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Ano Jubilar 2015 | 2016
Olhar com gratidão a vida e obra de Teresa de Saldanha
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Neste Ano, dedicado pelo Papa Francisco à Vida Consagrada, apraz-nos recordar Teresa de Saldanha (Lisboa, 1837-1916) que, nascendo e vivendo num tempo difícil para a Igreja em Portugal, ousou desafiar as leis vigentes e fundou, na clandestinidade, uma Congregação, com o objectivo de evangelizar Portugal e de proporcionar a outras jovens o seguimento de Jesus na Vida Religiosa.

 

Efectivamente, três anos antes do seu nascimento, em 1834, os conventos tinham sido fechados e os religiosos expulsos. Em Lisboa, sua cidade natal, grassava a fome, as epidemias, a ignorância, o analfabetismo, a exploração das mulheres e crianças nos trabalhos fabris. A sua obra nasceu no Bairro de Alfama, um dos mais pobres e populosos de Lisboa, mas, foram mais de trinta os locais da capital, abrangidos pela sua acção evangelizadora e de promoção. E a sua obra rapidamente se estendeu de Norte a Sul do País.

Os últimos Patriarcas de Lisboa referiram-se a Teresa de Saldanha reconhecendo o seu carisma, a sua santidade.

D. Manuel Cerejeira, em 1939, declarou: “Madre Teresa de Saldanha é a glória da Ordem Dominicana, em Portugal”.

D. António Ribeiro sintetizou o seu carisma profético, numa homilia em 1987: “Sendo rica, sobretudo em bens de cultura e linhagem de nascimento, não receou fazer-se pobre por amor dos pobres. Logo na juventude, dedicou-se com entusiasmo à Associação Protectora das Meninas Pobres, da Rua de Santa Marta, onde exerceu relevante actividade. E mais tarde, quando pensa fazer-se religiosa, é sempre o serviço dos pobres que a seduz. Deseja uma Congregação voltada para a promoção dos mais desfavorecidos. Ela própria assim escreve: "Em Lisboa nada existia, nesse tempo, de Comunidades Religiosas dedicadas à vida activa; nem Hospitaleiras, nem Doroteias; as Irmãs de Caridade francesas tinham sido expulsas; portanto, a falta tão grande de uma Congregação que se dedicasse ao serviço dos pobres e educação de crianças fez-me desejar imenso trabalhar para realizar o meu sonho, o que assim parecia nesse tempo semelhante plano, pelas dificuldades que se julgavam invencíveis".

A História das Dominicanas de Santa Catarina de Sena diz como o sonho se realizou e as dificuldades se venceram. Desde o começo, as Irmãs cuidaram dos doentes, dos diminuídos, dos marginalizados e ofereceram educação e instrução a numerosas gerações de poucos haveres. E, mesmo quando a Fundadora decidiu abrir os seus colégios a alunas mais abastadas, fê-lo a pensar nos pobres, pressentindo, justamente, que não é possível promover os mais desfavorecidos, sem converter os ricos, sem formar mulheres e homens novos, de coração aberto aos clamores da pobreza e da miséria moral e material.”

D. José da Cruz Policarpo, na Sessão de Clausura do seu Processo Diocesano, 17 de Novembro de 2001 reconheceu que “com a sua vida e virtudes, Teresa de Saldanha iluminou a sociedade e a Igreja do seu tempo, como exemplo vivo do amor de Deus e do próximo. Cremos que pode continuar a brilhar e a interceder não só nesta Igreja de Lisboa que ela amou, mas em toda a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo de quem ela hoje é santa”.

D. Manuel Clemente conhece bem a vida desta católica de Lisboa e escreveu diversos artigos acerca dela. Citamos este pequeno testemunho, de 22 de Novembro de 1999: “é importante apresentar Teresa de Saldanha como um exemplo raro de persistência de fé e obras, de afirmação da sua vocação religiosa feminina. É de uma convicção e persistência pouco vulgares, vai para a frente apesar de grandes resistências de muitas partes. A época era muito difícil para as mulheres que desejavam seguir a Vida Religiosa. Persistir na vocação naquele tempo era heróico. Considero a sua canonização muito oportuna porque é um modelo para todos os fiéis.”

O seu Processo de Canonização decorre em Roma. A algumas cidades de Portugal e do Brasil quiseram perpetuar a sua memória dando o seu nome a Ruas, Casas e Instituições.

Neste Ano Jubilar, a Congregação pretende olhar com gratidão a sua vida e obra e fazer memória da sua entrada no Reino, ocorrida no dia 8 de Janeiro de 1916. Quer ainda, com esta lembrança agradecida do passado, escutar o que Espírito lhe diz, hoje, e abraçar o futuro com esperança, nos diversos lugares onde a sua chama carismático-profética ilumina a sociedade: Albânia, Angola, Brasil, Moçambique, Paraguai, Portugal e Timor-Leste.

O Ano Jubilar terá início no dia 11 de Janeiro de 2015 com uma celebração da Eucaristia em Lisboa, Igreja de S. Domingos da Baixa, às 11 Horas que será transmitida na TVI, assim como o programa do 8º Dia, em sua memória.

texto pela Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena
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