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Padre José da Silva Vieira, Superior Provincial dos Missionários Combonianos
“Aprendi a rezar de maneira diferente!”
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O padre José da Silva Vieira nasceu em Cinfães, a 4 de fevereiro de 1960. Licenciado em Teologia Bíblica, é sacerdote desde o dia 19 de Junho de 1987. Já realizou o seu serviço missionário em Portugal, na Etiópia e no Sudão do Sul onde permaneceu por alguns anos. Atualmente é o Superior Provincial dos Missionários Combonianos.

 

Fez os seus estudos em Cinfães, no Seminário da Maia, no liceu da Maia, no Seminário de Coimbra e no liceu de Vila Nova de Famalicão. Fez dois anos de Filosofia no ISET de Coimbra, o noviciado em Santarém e o curso de Teologia em Londres no Missionary Institute London (MIL). Licenciou-se em Teologia Bíblica e fez alguns cursos práticos de jornalismo organizados pela Missão Press em colaboração com o CENJOR.  Fez a sua primeira profissão religiosa em Santarém em 1981 e a sua profissão perpétua em Vila Nova de Famalicão em 1986. Foi ordenado sacerdote em 1987 em Cinfães. Sobre a sua caminhada cristã diz-nos que partiu para “pescar” e acabou por ser “pescado”: “A missão tem sido uma experiência de fé e de partilha do sentido de Deus. Como missionário fui chamado a anunciar a Boa-nova de Jesus e vivê-la com as pessoas da comunidade humana e cristã. Mas também aprendi o Evangelho com elas. Aprendi a rezar de maneira diferente!” Quando terminou o 9º ano, os seus pais queriam que entrasse no Seminário Diocesano de Lamego. No entanto, não aceitou e diz-nos porquê: “Estava certo da minha vocação missionária Comboniana e por outro lado não queria viver sozinho numa residência paroquial. Preciso de gente para viver, para partilhar a vida. Não aceitei: ou comboniano ou caso-me! Ficaram zangados mas aceitaram a minha decisão.” Nos dois anos de filosofia consolidou a sua opção, nos dois anos de noviciado cimentou a sua relação com Deus, com Daniel Comboni e com o Instituto. “Aprendi a rezar a Bíblia. Durante alguns tremeliques vocacionais o padre mestre confirmou o meu chamamento como genuíno, o que me deu uma segurança bastante grande para o futuro. Gostei da combinação do estudo, oração, trabalho e animação missionária do noviciado”, partilha. Quando terminou os quatro anos de teologia foi trabalhar para a redação da Revista Audácia, em Lisboa. Foi «tarefeiro» no bairro do Prior Velho, na paróquia de Sacavém. Começou como diácono e quando o padre José Almeida foi para Roma, assistia a comunidade com a missa dominical.

 

A missão na Etiópia e no Sudão do Sul

Em janeiro de 1993 chegou à Etiópia onde permaneceu até setembro de 2000 e conta-nos: “O meu sonho era trabalhar no Sudão, influenciado por um formador em Londres. A minha ida para lá estava mais ou menos assente até que a nova administração geral me mandou para a Etiópia, esse país desconhecido mas com uma forte presença histórica portuguesa. Os primeiros meses foram duros: a língua era complicada e o meu corpo não gostava nada de viver a 2300 metros de altitude. Na primeira vigília pascal que celebrei marcou-me o nome novo que Abraão deu à colina onde era suposto imolar o filho: Deus provê! Foi esse o sentimento que me acompanhou nos tempos mais exigentes da iniciação ao serviço missionário: Deus provê.” Em Haro Wato foi diretor da escola da 5ª à 8ª classe e no início de cada ano “tinha que lutar com os mais velhos para deixarem vir as meninas à escola. Os anciãos temiam que a escola fosse um espaço de prostituição.” A situação foi mudando e em 2010 quando visitou Haro Wato as alunas eram mais numerosas que os alunos. Uma vez que as Irmãs Combonianas ainda não tinham comunidade por lá, ajudou as pessoas com pequenos cuidados de saúde e era chamado de “abba chidessa – o padre curandeiro.” Sobre esta experiência partilha: “Para mim os oito anos de serviço missionário entre os gujis foi uma experiência de fraternidade à volta de Jesus. Reaprendi a viver devagar, em comunhão com os ciclos da vida, a partilhar das alegrias e tristezas das pessoas (atendendo nascimentos, casamentos, momentos importantes da vida da aldeia onde vida, funerais), voltei a escrever poemas e a viver feliz com o que tinha – que era o que me fazia realmente falta. Na despedida, agradeceram-me ter aprendido a língua e ter caminhado com e como eles.” Depois da Etiópia passou nove meses no México num curso de formação permanente e foi uma experiência deveras contrastantes com a realidade da Etiópia. Em 2010 voltou a Portugal para a redação da Revista Audácia e depois tornou-se diretor da Além-Mar e da Audácia. Quando se preparava para regressar à Etiópia foi surpreendido e os superiores convidaram-no a ir para o sul do Sudão “para integrar uma equipa que ia pôr no ar uma rede de rádios para celebrar a canonização de Daniel Comboni, em 2003”. Diz que foi “mais jornalista que missionário” durante os sete anos que viveu no país mais jovem do mundo e diz-nos: “Fazia parte de uma equipa de duas Combonianas do México e Itália e um irmão Comboniano da Espanha e com muita gente local. O desafio era enorme: pôr no ar nove rádios, uma redação e uma coordenação central numa situação marcada pela falta de preparação escolar e técnica e muitos desafios tecnológicos. Conseguimos! Além de cobrir eventos em Juba e editar as notícias, também fiz muita formação na capital e nas regiões. Se os jornalistas das rádios da cadeia escrevessem bem as notícias diminuíam o nosso trabalho de edição. A última estação que visitei foi a Voz da Paz nos Montes Nubas em junho de 2013. A estação está em território sudanês controlado por rebeldes afetos ao governo de Juba. A viagem da fronteira até Guidel levou oito horas com os olhos no céu à procura de caças da força aérea que bombardeiam a área desde 2011. Durante a semana que lá passei fui testemunha de dois ataques dos MIGs à cidade mais próxima de Guidel. No domingo, quando íamos de jipe celebrar a uma capela, tivemos que nos esconder debaixo de uns embondeiros porque os aviões pairavam por cima de nós quais falcões à espreita de caça. Os radialistas decidiram manter a estação a funcionar apesar da guerra para fazerem companhia às pessoas e passar informação importante sobre as zonas inseguras.” Diz-nos que esta experiência pastoral foi “muito rica” e que “era tão bonito celebrar com as pessoas em capelas modestas ou debaixo de um nim ou de um pé de manga. A energia que punham na celebração (desde o dançar e cantar até ao rezar) era imensa: o suor escorria pela cara das pessoas mas não abrandavam. Essas celebrações longas e lindas tinham a graça de me energizar.” Terminado em 2013 o contrato da família comboniana com a conferência episcopal sobre a gestão da Rede de Rádios Católica encontrou um jornalista local para assumir o seu trabalho como diretor de informação e contratou os colaboradores necessários. Quando se preparava para regressar à Etiópia, foi eleito Superior Provincial de Portugal: “Um serviço que nunca me tinha passado pela cabeça nem nos sonhos mais extravagantes. É isso que agora faço, esta é a minha maneira de ser missionário aqui e agora: coordeno as atividades dos 40 Combonianos nas sete comunidades no país com a ajuda do Conselho Provincial. E colaborando em algumas iniciativas relacionadas com a missão, a animação missionária e a vida consagrada. E sou feliz!”

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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