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A uma janela de Roma
“Multiplicar os gestos diários de veneração e imitação da Mãe de Deus”
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O Papa Francisco lembrou as aparições em Fátima. Na semana em que falou da missão da Caritas, o Papa encontrou-se com sete mil crianças e recebeu o líder cubano, Raul Castro. O Vaticano divulgou o roteiro da visita de Francisco ao Equador, Bolívia e Paraguai.

 

1. “Neste dia de Nossa Senhora de Fátima, convido-vos a multiplicar os gestos diários de veneração e imitação da Mãe de Deus. Confiai-Lhe tudo o que sois, tudo o que tendes; e assim conseguireis ser um instrumento da misericórdia e ternura de Deus para os vossos familiares, vizinhos e amigos”, desejou o Papa, no final da audiência-geral de quarta-feira, 13 de maio. Na Praça de São Pedro, no dia de Nossa Senhora de Fátima, o Papa Francisco pediu para ser recitada uma Avé Maria, em língua portuguesa.

Antes, na catequese, Francisco prosseguiu o seu itinerário temático sobre a família, refletindo sobre três ideias: com licença, obrigado e desculpe. “Estas palavras fazem parte da ‘boa educação’, vista não como um simples formalismo, mas radicada no amor e no respeito pelo outro. São palavras para viver em paz na família”, afirmou o Papa Francisco.

 

2. A Caritas, juntamente com tantos outros organismos da Igreja, “revela a força do amor cristão e o desejo da Igreja de ir ao encontro de Jesus em cada pessoa, sobretudo quando é pobre e sofre”, lembrou o Papa, durante uma Eucaristia, na Basílica de São Pedro, no dia 12 de maio, com os membros da Caritas Internacional, reunidos em Roma para a XX Assembleia Geral da instituição. Francisco realçou que quem vive a missão da Caritas é testemunha de Cristo e deve levar o seu amor aos que mais sofrem. “Para a Caritas, acolher Deus e o outro significa viver o Evangelho, não como simples organização humanitária, mas no serviço e na experiência de comunhão” afirmou. “Não existem Caritas grandes e Caritas pequenas, são todas iguais. Peçamos ao Senhor a graça de perceber a verdadeira dimensão da Caritas; a graça de não cair no engano de acreditar que um centralismo bem organizado seja o caminho; a graça de compreender que a Caritas está sempre na periferia, em cada Igreja particular; e a graça de acreditar que a Caritas central é apenas ajuda, serviço e experiência de comunhão mas não a chefe de todas”, desejou o Papa.

 

3. O Papa Francisco encontrou-se, esta segunda-feira, dia 11, com sete mil crianças da organização ‘Fábrica da Paz’, deixando que elas fizessem as perguntas que entendessem e respondendo abertamente a tudo. Embora o encontro fosse com crianças pequenas, os temas abordados foram por vezes muito sérios. Questionado sobre a guerra, Francisco respondeu sem cerimónias: "Porque tantos poderosos não querem a paz? Porque vivem da guerra! Da indústria das armas! Isto é grave. Alguns poderosos ganham com o fabrico de armas, e vendem-nas a este país que está contra aquele e depois àquele que está contra este. É a indústria da morte! E ganham com isso”, respondeu. “Sabem, a ganância faz-nos muito mal, a vontade de querer sempre mais e mais dinheiro. É por isto que tanta gente não quer a paz. Ganha-se mais com a guerra. Ganha-se dinheiro e perdem-se vidas, perde-se a cultura, perde-se a educação, perdem-se tantas coisas", disse.

Em resposta a outra questão, falou do sofrimento das crianças e dos inocentes em geral. O Papa admitiu que não tinha resposta para esse mistério, mas que a sociedade pode fazer muito para diminuir este sofrimento. As crianças quiseram saber se Francisco se dava bem com os seus irmãos e ele disse que o importante não é saber se os irmãos discutem muito, mas que sempre se reconciliem no final. Uma criança, em vez de fazer uma pergunta, informou o Papa que em breve tencionava ir visitar o santuário de Lourdes e perguntou se Francisco não gostaria de ser o maquinista do comboio para garantir que todos chegavam lá bem.

No final do encontro, o Papa apelou à mudança de vida. "Sempre que fazemos alguma coisa em conjunto, algo bom, algo belo, toda a gente muda – todos mudamos de alguma maneira – e isso faz-nos bem. Hoje todos nós devemos sair deste encontro diferentes de alguma pequena maneira", referiu.

 

4. O Papa Francisco recebeu, na manhã de Domingo, no Vaticano, o líder de Cuba, Raul Castro. O encontro já tinha sido anunciado, mas a Santa Sé deixou claro que se tratava de uma reunião estritamente privada, pelo que não foi divulgada qualquer informação sobre o teor da conversa. Esta não deixa de ser, contudo, uma visita de carácter histórico. Embora Francisco tenha planos para se tornar o terceiro Papa seguido a visitar Cuba, este encontro marca a primeira visita de um líder cubano ao Vaticano.

É muito raro o Papa conceder audiências privadas deste tipo ao Domingo, mas Francisco abriu uma exceção para Castro, que pediu para parar em Roma durante o seu regresso de Moscovo, onde esteve para as comemorações do final da II Guerra Mundial, a convite de Vladimir Putin. Sabe-se também que a reunião privada durou quase uma hora, muito mais do que é costume para audiências desta natureza.

 

5. O programa da visita do Papa à América Latina foi divulgado pelo Vaticano. Francisco decidiu acrescentar mais um dia à viagem que inclui três países: Equador, Bolívia e Paraguai. É grande o entusiasmo dos equatorianos que assim convivem mais um dia com o primeiro Papa argentino. Com efeito, Francisco parte dia 5 de julho (e não dia 6, como inicialmente previsto) para o Equador. Mas Francisco não fica apenas na capital, também se desloca de avião ao santuário da divina misericórdia em Guayaquil. Como habitualmente na agenda das viagens pastorais, há encontros com vários sectores da sociedade e da Igreja e o mesmo acontece também na Bolívia e Paraguai.

Na capital boliviana – a mais alta do mundo –, Francisco permanece apenas quatro horas, para encontros protocolares e saudação às autoridades civis, seguindo depois para Santa Cruz, a capital comercial e também o centro comercial de droga. Na manhã de 10 de julho visita um centro de reeducação para reclusos perigosos.

A última etapa desta viagem é o Paraguai, onde para além da capital Asunción, o programa incluiu deslocações a outras cidades do interior e ao Santuário Mariano de Caacupé. No total, o Papa vai percorrer 24.730 quilómetros em sete voos que totalizam cerca de 33 horas.

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