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Síria: a melhor equipa de futebol do mundo… está no Vale dos Cristãos?
Os 11 de Marmarita
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São jovens, jogam à bola e têm mesmo talento para o futebol. No entanto, não é por causa disso que são conhecidos em Marmarita, uma pequena localidade no Vale dos Cristãos que se tornou refúgio de milhares de pessoas fugidas da guerra. Os onze jovens são voluntários da Igreja e estão ao serviço dos mais necessitados. E ali, em Marmarita, não há ninguém que não precise de ajuda…

 

Bem no coração do Vale dos Cristãos, uma região montanhosa da Síria relativamente perto da fronteira com o Líbano, fica a vila de Marmarita. Antes da guerra, muitas pessoas costumavam fazer férias ou passar algumas temporadas no Vale dos Cristãos. É uma zona sossegada, tem bons ares e fica perto do Líbano e a pouco mais de uma hora de viagem de Homs. A guerra da Síria começou em 2011, precisamente em Homs, e espalhou-se por todo o país como um rastilho.  Aos poucos, a Síria ficou infestada de violência, dor e morte. Milhares de pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas, perdendo tudo o que tinham. Oito anos depois da guerra ter começado, é difícil, muito difícil, encontrar um sírio que não tenha fugido de casa, que não se tenha escondido das bombas, que não esteja ainda enlutado pela perda de algum familiar ou amigo. Hoje, oito anos depois da guerra na Síria ter começado em Homs, a vida continua difícil, quase impossível. Não há trabalho, os bens de primeira necessidade continuam escassos e muito caros e a vida do dia-a-dia seria impossível sem a ajuda da Igreja e de instituições como a Fundação AIS.

 

Equipa perfeita

Os 11 jovens de Marmarita são exemplo do que de melhor tem a Síria. Eles coordenam localmente toda a ajuda que é disponibilizada a nível internacional pela Fundação AIS. Elias Jahloum é o responsável pelo Centro de São Pedro, da Igreja greco-católica, por onde tudo passa. Por ali, todos o conhecem por Ili. Recentemente, uma equipa da AIS esteve em Marmarita a acompanhar o trabalho destes jovens. O telemóvel de Ili estava quase sempre a tocar. Todos pedem ajuda para alguma coisa. Todos precisam de ajuda. “Ajudar estas pessoas em necessidade – diz Elias – é algo que move os nossos corações. Para mim, pessoalmente, é a razão para continuar a viver na Síria.” Elias sabe que todos podem contar com ele, que todos podem confiar nele. “Muitos tratam-me como se fosse filho deles… sou eu que acompanho os doentes ao hospital, que os visito em suas casas…” É Elias e mais dez. São uma equipa quase perfeita. Eles sabem bem quanto custa estar ali, longe de casa, dependentes da generosidade da Igreja.

 

Todos desalojados

Os 11 de Marmarita dão apoio directo a cerca de duas mil famílias. São pessoas deslocadas por causa da guerra. Vieram de Homs, de Aleppo, de Damasco. Vieram em fuga e em lágrimas. Todas estas famílias dependem da ajuda disponibilizada pela Fundação AIS. A equipa de Elias coordena a ajuda. Nada pode falhar. Há pessoas, muitas pessoas que dependem disso. Majd Jalhoum é irmã de Elias e, de certa forma, a secretária do Centro de São Pedro. A parte administrativa é com ela. Uma das suas missões é assegurar o aluguer das casas ou dos quartos onde vivem as famílias cristãs. Todos ali são desalojados. “Estas famílias perderam por completo as suas economias”, explica Majd. “Os poucos que conseguiram algum trabalho ganham apenas para a subsistência do dia-a-dia.” Tão importante quanto a casa ou a comida, é o acesso aos medicamentos. “A assistência médica e o pagamento dos remédios é outra das áreas do nosso trabalho”, diz ela, acrescentando que por ali, no Vale dos Cristãos, “não há hospitais públicos e os tratamentos, tal como os remédios, são muito caros…”

 

Rosto da Igreja

Outro dos onze magníficos é Issam Ahwesh. Issam tem 22 anos, estuda engenharia informática e conseguiu a proeza de, praticamente, não ter interrompido os estudos apesar da guerra. Este ano, se tudo correr bem, receberá o seu diploma. “A minha mãe ficaria muito feliz ao saber que finalmente vou licenciar-me. Infelizmente morreu uns anos antes da guerra ter começado.” Entre os onze jovens voluntários da AIS há greco-católicos, sírio-católicos e ortodoxos. São todos cristãos. Quando o trabalho chega ao fim, normalmente já ao princípio da noite, é costume, sempre que o tempo o permite, juntarem-se para jogar à bola. O futebol é para eles também uma paixão. Raha Mallouhi estuda economia em Homs e antes da guerra ter começado chegou a ser jogador federado no Al-Karama, que era então a melhor equipa de toda a Síria. Ali, no Vale dos Cristãos, ninguém tem dúvidas de que aqueles jovens são especiais. São voluntários da Fundação AIS, são o rosto da Igreja, estão ao serviço dos mais necessitados e são, seguramente, a melhor equipa de futebol do mundo…

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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