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Jornal O Alcoa
Olhar o mundo com a matriz católica
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Cumpre este ano 70 anos e é um quinzenário regional que apresenta o mundo com a visão da Igreja. Falamos do jornal O Alcoa, que nasceu no seio da paróquia de Alcobaça e que se quer assumir como um jornal de referência da região.

 

O jornal O Alcoa é um jornal da Igreja que tem uma dupla missão, segundo a diretora, Ana Caldeira. “A missão do jornal O Alcoa, o seu primeiro intuito, é a evangelização. Esta missão é secundada pela vontade de promover o desenvolvimento da terra, não só entendido como crescimento económico, mas integral, global, em termos sociais, culturais, e também o desenvolvimento da pessoa humana. Procuramos servir a Igreja do ponto de vista da evangelização e servir a terra para o seu desenvolvimento”, aponta ao Jornal VOZ DA VERDADE a diretora deste quinzenário regional de inspiração cristã. “Este é um jornal da Igreja, de serviço à Igreja! Embora esteja ligado à paróquia de Alcobaça, o jornal assume esta missão de evangelização de toda a região”, acrescenta.

 

Renovação editorial e gráfica

O Alcoa foi fundado em dezembro de 1945, poucos meses após o final da Segunda Guerra Mundial, e é o jornal mais antigo de Alcobaça. Diretora desde 23 de março de 2011, Ana Caldeira destaca a ousadia dos fundadores do jornal: “Nascemos num período difícil, obviamente, mas também de grande esperança. A crise daquela altura não fez os fundadores do jornal ficarem de braços cruzados. Alcobaça criou o seu jornal, por impulso do seu pároco de então, padre Manuel Vitorino, de muito boa memória na terra. Curiosamente, aquando da fundação do jornal, não era o senhor padre o diretor, era um leigo, João de Sousa Brito. Desde o início que a presença de leigos no jornal de inspiração cristã foi assumida”, realça. Durante quase 40 anos, entre fevereiro de 1972 e março de 2011, o jornal teve como diretor Mário Vazão, um homem que, nas palavras da atual diretora, “fez crescer muito o jornal”.

Formada em Relações Internacionais, com diversas especializações em Turismo, Ana Caldeira é natural do concelho de Alcobaça, tem ligação à paróquia e já tinha trabalhado como jornalista num jornal de Alcobaça entre 1998 e 1999. Começou por colaborar n’O Alcoa em artigos de opinião, em 2010, e no ano seguinte foi convidada pelo anterior pároco de Alcobaça, padre Carlos Jorge, atualmente na paróquia da Amadora, para assumir funções de direção no jornal. Ana Caldeira salienta que, em 2011, o jornal O Alcoa “tinha alguma necessidade de reformulação e renovação”. “Teria que haver uma atualização. Havia a consciência de que teria de ser feita uma intervenção no jornal a nível da produção dos conteúdos jornalísticos e do grafismo. No fim desse ano 2011, na edição em que comemorámos o 66º aniversário, o jornal surgiu remodelado”, conta, sublinhando o papel do então pároco de Alcobaça: “O padre Carlos Jorge foi um dos grandes impulsionadores da reformulação do jornal, quer gráfica, quer na profissionalização, quer nas obras das instalações, quer na criação do site. A base do atual logotipo do jornal foi desenhado por ele”.

 

Um jornal de todos

Frisando que o lema deste quinzenário regional é ‘O Alcoa é o jornal de todos nós’, Ana destaca a opção dos fundadores pelo nome do jornal. “É muito interessante verificar que os fundadores não o apelidaram de ‘O Mosteiro’, que se situa em Alcobaça, mas optaram pelo nome ‘O Alcoa’, que é um rio que cruza a região e que passa por uma série de freguesias. É um jornal paroquial, sim, mas que sempre foi aberto a toda a região, desde o seu primeiro número, e que sempre se assumiu como jornal regional”.

As secções do jornal foram também revistas com a renovação deste quinzenário, que tem atualmente 24 páginas. “Toda a estrutura do jornal foi repensada em 2011. Como o Alcoa é um rio, as secções do jornal têm como base essa perspetiva do rio. A primeira parte do jornal é a ‘Nascente’, onde se integram os textos relativos a notícias pastorais; depois temos a ‘Corrente’, com a atualidade, um artigo de fundo e entrevistas; segue-se uma área do jornal que chamamos a ‘Contra Corrente’, que é a secção de opinião; o ‘Afluente’ diz respeito à cultura, desporto, saúde; o ‘Canal’, que tem a ver com os classificados, necrologia e informações úteis; e por fim O Alcoa chega à secção ‘Foz’, na última página. Portanto, as seções do jornal têm a ver com esse rio de informação”, descreve a diretora.

Com a reformulação, o jornal passou a ter uma designer. “Com uma designer a tempo inteiro, estamos sempre abertos para receber o pedido das paróquias da vigararia para a elaboração de cartazes, folhetos… costumamos fazer os guiões para o festival vicarial da canção cristã. Na paróquia de Alcobaça, sempre que há necessidade de fazer qualquer produção para a catequese ou para os coros, estamos sempre abertos a colaborar”, garante a diretora.

Ana Caldeira destaca ainda a organização, desde 2012, da gala anual do jornal O Alcoa, que acontece sempre no Domingo mais próximo do dia 8 de abril, uma data de referência para Alcobaça, onde são dados a conhecer os artistas locais e entregues os ‘Alcoas de Ouro’, que homenageiam as personalidades que, nas várias áreas, se destacaram e cujos vencedores são escolhidos pelos leitores.

Em dezembro de 2014, o jornal O Alcoa publicou o seu primeiro livro, com a edição de ‘Palavra de Deus & palavras de homem’, da autoria do anterior pároco de Alcobaça, padre Carlos Jorge Vicente. “Já com o padre Ricardo Cristóvão entre nós, publicámos o livro que é uma coletânea dos textos publicados no jornal pelo padre Carlos Jorge, que foi coordenador geral d’O Alcoa durante os 5 anos que foi nosso pároco”, refere Ana.

 

“Não sermos sensacionalistas”

Bem perto do Mosteiro de Alcobaça, que faz atualmente de ‘igreja paroquial’, está situada a igreja da Misericórdia, que pertence à Misericórdia de Alcobaça. É no edifício lateral deste templo que funcionam, desde há várias décadas, as instalações d’O Alcoa. A diretora-adjunta do jornal, Anabela Rosário, foi uma das impulsionadoras das obras de remodelação deste espaço. “Foi nas instalações do jornal O Alcoa que, já há mais de três décadas, decorreram as minhas reuniões de preparação para o Crisma. Este espaço era utilizado em bastantes ocasiões, visto que não existia ainda o centro pastoral, nem a paróquia usufruía da ala sul do mosteiro. Foi, portanto, com grande entusiasmo que aceitei, em 2012, colaborar na remodelação das instalações que permaneciam tal como as tinha conhecido há tantos anos atrás”, conta ao Jornal VOZ DA VERDADE. Anabela recorda o empenho de toda a comunidade para levar por diante as obras que eram necessárias fazer. “Sendo o proprietário deste espaço a Misericórdia de Alcobaça, que nos autorizou a realização das obras, estas só foram possíveis com a ajuda de vários membros da comunidade que quiseram juntar-se a nós e dar forma a este projeto. Relembro os nossos jovens, com a alegria que lhes é própria, ao dedicarem um encontro de sexta-feira à noite para descarregar e levar até ao primeiro piso do edifício todas as pedras que viriam a ser colocadas no pavimento”, acrescenta a diretora-adjunta do jornal O Alcoa.

Sara Susano, de 27 anos, é jornalista d’O Alcoa desde outubro de 2011. Está diariamente na redação e contacta diariamente com as populações. “Sou natural de Carvalhal, paróquia de Turquel, estudei na Benedita, e muita gente já me vai conhecendo, mesmo na cidade de Alcobaça, porque muitas vezes acabo por ser eu a dar a cara pelo jornal. Há pessoas que sabem que sou do jornal da terra e dão-me sugestões de reportagens, entrevistas”, refere ao Jornal VOZ DA VERDADE. Licenciada em Ciências da Comunicação, Sara sublinha que O Alcoa “é um jornal da Igreja, mas que não tem somente notícias da Igreja”. É Sara quem atualiza a página na internet do jornal e também as redes sociais, e destaca o alcance que a publicação tem conseguido no mundo virtual: “No último ano, conseguimos ter mais 1.500 ‘Gostos’ no nosso Facebook. Penso que é um número significativo”.

Com uma tiragem atual de cerca de 5 mil exemplares por edição, nestes últimos 3 anos a edição impressa do jornal O Alcoa tem mantido a mesma estrutura editorial. Para o futuro, a diretora Ana Caldeira deseja “desenvolver ainda mais o site do jornal, com a possibilidade de assinatura digital, e criar uma newsletter que remeta as pessoas para a edição em papel”.

O Alcoa começou por ser um jornal semanal, mas na década de 70 passou a ser quinzenal. O trabalho, segundo a diretora Ana Caldeira, “é sempre feito numa perspetiva construtiva”. “Na orientação editorial há uma preocupação fundamental: não sermos sensacionalistas, mas procurar buscar a boa notícia, procurar exprimir a beleza e a esperança cristã, que fazem muita falta na sociedade e à comunicação social de hoje em dia”.

 

A história a partir d’O Alcoa

Alcobaça tem cerca de 7 mil habitantes no seu núcleo central, no entanto a área urbana abrange cerca de 18 mil habitantes distribuídos pelas freguesias de Alcobaça e Vestiaria e por parte das freguesias de Aljubarrota, Maiorga e Évora de Alcobaça. O pároco, padre Ricardo Cristóvão, explica ao Jornal VOZ DA VERDADE que “esta é uma cidade pequena, sobretudo a freguesia de Alcobaça que compreende somente a zona à volta do mosteiro”. Esta terra da zona Oeste do Patriarcado de Lisboa tem, desde há 70 anos, o seu quinzenário regional, o jornal O Alcoa. “Nós não temos folha paroquial, temos um quinzenário regional”, apresenta o pároco de Alcobaça que, por inerência de funções, é o coordenador geral deste órgão informativo que “não é somente lido por católicos” e que acompanha igualmente a vida de algumas freguesias da área limite de Alcobaça, como Valado dos Frades ou Famalicão, que pertencem à Nazaré. “O Alcoa também tem a mesma missão das paróquias, de ser um testemunho de verdade e de Cristo para a gente desta região. N’O Alcoa procuramos elaborar a notícia com base na matriz católica que tem. No fundo, olhar as coisas com a visão da Igreja, de Cristo e da verdade”.

Chegado à paróquia de Alcobaça no início deste ano pastoral, em setembro passado, este jovem sacerdote, de 34 anos, assume que “não conhecia muito bem o jornal O Alcoa”, mas frisa que o conceito de jornal regional é algo que lhe é “muito próximo”. “Sou natural de Torres Vedras, terra que tem também um jornal regional da Igreja, o Badaladas. E o facto de ter crescido com um jornal regional católico ajudou-me, com O Alcoa, a ‘estar em casa’. Porque continuo a ter esta forma de acompanhar a vida da terra, neste caso com mais responsabilidades”.

Quando foi nomeado, pelo Patriarca de Lisboa, pároco de Alcobaça, o padre Ricardo Cristóvão já sabia que teria de assumir funções neste quinzenário regional e garante ter ficado “muito contente” com a designação de D. Manuel Clemente. Sublinhando que não é um ‘padre-jornalista’, este sacerdote aponta que a sua presença no jornal “ajuda quem é jornalista a ter uma visão ainda mais abrangente e mais profunda da realidade”. Apelidando o jornal O Alcoa como “um grande meio de informação regional”, o padre Ricardo defende as potencialidades da imprensa regional: “Há muita gente que diz que a imprensa escrita em papel tem os dias contados… eu acho exatamente o contrário! Acredito que há um mundo de possibilidades para a imprensa escrita regional. Veja-se o caso do jornal francês Charlie Hebdo, que fez uma tiragem de 7 milhões de exemplares, em que as pessoas podiam ter a edição digital mas quiseram comprar o jornal em papel. Isto é um sinal de que as pessoas usam os meios eletrónicos para se informarem, mas depois não esquecem a posse do papel. Temos que ir redescobrindo isto, não só nós mas todos os órgãos regionais, que têm muito valor”.

Este pároco tem “a certeza” que “um dia que alguém queira fazer a história de Alcobaça tem de vir, absolutamente, ao jornal O Alcoa”. “Pelo menos para a história mais recente, de há 70 anos para cá”, graceja.

 

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‘A Igreja é Comunicação’

D. José Traquina, Bispo Auxiliar de Lisboa, participou, na noite do passado dia 10 de janeiro, em Alcobaça, numa sessão promovida pelo jornal O Alcoa, onde refletiu sobre ‘A Igreja é Comunicação’. “A Igreja é comunicação e é por aí que tudo começa. (…) Por fidelidade, a Igreja não pode calar-se. Tem de anunciar a Palavra de Deus, onde Cristo é referência para a construção da Vida humana digna e de uma sociedade com base na justiça!”, salientou.

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Diogo Paiva Brandão e Jornal O Alcoa
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