Domingo |
À procura da Palavra
De que é feito o amor?
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DOMINGO XXXI COMUM Ano B

“Qual é o primeiro de todos os mandamentos?”

Mc 12, 28b

 

Quando ouvimos pela primeira vez a palavra “amor”? E ela resumiu tudo o que ainda não tinha nome mas já enchia a nossa vida de graça e ternura? Palavra pequena para tal grandeza, e sem dúvida a primeira e mais importante. Não é verdade que começámos todos por ser amados antes de amar? Ainda que muito sofrimento possa ter rodeado a vinda de alguém a este mundo, no princípio está o amor. E como gostaríamos que estivesse sempre, até ao fim, bem entrelaçado com a vida de todos!


O começo é muito importante. Aprender o amor com os pais e com todos os que nos cuidam é também descobrir que não é fácil amar. Implica renunciar a ser o centro do universo, descobrir maior alegria em dar do que em receber, conhecer a grandeza de Deus que quer a nossa felicidade, e que só nos elevamos quando damos ao outro a primazia. No começo, na casa familiar, no exemplo dos pais, aprende-se a amar dizendo “por favor”, “desculpe”, e “obrigado”, como lembrou o Papa Francisco. Aprende-se com o trabalho e a responsabilidade, os erros e as lágrimas, os triunfos e o perdão, a dor e a festa. A grande diferença é o amor com que vivemos. 


Eram muitas as discussões entre os rabinos do tempo de Jesus sobre qual o maior mandamento da Lei de Deus. A leitura dos cinco primeiros livros, o Pentateuco, tinha chegado ao elenco de 613 mandamentos e preceitos! Terreno fértil para todos os “manipuladores de consciências” e “funcionários do sagrado” exercerem o seu poder, e atormentarem os homens com “fardos pesados”. O fariseu que interpela Jesus não lhe lança uma armadilha mas espera dele uma resposta luminosa. E é essa resposta que o deixa fascinado e “perto do Reino de Deus”. Jesus une o amor a Deus e ao próximo num único mandamento. E acrescenta no amor a Deus a “inteligência”, além do coração, da alma e das forças. Não se reduz o amor a um sentimento, a uma emoção violenta e fugaz, pois ele é também escolha livre, vontade que compromete. Ao entrelaçar os “dois amores” como sendo um só, cada um conferindo verdade ao outro, liberta-nos do perigo da mentira e da idolatria. Um amor a Deus sem amar os que Ele ama é uma mentira. Um amor ao próximo sem o elevar a Deus é uma idolatria.


Mais do que saber de que é feito o amor, o importante é como vivemos em amor. Se ele vale mais do que os sacrifícios e holocaustos, como respondeu o fariseu, recusando a religião aparente e contabilizada do Templo, é porque nos move e tudo move para a felicidade maior. E não é semelhante todo o amor, como S. Paulo canta na primeira Carta aos Coríntios? “Ainda que eu…[…] se não tiver amor, nada sou. […]. O amor é paciente…[…] O amor jamais passará. […]… a maior de todas é o amor.” (1 Cor 1-13)

À procura da Palavra, com o P. Vítor Gonçalves (ilustração por Tomás Reis)
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