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Papa repudia ‘fake news’ e apela a um “jornalismo de paz”
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O Vaticano divulgou a mensagem do Papa para o Dia das Comunicações Sociais. Na semana em que recordou a viagem ao Chile e Peru, o Papa lembrou o “sofrimento de milhões” e apelou à atribuição de um estatuto especial para Jerusalém.

 

1. O Papa Francisco dedica a mensagem para o Dia das Comunicações Sociais, que este ano vai ser assinalado dia 13 de maio, às ‘fake news’ (notícias falsas). “Hoje, no contexto duma comunicação cada vez mais rápida e dentro dum sistema digital, assistimos ao fenómeno das notícias falsas, as chamadas ‘fake news’”, lê-se na mensagem, intitulada ‘«A verdade vos tornará livres» (Jo 8, 32). Fake news e jornalismo de paz’, que foi divulgada pelo Vaticano no passado dia 24 de janeiro, dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas. Francisco diz que pretende, com a mensagem deste ano, “contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade”.

Lembrando que as ‘fake news’ se tornam “frequentemente virais”, o Papa diz que “ninguém se pode eximir da responsabilidade de contrastar estas falsidades”. “As notícias falsas revelam a presença de atitudes simultaneamente intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de se dilatar a arrogância e o ódio. É a isto que leva, em última análise, à falsidade”, escreve ainda Francisco, para quem “nenhuma desinformação é inofensiva”. Muitas vezes, a divulgação das ‘fake news’ pode “visar objetivos prefixados, influenciar opiniões políticas e favorecer lucros económicos”.

Para o Papa, “a paz é a verdadeira notícia”. Neste sentido, a mensagem termina apelando a um “jornalismo de paz”. Não se trata de “um jornalismo ‘bonzinho’”, diz Francisco, mas “um jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas”, feito “por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo, são a maioria – que não têm voz”. “Um jornalismo que não se limite a queimar notícias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, para favorecer a sua compreensão das raízes e a sua superação através do aviamento de processos virtuosos; um jornalismo empenhado a indicar soluções alternativas à escalada do clamor e da violência verbal”, acrescenta ainda o Papa Francisco.

 

2. O Papa Francisco recordou, na audiência-geral de quarta-feira, 24 de maio, a recente viagem à América Latina. “Durante a viagem apostólica ao Chile e ao Peru, pude encontrar o Povo de Deus que caminha naquelas terras. Começando pelo Chile, sob o lema ‘Dou-vos a minha paz’, animei a sociedade chilena no caminho da democracia, escutando os pobres, jovens, idosos e imigrantes. E, na primeira celebração eucarística, a Palavra de Deus nos lembrou que são chamados bem-aventurados aqueles que promovem a paz, algo que exige um testemunho de proximidade e partilha, sobretudo com os marginalizados. Como testemunho de proximidade, fui encontrar as reclusas da prisão feminina de Santiago. Já na visita ao Peru, inspirada pelo lema ‘Unidos pela esperança’, afirmei que a unidade não significa uniformidade, mas o reconhecimento da riqueza das diferenças que herdamos da história e da cultura, como é o caso dos povos da Amazónia peruana que tive a alegria de encontrar, iniciando o caminho para o Sínodo Pan-amazónico do ano de 2019. Na Missa final em Lima, a palavra de Deus nos confirmou que a conversão e a fidelidade ao Evangelho são os caminhos para permanecer unidos pela esperança e viver na paz do Senhor”, lembrou o Papa.

 

3. Depois de quatro dias no Chile, o Papa chegou ao Peru na noite de quinta-feira, 18 de janeiro. No dia seguinte, Francisco encorajou os habitantes da Amazónia a unirem-se contra a tentação da avareza e do dinheiro, que comparou com falsos ídolos. Lembrando que muitas pessoas se mudam para a Amazónia em busca de uma vida melhor, o Papa disse que em vários casos foram movidos pelo “brilho promissor da extração do ouro”. “Mas o ouro pode-se tornar num falso deus, que pretende sacrifícios humanos”, alertou, pedindo aos jovens para não se conformarem com a destruição da Amazónia. Ainda neste dia, num encontro com as autoridades, sociedade civil e corpo diplomático, que decorreu no Palácio do Governo do Peru, em Lima, o Papa falou da corrupção como um “vírus social” que tudo infecta e é preciso combater.

Sábado, dia 20 de janeiro, perante milhares de pessoas numa celebração mariana, na cidade de Trujillo, Francisco pediu legislação que proteja as mulheres, enquanto no Domingo, último dia da visita, na homilia da Missa na base aérea de Las Palmas, no Peru, perante mais de um milhão de pessoas, desafiou todos a não fugirem dos que nada têm, sobretudo nas cidades, em que os cidadãos não podem ser considerados “resíduos urbanos”. O Papa terminou a viagem ao Peru apelando à população, especialmente aos mais jovens: “Não vos desenraizeis”.

 

4. O Papa exortou os líderes políticos e financeiros, reunidos terça-feira, 17 de janeiro, no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, a criarem condições para “a construção de sociedades mais inclusivas, justas e solidárias”. Numa mensagem divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, Francisco salienta que “o mundo não pode continuar silencioso diante do sofrimento de milhões de pessoas feridas na sua dignidade, nem pode continuar a seguir em frente como se os dramas da pobreza ou da injustiça não existissem”. O Papa alerta para as consequências sociais que resultam de um “estilo de vida egoísta” ou baseado na “opulência” e incentiva os empreendedores internacionais presentes em Davos a contrariarem a atual cultura do “descartável” e da “indiferença”, colocando o seu potencial económico ao serviço da “criação” de alternativas para as pessoas, sejam elas na forma de “mais emprego” ou de “leis laborais mais justas”.

 

5. Numa mensagem endereçada ao imã da Universidade de Al-Azhar, o Papa realça a importância de Jerusalém ser uma cidade onde cristãos, judeus e muçulmanos possam rezar lado-a-lado. Na missiva, partilhada pelo serviço informativo do Vaticano, Francisco reforça a “necessidade urgente de reavivar o diálogo entre Israel e a Palestina rumo à paz” e sublinha que “não vai deixar de reiterar” a importância das negociações de paz entre os dois lados, em ordem a “uma coexistência pacífica entre dois Estados com fronteiras devidamente reconhecidas”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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