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Papa defende fim dos “muros e barreiras” aos refugiados
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O Papa Francisco pediu o fim dos “muros e barreiras”. Na semana em que o Vaticano proibiu a dispersão das cinzas de defuntos, o Papa recebeu o Presidente da Venezuela, fez-se próximo da população do Iraque e evocou a herança de João Paulo II.

 

1. O Papa Francisco defendeu, no Vaticano, o fim dos “muros e barreiras” que impedem o acolhimento de migrantes e refugiados. Foi na audiência-geral de quarta-feira, 26 de outubro, onde deixou alertas contra o tráfico de pessoas. “Nalgumas partes do mundo surgem muros e barreiras. Parece, por vezes, que o trabalho silencioso de muitos homens e mulheres que, de várias formas, se desdobram para ajudar e assistir os refugiados e migrantes, é obscurecido pelo barulho de outros que dão voz a um egoísmo instintivo”, salientou o Papa, na Praça de São Pedro, sustentando que ficar fechados “não é uma solução”, promovendo, pelo contrário, os “tráficos criminosos”. “A única resposta é a da solidariedade”, apontou.

 

2. A cremação não é proibida, mas a Igreja Católica prefere a sepultura. A Santa Sé publicou, esta terça-feira, 25 de outubro, a instrução ‘Ad resurgendum cum Christo’ a propósito da sepultura dos defuntos e da conservação das cinzas da cremação, no qual esclarece que “as cinzas do defunto devem ser conservadas num lugar sagrado – no cemitério, numa igreja ou num lugar especialmente dedicado a esse fim determinado pela autoridade eclesiástica”. O texto, da Congregação para a Doutrina da Fé, coloca também como proibida a conservação das cinzas em casa e a sua dispersão no ar, na terra, na água ou em qualquer outro lugar.

De acordo com o documento agora publicado, a Igreja continua a preferir a sepultura dos corpos, uma vez que assim se evidencia uma estima maior pelos defuntos. Todavia, a cremação não é proibida, “a não ser que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina cristã”. A conservação das cinzas num lugar sagrado, lê-se no documento, “pode contribuir para que não se corra o risco de afastar os defuntos da oração e da recordação dos parentes e da comunidade cristã”. “Por outro lado”, continua a instrução, “deste modo, evita-se a possibilidade de esquecimento ou falta de respeito que podem acontecer, sobretudo depois de passar a primeira geração, ou então cair em práticas inconvenientes ou supersticiosas”. Pelos motivos mencionados, a conservação das cinzas em casa não é consentida. Em casos de circunstâncias gravosas e excecionais, “dependendo das condições culturais de carácter local, o Ordinário, de acordo com a Conferência Episcopal ou o Sínodo dos Bispos das Igrejas Orientais, poderá autorizar a conservação das cinzas em casa”.

O Vaticano informa ainda que “as cinzas não podem ser dividias entre os vários núcleos familiares e ser sempre assegurado o respeito e as adequadas condições de conservação das mesmas”. Exclui-se ainda “a conservação das cinzas cremadas sob a forma de recordação comemorativa em peças de joalharia ou em outros objetos, tendo presente que para tal modo de proceder não podem ser adotadas razões de ordem higiénica, social ou económica a motivar a escolha da cremação”. No caso de o defunto ter claramente manifestado o desejo da cremação e a dispersão das mesmas na natureza por razões contrárias à fé cristã, “devem ser negadas as exéquias”, conclui o Vaticano.

Para os casos passados, o Vaticano aconselha a que se guarde um local de memória para que os fiéis possam orar e recordar o defunto. Dá mesmo o exemplo dos mortos em guerra que por vezes, pela circunstância de não poderem ser enterrados, são lembrados com um monumento ou placa.

 

3. O Papa Francisco recebeu esta segunda-feira, 24 de outubro, em audiência privada, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O encontro não tinha sido anunciado, nem era público que Maduro tinha viajado para a Europa, numa altura em que o seu país sofre um agravamento da profunda crise económica e política dos últimos anos. O comunicado da Santa Sé sublinha a difícil situação na Venezuela e diz que o Papa se ofereceu para ajudar a encontrar soluções de paz. “O Papa, que tem o bem de todos os venezuelanos no coração, quis continuar a oferecer o seu contributo a favor da estabilidade do país e de tudo o que possa contribuir para resolver as questões em aberto e criar confiança entre as partes”, lê-se. A Sala de Imprensa da Santa Sé diz ainda que Francisco convidou Maduro a percorrer “com coragem a via do diálogo sincero e construtivo, para aliviar o sofrimento do povo e dos pobres em primeiro lugar, e promover um clima de renovada coesão social que permita olhar para o futuro da nação com esperança”.

 

4. É de lágrimas nos olhos e sem palavras que o Papa recebe as notícias relativas ao sofrimento de civis inocentes no Iraque. Falando no final da oração do Angelus, do passado Domingo, em Roma, o Papa recordou a situação daquele país e deu garantias da sua solidariedade. “Nestas horas dramáticas, estou próximo de toda a população do Iraque, em particular da de Mossul. Os nossos ânimos estão abalados pelos ferozes atos de violência que há demasiado tempo se estão a cometer contra cidadãos inocentes, sejam muçulmanos, sejam cristãos, sejam de outras etnias e religiões. Doeu-me muito saber a notícia da morte, a sangue frio, de numerosos filhos daquela amada nação, incluindo muitas crianças. Estas notícias levam-nos às lágrimas e deixam-nos sem palavras”, garantiu Francisco, no Dia Mundial das Missões (23 de outubro), onde ressalvou a importância da missão: “Hoje é tempo de missão e é tempo de coragem! Coragem de reforçar os passos vacilantes, de recuperar o gosto de se gastar pelo Evangelho, de recuperar a confiança na força que a missão contém. É tempo de coragem, embora coragem não signifique garantia de sucesso”.

 

5. Numa audiência integrada no Jubileu da Misericórdia, no passado dia 22 de outubro, o Papa Francisco recordou o início do pontificado de João Paulo II. “Exatamente há 38 anos, quase a esta hora, nesta praça, ressoavam as palavras dirigidas a todos os homens de todo o mundo: ‘Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo’. João Paulo II pronunciou estas palavras no início do seu pontificado. Papa de profunda espiritualidade, plasmada da milenária herança da história e da cultura polacas – transmitidas através da fé, de geração em geração – esta herança era para ele fonte de esperança, força e coragem, com a qual exortava o mundo a abrir amplamente as portas a Cristo. Este convite tornou-se uma proclamação insistente do Evangelho da misericórdia para o mundo e para o homem, cuja continuação é este ano jubilar”, salientou o Papa Francisco.

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