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Síria: Hospital solidário no Vale dos Cristãos com o apoio da AIS
Salvar vidas em Mzeina
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As portas do Hospital Mzeina, no chamado Vale dos Cristãos, estão sempre abertas. Ali, graças ao apoio da Fundação AIS, todos são atendidos. Mesmo os que, por causa da guerra, mal tenham dinheiro para comprar a comida do dia-a-dia. Talvez por isso, a palavra “obrigado” seja das mais escutadas nos corredores deste hospital…

 

Mzeina, uma pequena vila situada no Vale dos Cristãos, na Síria, perto da fronteira com o Líbano, é conhecida por causa do hospital. Em toda a região não há um único hospital público. Os mais próximos, situados em Homs ou Tartus, obrigam a longas viagens de automóvel por causa dos vários controles de segurança do exército. Apesar de a Síria viver tempos menos conturbados, a guerra é um fantasma sempre presente no dia-a-dia das populações. A vila de Mzeina é conhecida porque o hospital, através do trabalho desenvolvido localmente pelo Saint Peter Center (Centro de Ajuda São Pedro), da Igreja Católica Melquita, tem realizado um trabalho excepcional junto das populações mais fragilizadas, junto dos mais pobres, dos que precisando de cuidados médicos não têm recursos financeiros para os pagar. Mas ali, no Hospital de Mzeina, graças à Igreja, isso não importa.

 

“Muito obrigado…”

Najwa Arabi foi operada ao estômago. Ainda está internada. Ela é um exemplo do esforço solidário que é prestado neste hospital no Vale dos Cristãos. Sem dinheiro para pagar a operação, Najwa foi apoiada pelo Centro de Ajuda São Pedro, cujo trabalho é coordenado por Elías Jahloum. Maryam Hourani também não sabia como tratar do seu filho, Janadios, com pouco mais de 1 ano de idade, afectado gravemente com uma bronquite. “Ele estava muito doente, mal conseguia respirar”, explica. Era preciso levá-lo imediatamente ao hospital. “Entrámos em contacto com Elías e ele garantiu que o Centro pagaria todas as despesas. Só posso dizer muito obrigado.” Tal como Maryam, também Shasha Khoury foi apoiada pelo Centro de Ajuda São Pedro e, tal como Maryam, também Shasha diz “muito obrigado” à equipa de Elías. Operada com sucesso a um tumor nos seios, Shasha Khoury explica, a sorrir, que está grávida de 5 meses. “É um menino e vai chamar-se Fayez, que significa ‘vencedor’.”

 

Laços fortes

“As pessoas vêm ter connosco pedindo ajuda, pois nos outros hospitais não conseguem receber tratamento porque não têm dinheiro”, diz Toni Tannous, chefe da equipa de fisioterapia. A guerra destruiu a economia do país, mas criou também laços fortes de solidariedade. Tannaus conheceu a violência dos combates e teve mesmo de fugir de Homs, onde morava, por causa da guerra. Agora, vive em Mzeina e trabalha no hospital. “Todos nós sentimos a responsabilidade de ajudar da melhor maneira que pudermos.” Sam Abboud é médico e director do hospital. Especialista em ouvidos, nariz e garganta, lançou um programa especial gratuito para crianças e jovens com problemas de audição, uma das consequências dos anos de guerra. “Muitos dos problemas são causados pelo barulho das explosões”, afirma, explicando as inúmeras dificuldades que têm de enfrentar no hospital por causa da falta de equipamentos, dos constantes cortes de energia e até de medicamentos.

 

Portas abertas

Apesar de a situação ter melhorado nos últimos meses, há um sentimento forte de impotência perante as inúmeras pessoas que precisam de ajuda e a enorme escassez de meios ao dispor dos médicos… No entanto, graças à ajuda prestada através da generosidade dos benfeitores da Fundação AIS –  que sustenta directamente o Centro de Ajuda São Pedro –, o Hospital de Mzeina tem sempre as portas abertas, mesmo a quem não possa pagar os tratamentos, as operações, as simples consultas médicas. Ao todo, mais de 4 mil pessoas são apoiadas no Vale dos Cristãos, na Síria. Quando Elías Jahloum passou pela enfermaria onde Najwa Arabi recuperava da operação ao estômago, ela chamou-o para lhe agradecer toda a ajuda e todo o apoio prestado pela Fundação AIS.” Todos os dias damos graças a Deus pela ajuda que recebemos”, disse. De facto, ‘obrigado’ é a palavra que mais se escuta no Hospital de Mzeina. E tudo, graças à solidariedade da Igreja, à generosidade dos benfeitores da Fundação AIS para com as populações do Vale dos Cristãos na Síria.

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