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Congregação do Espírito Santo (Espiritanos) celebra 150 anos em Portugal
Sentir a missão como vocação
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Chegou a Portugal em 1867, vinda de Angola, e desde então tem-se dedicado sobretudo à animação missionária. A Congregação do Espírito Santo (Espiritanos) celebra 150 anos em Portugal e procura “ajudar a Igreja portuguesa a sentir a missão como fazendo parte da sua vocação cristã”, segundo o provincial.

 

O Cardeal-Patriarca de Lisboa agradeceu a presença da Congregação do Espírito Santo no nosso país. “Dêmos muitas graças a Deus pela presença Espiritana em Portugal, e de outras congregações congéneres, e, com todos, que o Espírito trabalhe e nos ilumine e nos esclareça, porque estamos no limiar de uma grande novidade, que não descortinamos como seja mas sabemos como há-de ser. Como há-de ser por dentro, como há-de ser no Espírito, como há-de ser segundo Deus. Há um Jesus Cristo que está aqui, que está lá, que nos espera a todos e que só no movimento do seu Espírito se encontra e se reencontra, e cada vez mais”, referiu D Manuel Clemente, na homilia da celebração que marcou os 150 anos da presença dos Espiritanos em Portugal e que decorreu, no passado dia 4 de junho, na capela da Torre d’Aguilha, em São Domingos de Rana, Cascais.

Em Domingos de Pentecostes, o Cardeal-Patriarca garantiu que o Espírito Santo, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, nunca vai parar. “Depois de 50 dias da Páscoa, houve o Pentecostes. Os apóstolos estavam reunidos e como se fosse um vento, como se fosse um fogo, o Espírito de Deus, que Jesus Cristo lhes tinha oferecido, estava ali em cheio e nunca mais os deixou quietos, nunca mais os deixou parar. O próprio Jesus tinha falado de um fogo, ao dizer: ‘Vim trazer um fogo à terra e não descanso enquanto ele não se ateie e não alastre’. É o fogo que lhe ia no coração, que é esse Espírito que O une ao Pai e que transborda para todos como o vento. É a vida de Deus que circula entre Jesus e o Pai e agora transborda para todos e nunca mais parará”, afirmou.

 

Vocação comunitária e de serviço

Cada congregação religiosa tem o seu carisma, que é, segundo D. Manuel Clemente, “distribuído pelo Espírito Santo”. “A palavra carisma significa a graça e o dom que o Espírito confere a cada um, a cada qual, para a edificação do Corpo de Cristo. Não é para si, é para edificação deste grande Corpo que Cristo Ressuscitado vai formando, de geração em geração, de continente em continente, e que há-de continuar a formar, não em quantidade mas em profundidade”, assinalou. Neste sentido, o Cardeal-Patriarca recordou também o fundador da Congregação do Espírito Santo, Claude-François Poullart des Places. “Há uns três séculos atrás, na transição do século XVII para o século XVIII, um tal de Poullart des Places, em Paris, e já com uma vocação apostólica, este menino rico – que entretanto descobriu outra riqueza – viu que havia muitos estudantes pobres, vindos da província, e encontrou aí o seu carisma e a sua vocação quando fundou a Congregação do Espírito Santo. Era preciso que aqueles jovens fossem formados para serem verdadeiros padres, verdadeiros apóstolos. E que, em conjunto, em comunidade, crescessem assim e, depois, estivessem disponíveis para todas as tarefas e para aquilo que fosse mais importante fazer – era muito isso o sentido daquela vocação e chamamento”, recordou.

Esta “vocação comunitária e de serviço – e de serviço pastoral, porque era para o sacerdócio que ali se formavam –”, de acordo com o Cardeal-Patriarca, “está na origem da Congregação do Espírito Santo”. “Duas, três gerações depois começava a vocação ultramarina da congregação, de anúncio àqueles que ainda não conheciam Jesus Cristo e a quem era preciso anunciá-l’O. Era preciso atravessar os mares para chegar a esses infiéis e que importante que foi, porque quando veio a revolução francesa, no final do século XVIII, e com as grandes limitações que a Igreja em França sofreu, no início do século XIX, ganhou muito com a experiência ultramarina que entretanto se fizera”, assinalou.

 

Ardor

Em meados do século XIX, o padre François Libermann, “um homem que teve África no coração”, passou a ser considerado o ‘segundo fundador’ da congregação. “África não é por acaso. Porque, nessa altura, era urgente e era possível a missão em África. O continente africano é o mais próximo de nós, europeus, então, porque foi o último a arrancar na evangelização?”, questionou. “Entre outras razões, por duas muito negativas: a escravatura, de que muitos europeus se aproveitavam e muitos africanos eram cúmplices, que foi a grande limitação para a missão em África; e o facto de o europeu não se aguentar em África – que o dissessem os primeiros Espiritanos, que iam para lá e morriam”, respondeu D. Manuel Clemente, sublinhando que, anos mais tarde, “África soou a grande terra de missão e a um grande apelo missionário aos europeus”.

O Cardeal-Patriarca destacou ainda a importância dos Espiritanos na evangelização do século XX, a “nova evangelização”, como chamava São João Paulo II. “A nova evangelização que tem de ser nova no ardor – e no hino dos 150 anos da Congregação do Espírito Santo está lá, muito bem, essa palavra ardor –, nos novos métodos e nas expressões. E que importância, para esta nova evangelização, mesmo na Europa, tiveram os Espiritanos”, apontou.

 

Aquilo que Deus quer

Antes da Eucaristia, na conferência ‘Espiritanos em Portugal – 150 anos de Missão’, o superior provincial da Congregação do Espírito Santo, padre Tony Neves, lembrou que os Espiritanos estão “no norte, no centro, no sul, no litoral e no interior de Portugal”. Efetivamente, são 11 as comunidades espiritanas no nosso país: Viana do Castelo, Silva – Braga, Fraião – Braga, Porto, Godim – Régua, Coimbra, Fundão, São Domingos de Rana – Cascais, Lisboa, Mértola e São Brás de Alportel.

Sobre os compromissos em Portugal, este sacerdote destacou a “animação missionária” – “ajudar a Igreja portuguesa a sentir a missão como fazendo parte da sua vocação cristã” –, a “justiça e paz”, as “paróquias” – em cinco dioceses: Vila Real (Godim, Fontelas, Oliveira e Loureiro), Braga (Nogueira), Lisboa (Abóboda e Tires), Beja (Mértola e as restantes nove paróquias do concelho) e Algarve (São Brás de Alportel e Santa Catarina da Fonte do Bispo) – e a “formação e pastoral vocacional”. O padre Tony Neves destacou igualmente toda a Família Espiritana: padres e irmãos, Irmãs Espiritanas, leigos associados, fraternidades, LIAM (Liga Intensificadora da Ação Missionária), JSF (Jovens Sem Fronteiras), MOMIP (Movimento Missionário de Professores) e ASES (Antigos Seminaristas do Espírito Santo). “O Pentecostes é o tempo oportuno para pedirmos que o futuro da missão Espiritana seja aquilo que Deus quer e que sejamos inspirados e empurrados pelo Espírito Santo”, terminou o superior provincial dos Espiritanos, padre Tony Neves.

 

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“Missão sem fronteiras”

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) agradeceu, através de uma nota pastoral, a missão da Congregação do Espírito Santo no nosso país. “Queremos reconhecer e agradecer os 150 anos de presença missionária dos Espiritanos em Portugal, recordando o precioso contributo para a missão da Igreja, especialmente no nosso país e a partir dele”, refere o documento. Publicada em novembro passado, aquando da Assembleia Plenária da CEP, a nota pastoral começa por lembrar as origens desta congregação, a presença em Angola e a chegada a Portugal. “Os Espiritanos contribuíram para a cultura na sociedade portuguesa, sobretudo com obras publicadas nos âmbitos da história, da etnologia, da linguística, da antropologia, da teologia e da pastoral missionária”, assinala o documento, referindo que, “inseridos na Igreja local, sobretudo pela animação missionária e vocacional, os Espiritanos têm passado pela maioria das paróquias do país, mesmo nos lugares mais interiores e insulares”. “Hoje, asseguram a animação em diversas dioceses, colaboram em diversos eclesiais, formam grupos de jovens no espírito missionário, investem na comunicação, colaboram em capelanias hospitalares e prisionais, apoiam imigrantes e refugiados”, aponta a nota pastoral, terminando: “A vida dos Espiritanos em Portugal é uma história de missão e comunhão, a alargar horizontes, a pôr o coração a bater ao ritmo das preocupações missionárias da Igreja”.

 

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Missão, Comunidade

O superior geral da Congregação do Espírito Santo, padre John Fogarty, congratulou-se com os membros da família espiritana em Portugal pelos 150 anos de missão no nosso país. “A Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo celebra, no ano de 2017, os 150 anos de fundação, o que acontece um ano depois dos primeiros missionários espiritanos franceses terem sido enviados para Angola, em 1866. A urgência da evangelização e a falta de missionários estão assim na origem da Congregação em Portugal. A Missão é o motivo principal e a força dinamizadora que ao longo destes 150 anos ergueu seminários, formou centenas de missionários para enviar pelo mundo, entusiasmou milhares de leigos com a missão ad gentes, suscitou iniciativas de solidariedade e comunhão. Por isso, em nome da Congregação, congratulo-me com todos vós, membros da família espiritana em Portugal, pela herança que recebestes, carregada de tanta entrega e abnegação, e cuja vida e missão fazem parte das mais belas páginas da história da nossa Congregação missionária”, escreveu, numa mensagem, o sacerdote irlandês.

 

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150 anos em Missão

O superior provincial dos Espiritanos, padre Tony Neves, lembrou, numa mensagem, que “após a independência de Angola, os Espiritanos portugueses chegaram a todos os continentes e por lá vão semeando a boa notícia do Evangelho e o respeito pela dignidade e direitos humanos”. “Portugal reconhece nos Missionários Espiritanos uma Congregação que deu e dá muito de si lá fora e cá dentro. Como defendeu o Papa Francisco ao lançar o Ano da Vida Consagrada (2015-2016), é preciso fazer uma memória agradecida do passado, viver o presente com paixão e construir o futuro com esperança”, assinalou este sacerdote. 

 

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Durante o Pentecostes Jubilar dos Espiritanos, foi descerrado um Azulejo Memorial, da artista Dina Figueiredo, que está situado no átrio de entrada do Seminário da Torre d’Aguilha e que perpetua os 150 anos da missão Espiritana em Portugal. O descerrar do pano foi feito por D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa, e pelo vereador da Câmara Municipal de Cascais Nuno Piteira Lopes, juntamente com o provincial dos Espiritanos, padre Tony Neves.

 

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Os Espiritanos em Portugal assinalaram o aniversário (1867-2017) da chegada ao nosso país com a publicação de um vídeo sobre os 150 anos da sua missão em Portugal. O vídeo está disponível no endereço http://bit.ly/espiritanos-150anos.

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