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A uma janela de Roma
“Um jubileu extraordinário que terá no seu centro a misericórdia de Deus”
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O Papa Francisco anunciou um Jubileu da Misericórdia, no dia em que cumpriu dois anos do seu pontificado. Na semana em que falou das crianças, o Papa enviou uma carta aos bispos da Nigéria, perspetivou a sua viagem a Sarajevo e condenou os atentados no Paquistão.

 

1. O Papa Francisco anunciou um Jubileu da Misericórdia, que vai começar a 8 de dezembro deste ano e terminar a 20 de novembro de 2016. A convocatória foi feita no decorrer de uma cerimónia penitencial, no Vaticano. “Caros irmãos e irmãs, tenho pensado muito sobre como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual. Por isso, decidi convocar um jubileu extraordinário que terá no seu centro a misericórdia de Deus. Será um ano santo da misericórdia. (...) Estou convencido que toda a Igreja poderá encontrar neste jubileu a alegria de redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual todos somos chamados a consolar os homens e as mulheres do nosso tempo”, afirmou o Papa, no passado dia 13 de março.

Durante este período, será enfatizada a misericórdia de Deus pelos homens e as igrejas de todo o mundo serão convidadas a abrirem as suas portas mais tempo do que o costume, para promover o acesso ao sacramento da reconciliação. Segundo uma nota publicada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, “com o Jubileu da Misericórdia, o Papa Francisco chama a atenção para o Deus misericordioso que convida todos os homens e mulheres a regressar a Ele. Este encontro com Deus inspira e nós a virtude da misericórdia”.

Sempre que é convocado um ano jubilar, são abertas as portas santas das quatro basílicas de Roma. A abertura destas portas é uma forma simbólica de mostrar que os fiéis têm agora um novo caminho para chegar à salvação. O Papa Francisco tem enfatizado muito a misericórdia de Deus durante o seu pontificado, dizendo em várias ocasiões que Deus nunca se cansa de perdoar os homens. Durante a cerimónia penitencial, o Papa voltou a fazer como no ano passado e foi-se confessar, publicamente, antes de seguir para um confessionário para ouvir a confissão de outros. Este é o primeiro ano jubilar convocado desde o grande jubileu do pontificado de João Paulo II, para o ano 2000.

Neste mesmo dia 13 de março, data em que Francisco cumpriu o segundo aniversário da sua eleição, o Papa afirmou ter "a sensação" de que o seu pontificado pode ser breve, de quatro ou cinco anos, mas desmentiu sentir-se "só e sem apoio". Numa longa entrevista à cadeia de televisão mexicana Televisa, divulgada pela Rádio Vaticano, o 265º sucessor do apóstolo Pedro respondeu sobre a possível duração do seu papado, que pode concluir-se com a sua morte ou resignação. “Tenho a sensação que o meu pontificado vai ser breve. Quatro ou cinco anos. Não sei. Ou dois ou três. Dois já passaram. É uma sensação um pouco vaga que tenho", afirmou. "O Senhor colocou-me aqui para uma coisa breve, nada mais”, acrescentou, elogiando a "coragem" do seu antecessor, Bento XVI, que renunciou ao pontificado, em fevereiro de 2013, e entendendo que esse gesto não deve ser considerado como uma exceção. "Abriu uma porta institucional", sublinhou o Papa, de 78 anos.

 

2. O Papa Francisco enalteceu o grande dom que as crianças representam para a humanidade. “As crianças são em si próprias uma riqueza para a humanidade e para a Igreja, porque nos chamam a atenção, constantemente necessária, para entrar no Reino de Deus”, sublinhou Francisco, na audiência-geral da passada quarta-feira, dia 18 de março. O Papa destacou ainda que as crianças lembram que todos somos necessitados de ajuda, de amor e de perdão. “É verdade que as crianças acarretam também preocupações e às vezes problemas, mas é melhor uma sociedade com estas preocupações e problemas do que uma sociedade triste e cinzenta porque sem crianças”, terminou.

 

3. O Papa Francisco enviou, na passada terça-feira, dia 17 de março, uma carta aos bispos da Nigéria, manifestando a sua solidariedade às comunidades cristãs que têm sido vítimas de ataques terroristas ao longo dos últimos anos, em particular perpetrados pelo grupo ‘Boko Haram’. Na mensagem, divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, o Papa afirma que a paz é o próprio Cristo e para alcançá-la é preciso “um compromisso diário, corajoso e autêntico em favor da reconciliação, de experiências de partilha e diálogo e do serviço aos mais fracos e excluídos”. O Papa Francisco afirma lembrar-se dos nigerianos “todos os dias” nas suas orações e elogia a ação da Igreja num contexto de “tantas provações e sofrimentos” onde tem sido capaz de “testemunhar a hospitalidade, a misericórdia e o perdão”. “Não vos canseis de fazer o que está certo”, apelou o Papa na sua carta aos bispos da Nigéria.

 

4. Não "poupeis energias" para apoiar os fracos e os pobres e para ajudar aqueles que querem permanecer no país evitando aumentar as fileiras dos migrantes. Este foi o apelo do Papa Francisco aos bispos da Bósnia e Herzegovina, em visita ‘ad Limina Apostolorum’, durante uma audiência na passada segunda-feira, dia 16 de março. O Papa falou dos problemas do desemprego e das memórias da guerra ainda vivas, exprimindo solidariedade com o país na expectativa de encontrar pessoalmente as pessoas no dia 6 de junho, durante a visita que vai realizar a Sarajevo.

 

5. O Papa Francisco condenou, no passado Domingo, dia 15, após a oração do Angelus, o duplo atentado que atingiu igrejas cristãs num bairro cristão em Lahore, a segunda cidade do Paquistão. Estes atentados provocaram, pelo menos, 14 mortos e 78 feridos. “Que esta perseguição contra os cristãos, que o mundo procura esconder, acabe e haja paz”, declarou o Papa, perante milhares de pessoas, na Praça de São Pedro.

Francisco disse ter recebido “com dor, com muita dor” a notícia dos atentados terroristas contra duas igrejas na cidade de Lahore, “que provocaram numerosos mortos e feridos”. “São igrejas cristãs, os cristãos são perseguidos, os nossos irmãos derramam o seu sangue apenas por serem cristãos”, denunciou, deixando depois a certeza da sua oração “pelas vítimas e as suas famílias”.

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