Sínodo 2016 |
Simpósio sobre o Guião #3: ‘O anúncio do Evangelho’
“Sermos coerentes da Verdade que nos anima”
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“Repensar a dimensão do acolhimento nas paróquias” e “criar laços de família entre os cristãos” são dois desafios apontados pelos participantes da sessão no Estoril do Simpósio sobre o Guião #3: ‘O anúncio do Evangelho’, que decorreu no passado dia 20 de junho. Ao longo da manhã foi ainda destacada a necessidade de os cristãos darem “testemunho de vida” e serem “coerentes”.

 

Sentido de pertença à comunidade

“Ver o acolhimento como uma atitude e não como um serviço”. De acordo com os cristãos que participaram no Simpósio sobre o Guião #3 que decorreu no Estoril, as paróquias têm de prestar “muita atenção” à forma como é feito “tanto o acolhimento individual como o acolhimento em grupo”. Os participantes lembraram os testemunhos de cristãos que, por mudarem de residência, mudaram também de paróquia e que “nem sempre são bem aceites”, nem as paróquias “mostram abertura”. “É necessário vermos que nem todos somos iguais, as famílias são diferentes umas das outras, e as comunidades cristãs têm a responsabilidade de mostrar que os sacramentos na Igreja devem ser respeitados”, referiu uma leiga, sendo secundada por uma cristã que destacou a necessidade de “ajudar a integrar quem chega”. O padre Nuno Amador, que coordenou este encontro no Estoril, recordou, a este propósito, as duas palavras que D. Manuel Clemente deixou aquando da sua entrada solene como Patriarca de Lisboa, em 2013: “acolhimento e missão”. “São dois grandes desafios que ainda hoje se mantêm, nesta caminhada sinodal que a diocese está a fazer”, observou, concretizando: “Podemos pensar: ‘As nossas comunidades cristãs são acolhedoras?’, mas também devemos questionar: ‘Eu sou acolhedor?’”.

O Simpósio sobre o Guião #3, com o tema ‘O anúncio do Evangelho’, foi organizado pelo Instituto Diocesano da Formação Cristã (IDFC), do Patriarcado de Lisboa, e decorreu na manhã do passado sábado, em simultâneo, em quatro locais da diocese: Estoril (salão nobre da igreja paroquial), Lisboa (igreja do Coração de Jesus), Torres Vedras (centro pastoral) e Caldas da Rainha (auditório da igreja paroquial).

Procurando responder à questão ‘Que fazer para fortalecer em todos o sentido de pertença à comunidade (participação e corresponsabilidade)’, os participantes na sessão no Estoril sublinharam igualmente a necessidade de criar laços com os cristãos que estão mais afastados das comunidades cristãs. “Há paróquias onde as pessoas se conhecem e no final da celebração ficam a conversar, mas há muita gente que vai à Missa e que no final sai ‘automaticamente’. Sentem a Missa como uma ação dominical mas não a sentem como vivida em família. A Igreja é comunidade, é família e é importante transmitir isto, organizando também atividades que permitam a participação de todos, como uma festa, um lanche, um arraial”, exemplificaram. Para chegar aos que estão mais afastados da Igreja, deixaram uma sugestão: “Por que não levar para o nosso local de trabalho, ou para um jantar de amigos, o nosso boletim paroquial?”.

Ainda nesta questão, foi refletida a urgência de “os cristãos terem claro o seu papel no meio do Povo de Deus” a que pertencem. Sublinhando “não ter percentagens científicas”, um dos participantes manifestou que “talvez 80% do Povo de Deus ‘serve-se’ da Igreja”, ou seja, “a Igreja é vista, por esses, como prestadora de serviços e não com um sentido comunitário”. “Àqueles que vêm ‘buscar o serviço’, há que dar mais do que o ‘serviço’. Fala-se muito nas periferias, mas esquecemos que a periferia pode começar em casa de cada um. Temos de ter a coragem de lançar o desafio: ‘vem, fica, participa’”, apontaram. Sobre esta questão, o padre Nuno Amador, que é vice-presidente do IDFC, vice-reitor do Seminário de São José de Caparide e diretor do Sector da Pastoral Universitária lembrou que “há pessoas que vêm ‘pedir’ coisas à Igreja mas que ainda nem sabem o que vêm pedir”. E exemplificou: “No meu grupo de Crismas universitários deste ano, uma rapariga disse-me que só queria ser confirmada para poder ser madrinha. Era a sua expetativa e nós não podemos dizer que está mal. Após este ano de formação, fizemos agora um dia de retiro, uma recoleção, e a rapariga ficou triste por ser um encontro só de um dia. Ou seja, queria mais, queria mais para a sua vida”.

Foi ainda realçada a urgência de “fortalecer vínculos entre as pessoas que integram os diversos grupos e movimentos paroquiais”. “Muitas vezes não há participação na comunidade porque esta é feita de pequenas comunidades, e muitas vezes cada um ‘trabalha’ por si. A pastoral poderia ser organizada por sectores, sem que nenhum perdesse a sua identidade”, sugeriram.

 

Animação bíblica da pastoral

Sobre ‘Que iniciativas concretas tomar para realizar uma animação bíblica da pastoral’, os participantes destacaram “a oração, os cursos bíblicos, a lectio divina e os momentos de meditação e reflexão”. “Falta uma boa divulgação destes grupos. A verdade é que somos sempre os mesmos a participar nas várias iniciativas. E a divulgação, nestes casos, começa no Pastor da comunidade. Os cristãos reúnem-se nas Missas dominicais, por isso, por que não, no final, o sacerdote fazer um verdadeiro anúncio, com entusiasmo e ‘calor’, de uma única atividade? As restantes iniciativas poderiam vir replicadas numa pagela”, apelaram.

Foi também salientado que “as laudes e as vésperas são momentos que as paróquias podiam procurar partilhar com quem passa pelas igrejas”. Um dos grupos participantes no plenário lembrou igualmente a necessidade de “os sites paroquiais publicarem o comentário à liturgia dominical, com pistas de reflexão”.

Sobre os momentos e ritos das Eucaristias foi questionada a possibilidade de explicar as várias partes da celebração. “Temos de ser realistas: a maior parte das pessoas não percebe os vários momentos. Devia-se refletir sobre a possibilidade de ir explicando e meditando, de uma forma que não fosse ‘maçadora’ nem aumentasse o tempo da celebração, as várias partes da Missa”.

Para chegar aos que estão mas afastados, “que não vão à Igreja e não procuram a Palavra de Deus”, o desafio é “ter em atenção os momentos do dia-a-dia que permitam falar de Deus”. “Não devemos ter vergonha de dizer que somos cristãos e que Cristo está presente na nossa vida, sempre”, alertaram.

 

Esperança

O “testemunho de vida”, com “coerência diante da Verdade”, junto “de todo o próximo” e o “falar aos homens de hoje com os meios de hoje, como dizia o fundador dos Paulistas”, são alguns dos desafios sobre como anunciar às gerações vindouras. “É muito importante a maneira como vivemos a esperança. Vale a pena ter esperança, porque acreditamos que o Senhor está sempre connosco”, apontaram os participantes da sessão no Estoril do Simpósio do Guião #3 do Sínodo Diocesano.

  

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As etapas da caminhada sinodal

 

Guião #1 / setembro a dezembro de 2014

“A transformação missionária da Igreja”

 

Guião #2 / janeiro a março de 2015

“Na crise do compromisso comunitário”

 

Guião #3 / abril a junho de 2015

“O anúncio do Evangelho”

 

Guião #4 / setembro a dezembro de 2015

“A dimensão social da evangelização”

 

Guião #5 / janeiro a março de 2016

“Evangelizadores com Espírito”

  

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Disponível o formulário para as respostas ao Guião #3

O formulário online para envio das respostas ao Guião de Leitura #3 (abril a junho de 2015), com o tema ‘O anúncio do Evangelho’, encontra-se disponível no site oficial do Sínodo Diocesano 2016, em http://sinodo2016.patriarcado-lisboa.pt. Mantém-se também disponível, para a recolha das respostas, individuais ou de grupo, o email oficial do Sínodo Diocesano 2016: sinodo2016@patriarcado-lisboa.pt.

As respostas enviadas são reunidas pela Comissão Preparatória para o Sínodo Diocesano com o objetivo de preparar o documento de trabalho – ‘Instrumentum laboris’ – que vai ser apresentado na Assembleia do Sínodo Diocesano, que se realiza em novembro de 2016.

  

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Oração oficial do Sínodo

 

Maria, Mãe da Igreja

ajudai-nos a dizer o nosso «sim».

Dai-nos a audácia de buscar novos caminhos

para que chegue a todos

o dom da beleza que não se apaga.

 

Virgem da escuta e da contemplação,

intercedei pela nossa Igreja de Lisboa,

em caminho sinodal,

para que nunca se feche nem se detenha

na sua paixão por instaurar o Reino.

 

Estrela da nova evangelização,

ajudai-nos a resplandecer

com o testemunho da comunhão,

do serviço, da fé ardente e generosa,

da justiça e do amor aos pobres,

para que a alegria do Evangelho

chegue até aos confins da terra

e nenhuma periferia fique privada da sua luz.

 

Mãe do Evangelho vivo,

manancial de alegria para os pequeninos,

rogai por nós.

Ámen.

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