Sínodo 2016 |
Sínodo Diocesano 2016
Reforçar o empenho missionário de toda a vida diocesana
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O Patriarca de Lisboa espera que o Sínodo Diocesano em 2016 reforce “o empenho missionário de toda a vida diocesana”. Na Missa Crismal, em Quinta-Feira Santa, D. Manuel Clemente deu pistas sobre o caminho que o Patriarcado de Lisboa vai percorrer nos próximos dois anos.

 

“O Sínodo reunir-se-á, querendo Deus, no final de 2016. Terá a composição prevista no Código e dele sairão indicações para reforçar o empenho missionário de toda a vida diocesana, no sentido que a “missão” ganhou nos últimos tempos, mais sociocultural do que geográfico. E, como cada assembleia do Sínodo dos Bispos é preparada por Lineamenta, que são antes estudados pelos seus membros e dioceses, e depois por um Instrumentum laboris que, concentrando a reflexão feita, é a base próxima dos trabalhos sinodais propriamente ditos, também o nosso sínodo será precedido pela reflexão das comunidades cristãs da diocese, durante os dois próximos anos pastorais, tendo por base e como que lineamenta o próprio texto da exortação apostólica do Papa Francisco. Trimestre a trimestre e capítulo a capítulo, assim se fará do Outono deste ano até à Páscoa de 2016”, revelou o Patriarca, no passado dia 17 de abril.

Falando dos próximos dois anos até ao Sínodo como um “caminho conjunto de oração, reflexão e ensaio”, D. Manuel Clemente garantiu que “a reflexão será acompanhada pela oração intensa e o reforço ou ensaio de modos e meios de projeção missionária de cada comunidade – paróquias, institutos, famílias e todas as formas agregativas da vida cristã –, local a local, ambiente a ambiente, processo a processo”. “Certamente apoiados pela comissão preparatória e outras instâncias diocesanas”, sublinhou.

O Sínodo Diocesano do Patriarcado de Lisboa acontece em 2016, ano em que se comemoram os três séculos da qualificação “patriarcal” da diocese. “Qualificação que o Papa Clemente XI justificava pelo empenho na propagação da fé. Empenho régio, como fora então; empenho de todos, como há de ser agora. Corresponderemos deste modo à determinação insistente do Papa Francisco, que a exortação apostólica Evangelii Gaudium expressa com tanta clareza e encargo”, observou o Patriarca.

 

Inspiração

A caminhada sinodal, segundo garante D. Manuel Clemente, tem de ir buscar “inspiração” às “palavras do já saudoso Cardeal Policarpo, que continua bem presente na nossa memória agradecida”. “Escreveu ele, o constante perscrutador de “sinais”: «Por mais exigente que seja esta pastoral de encarnação, temos de continuar a incentivá-la. A formação dos cristãos, sobretudo dos jovens, tem de criar neles esta atenção amorosa à realidade dos homens, onde são chamados a ser testemunhas. Sem esta atenção e esta paixão pela realidade concreta da vida dos homens, a leitura dos “sinais dos tempos” não passará de um exercício cultural. Só a fé e o amor geram a intuição profética» (D. José da Cruz Policarpo, Obras Escolhidas, vol. 1, p. 434)”, referiu o Patriarca D. Manuel, citando o Patriarca Emérito de Lisboa, falecido no passado mês de março.

 

Tudo é consagração a Deus

A Missa Crismal, em Quinta-Feira Santa, é a celebração onde são benzidos os Santos Óleos do Batismo e dos Enfermos e é consagrado o Óleo do Crisma. No início da sua homilia, D. Manuel Clemente sublinhou o sentido da Missa Crismal. “Na Palavra que ouvimos, nos óleos que benzemos, no Pão que comungamos, no envio final em que saímos, tudo é consagração a Deus para a evangelização do mundo. Somos de Deus quando Lhe recuperamos a semelhança, coincidindo com os sentimentos do Pai, que todos se resumem na salvação do mundo”.

 

O clamor dos pobres

O Patriarca de Lisboa sente que, perante a crise, os olhos estão postos na Igreja e na sua ação social. “Fácil é de verificar, na presente “crise”, como algo de semelhante acontece agora, em relação à Igreja e aos cristãos, cada cristão, ordenado, consagrado ou leigo, desde que conhecido como tal. Crentes e não crentes, olham-nos com expectativa e exigem-nos redobrada coerência de ideias e comportamentos. Não podemos defraudá-los, especialmente aos pobres de todas as pobrezas, as que sobram de ontem e as que aparecem agora”, apelou, convidando à transformação evangélica da sociedade: “Verifico, várias vezes por conhecimento direto, que há leigos bem presentes nas várias realidades sociais afetadas pela crise e que, por palavras e atitudes práticas, procuram realmente a transformação evangélica das coisas, impregnando-as de solidariedade e justiça. No legítimo pluralismo de opções e métodos que inteiramente lhes cabe, não esquecem o objetivo essencial que o Papa recorda. Igualmente verifico que, quer pela exortação dos seus pastores, quer pela ação de instituições sociocaritativas de incidência vária, as comunidades cristãs se têm redobrado nas respostas que dão às necessidades sociais acrescidas. Por tudo dou graças e por eles peço a Deus, que os inspire e reforce. Nenhum de nós deixará cair os braços ou fechará o coração ao clamor dos pobres. Pelo contrário, levaremos muito a sério a centralidade dos pobres na vida e na ação da Igreja, que para eles diretamente existe”.

 

“Rezai, rezai muito pelos vossos sacerdotes”

Além da bênção e consagração dos Santos Óleos, a Missa Crismal é a celebração onde os padres fazem a renovação das Promessas Sacerdotais diante do Bispo. No final da sua homilia, o Patriarca de Lisboa fez um pedido aos cristãos da diocese: “Finalmente, antecipo já o que vos pedirei de seguida, caríssimos diocesanos, nesta Missa Crismal: «Rezai pelos vossos presbíteros, para que o Senhor derrame abundantemente sobre eles as suas bênçãos, a fim de que sejam ministros fiéis de Cristo Sumo Sacerdote e vos conduzam a Ele, única fonte de salvação». Sendo verdade que depende da oração o número bastante de servidores da messe, não é menos verdade que também depende da vossa oração a qualidade requerida, com que os atuais levaremos o nosso ministério. Rezai, rezai muito pelos vossos sacerdotes, pois só na oração se acrescenta aquela graça que transforma criaturas frágeis em sacramentos vivos de Cristo Sacerdote e Pastor”.

 

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Excertos das homilias de Páscoa do Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, na Sé Patriarcal

  Missa da Ceia do Senhor (Quinta-Feira Santa)   “É tempo e mais que tempo de compreendermos, de facto e de vez, que participar da Eucaristia e legitimamente comungá-la não é coisa que se faça episodicamente, ou com sentimentos vagos de comunhão sem compromisso.”   “Reconheçamos e confessemos, nesta hora alcançada, que a Eucaristia tem a exigência da entrega de Cristo, ao Pai e a todos por amor do Pai, como alimento de cada fome e partilha de todas as vidas. Reconheçamo-lo particularmente agora, quando precisamos de reinventar, mais do que prolongar apenas, uma sociedade que realmente o seja, isto é, um mundo solidário de companheiros do mesmo “pão” partilhado. Nas famílias, nas escolas, nas empresas, em todas as concretizações da nossa vida conjunta, só assim deveremos estar, pois não haverá futuro a não ser de todos para todos.”   “Agradeço do coração a presença e a ação da Comunidade Vida e Paz na nossa diocese e além dela. Desde que a Irmã Maria Gonçalves e os primeiros colaboradores a iniciaram, até aos que hoje com tanta generosidade a continuam, tem sido constante, diária e generosa a sua presença junto dos sem-abrigo, proporcionando-lhes o apoio imediato e uma vida reencontrada, acompanhada e digna. De seguida, lavarei os pés a alguns deles; mas é somente um sinal do que na Comunidade Vida e Paz acontece cada dia. Agradeço-lhe profundamente a possibilidade de assim reforçar o sentido autêntico desta Missa da Ceia do Senhor. O gesto vale o que vale, a ação vale sobretudo. E o realismo eucarístico do que a Comunidade faz nos confirme agora na verdade de Cristo.”


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  Paixão do Senhor (Sexta-Feira Santa)   “Estamos, irmãos, e permanecemos, junto à cruz do Senhor. Aqui nos manteremos, como em lição nunca acabada, nunca por demais aprendida. (…) Esta hora, caríssimos irmãos, não é principalmente nossa: agradeçamo-la a Deus, que, em Cristo, também nos recupera e consuma, a cada um de nós, na glória da cruz.”   “Concretizando sempre, algum de nós tem dúvidas de que a própria consumação duma sociedade perfeita, começada já, não poderá ser outra coisa senão vidas compartilhadas, dotes repartidos, atenção continuada a todas as necessidades dos outros – que são outras tantas oportunidades e exigências de nos consumarmos na entrega? Deixai-me duvidar, caríssimos irmãos, que alguma sociedade se tenha consumado já assim, ao ponto de legitimamente se chamar “cristã”… Aliás, creio que “cristão” e “cristã” só podem ser substantivos, não adjetivos, da substância de Cristo em nós e por nós no mundo.”   “Todavia, não sabendo se alguma sociedade se pôde chamar legitimamente “cristã”, sei, de facto sei, que a paixão de Cristo continua inteiramente disponível para se tornar na paixão dum mundo realmente de Deus e por isso compartilhado. Vislumbro-o em muitos que se comprometem, dia a dia, com o bem comum de todos e na dignificação do próximo: de quem precisa de nascer, de crescer, trabalhar e envelhecer em paz; de quem precisa de viver, na plenitude de Deus e na plenitude do homem. Na glória da cruz, como chave da história. A nossa presença aqui revela-se então como esperança para o mundo. Não a defraudemos a Deus, nem aos outros.”  

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  Vigília Pascal (Sábado Santo)   “A grande luz que acendemos esta noite – aqui, como em tantos lugares da terra, que gozam de paz ou sofrem da guerra – é para chegar a todos, e através de nós, que ela mesma ilumina. Valendo muito especialmente a palavra de Cristo: «Vós sois a luz do mundo. Não se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa» (Mt 5, 14-15).”   “Estou mesmo em crer que, se para tantas pessoas, mais ou menos crentes ou descrentes, as palavras “Cristo” e “Páscoa” continuam a despertar interesse e expectativa, é porque, apesar de tudo, as relacionam com vidas autenticamente cristãs com que se deparam – mesmo mediaticamente, como aconteceu com os Papas João XXIII e João Paulo II, proximamente canonizados, ou com o Papa Francisco, ou com algum outro exemplo de caridade cristã, onde a vida resplandece e não definha.”   “Para nós, batizados e catecúmenos desta noite cheia de luz, a consequência tem de ser integral também. A luminosa comunhão duma hora assim há de prolongar-se em vidas iluminadas, que iluminem o mundo: família e comunidades, sociedade e trabalho, saúde e doença, infância ou velhice. Nada vale por si, senão for além de si, como o próprio Deus quer ser para nós e o demonstra em Cristo, que nos retoma a vida. Sejamos então os anunciadores da aurora, como o “anjo do Senhor”, ao remover a pedra daquele sepulcro. Muito menos eram os discípulos, naquele primeiríssimo dia. Muitos mais havemos de ser, os desta urgentíssima hora.”

 

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Domingo de Páscoa

 

“Venha o que vier, já veio o que devia – a Páscoa de Cristo, o Filho de Deus, que se fez um de nós, passou pelo que passamos e venceu a morte, não lhe fugindo, mas repassando-a da vida ressuscitada e ressuscitadora que o Pai lhe ofereceu. Tendo a vida escondida com Cristo em Deus, temo-la bem segura e não nos recusaremos a dá-la também, pois quanto mais a dermos pelos outros mais a receberemos de Deus. Por isso, a Páscoa de Cristo é a permanente raiz da nossa liberdade altruísta – a única realmente livre.”

 

“Mais um ponto ainda, e muito de reter. Ouvimos no Evangelho: «Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou». Tratava-se do “discípulo predileto”, que, exatamente porque o era, chegou mais depressa e acreditou primeiro. Caríssimos irmãos, é do que se trata agora e há de ser connosco. Olhando para onde olharmos, correndo para onde corrermos, não nos faltam sepulcros de esperanças e vazios de vida. De perto ou de longe, dramas pessoais, tragédias de povos, riscos de mais guerras, cristãos perseguidos, horizontes curtos, bloqueados… Mesmo com férias e passeios nesta feliz quadra, nada nos evita as notícias tristes, nem nos dispensa de habituais cuidados. Todavia, se a predileção de Jesus e por Jesus nos prende deveras, nem deixaremos de acorrer onde O sabemos, nem deixaremos de lhe divisar a presença onde Ele preferentemente está e nos espera.”

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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