Na era digital, qualquer um é um potencial porta-voz da sua instituição. Seja uma paróquia, diocese ou congregação. A comunicação da Igreja deixou de poder fazer-se de uma forma direccionada e intermediada, num contexto em que uma mensagem era cuidadosamente produzida e divulgada ao público através dos meios de comunicação social. Hoje, esbateram-se as barreiras entre público e privado e o ciclo das notícias morreu. Para o bem e para o mal.
A mensagem está na praça. E aquele que outrora era apenas consumidor de informação tornou-se ele próprio produtor de conteúdos. Basta estar numa rede social, colocar um post sobre o que quiser, (a Igreja, a sua paróquia…) e esperar que este ganhe vida própria e chegue a milhares de pessoas. Foi este o principal ensinamento do 10º Seminário Profissional para os Gabinetes de Comunicação da Igreja que reuniu, na semana passada, em Roma, mais de 350 especialistas de comunicação de todo o mundo, entre os quais duas dezenas de portugueses. Organizado pela Universidade Pontifícia da Santa Cruz, este encontro centrou-se nos principais desafios deste novo paradigma de comunicação. Pois se esta nova era promissora, por poder levar mais longe o Evangelho, faz-se também num clima de contínua gestão dos riscos. Pois a reputação é algo facilmente destruído. O segredo está na criação de uma cultura dentro da organização, capaz de envolver todos. E não em tentar controlar o que é produzido, algo impossível e inútil.
Comunicar não é apenas produzir conteúdos. É partilhar, e isso implica conhecer, cuidar da relação. Também nas redes sociais, a Igreja deve saber escutar as pessoas, sentir as dores e aspirações da sociedade. Mesmo nos momentos mais críticos, como tão bem exemplificou o director de comunicação de uma diocese escocesa cujo cardeal, suspeito de abusos sexuais, resignou uma semana antes do início do conclave. No facebook, a notícia foi como “dinamite” mas, afirmou Ronnie Convery, foi preciso deixar as pessoas expressarem aí a sua raiva e indignação.
O gabinete de comunicação deve ser, assim, um coração pulsante, sintonizado com quem governa, atento aos valores fundamentais. Mais do que técnico, deve ser cultural. A chave do sucesso, diz o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, está em dizer sempre a verdade.
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