países do terceiro mundo. Isto cria, muitas vezes, uma situação de concorrência em que outros grupos religiosos ou também políticos procuram limitar este crescimento”, disse Pelster, explicando assim o facto de mais de 75% das perseguições religiosas em todo o mundo serem relativas a cristãos.

Para Berthold Pelster, actualmente diminuíram as medidas opressivas contra os cristãos com base em ideologias ateias, como o comunismo, que se opunha a todas as religiões, mas há novas ideologias que permitem a liberdade religiosa apenas dentro de uma única religião. Ele recorda, nesse contexto, os países muçulmanos e a Índia, onde, em alguns Estados, grupos radicais hindus conseguiram promulgar leis "anticonversão".

Em relação ao panorama mundial, Pelster destaca a situação no Iraque, cuja Igreja, em sua opinião, é uma "Igreja de mártires", onde "o futuro do Cristianismo é ameaçado de forma grave".

Além disso, neste ano que se encerra, ocorreram muitos episódios de violência contra os cristãos no Paquistão, no Egipto e na Nigéria.

"De modo menos intenso, há também preocupação com a situação na América Latina, onde governos neosocialistas actuam principalmente contra a Igreja Católica", analisa Pelster, que alerta: "Em qualquer caso, é preciso estar atento a todos estes acontecimentos sociais, pois as limitações à liberdade religiosa, com frequência, são somente o primeiro sinal de grandes problemas sociais".

Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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