Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Felizes os que conservam o Matrimónio
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Estive ausente do país, por uns dias, mas apesar da distância não deixei de estar próximo dos acontecimentos, até porque, hoje em dia, as tecnologias vencem todas as distâncias. A informação chega a todo o lado e, sobretudo, através da internet, podemos acompanhar, mesmo ao longe, o que acontece a milhares de quilómetros de distância. Quando a tecnologia contribui para o bem, há que agradecer.

Foi, assim, à distância, que pude ir acompanhando, em alguns momentos, a realização do Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora, realizado no Santuário de Fátima, entre os dias 16 e 21 de julho. Um encontro que reuniu cerca de quatro mil casais, provenientes de 75 países, de vários continentes, casais que, com toda a certeza, não têm vidas perfeitas. No entanto, predispõem-se a fazer caminho de fé com outros casais, numa atitude de partilha, de confiança, de disponibilidade para caminhar, mas, sobretudo, melhorar. Melhorar na relação familiar, na entrega, na dedicação ao outro, na vivência do amor conjugal.

Serão esses casais melhores que os outros? Não! Também eles têm problemas, dificuldades, crises e, por vezes, também chegam à separação. No entanto, esta vivência das dificuldades tem o apoio de uma Equipa de casais, em retaguarda. Isto é, é importante que na vida não queiramos fazer o nosso caminho a sós, mesmo o familiar, mas sejamos capazes de pedir ajuda quando é preciso e de nos deixarmos ajudar para encontrar respostas, soluções ou simplesmente orientações para um discernimento.

Na conferência final deste Encontro Internacional, o Cardeal-Patriarca de Lisboa lembrou que “a frequência dos divórcios é mais sintoma do que causa, uma vez que deriva frequentemente de uniões pouco ou nada preparadas”. Significa isto que é preciso apoiar mais a preparação das uniões, e que nós, enquanto Igreja, precisamos ajudar mais à consciência do namoro e da responsabilidade da vida em casal, mas, sobretudo, do maior esclarecimento sobre o que significa ser Sinal, isto é ser Sacramento um para o outro.

Não podemos entender o querer defender a aliança celebrada como uma atitude conservadora. Há muitas situações dramáticas que levam à separação de um casal, e nesses casos precisamos de respeitar, em primeiro lugar, a dignidade da pessoa. Mas, por outro lado, também se percebe que em muitas situações não há consciência plena do que significa ‘fazer-se um’. Desiste-se facilmente e coloca-se de lado uma relação, uma vida, como se de uma peça de roupa usada se tratasse. Há casos e casos, mas felizes são, por isso, os que, mesmo com dificuldade, conservam o seu Matrimónio, porque vivem e testemunham o que significa o Amor.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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