Sínodo 2016 |
Sínodo diocesano 2016
Diocese de Lisboa é convidada a ‘estado permanente de missão’
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Conforme o Jornal VOZ DA VERDADE deu conta na passada semana, em notícia de primeira página e já em fecho de edição, o Patriarcado de Lisboa vai viver um Sínodo diocesano em 2016. A proposta foi feita pelo Patriarca de Lisboa ao Conselho Presbiteral da diocese e depois comunicada, oficialmente, à diocese na homilia da celebração da Solenidade de São Vicente a que D. Manuel Clemente presidiu. A Diocese de Lisboa é, assim, convidada a viver em estado permanente de missão.

 

A inspiração para o convite que D. Manuel Clemente faz à diocese nasce da proposta que o Papa Francisco deixa na Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’, que o Jornal VOZ DA VERDADE tem vindo, também, a apresentar semanalmente aos seus leitores (ver pág.06). “Na exortação, dirigida «ao episcopado, ao clero, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos», o Papa manifesta a profunda intenção missionária com que exerce o seu ministério, desde a experiência sul-americana à Igreja universal”, escreve o Patriarca de Lisboa no texto da proposta que apresentou ao Conselho Presbiteral da diocese.

Segundo D. Manuel Clemente, esta exortação papal “confirma e reforça” um processo de reflexão iniciado em 2007 e que teve numa Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa de abril passado, intitulada ‘Promover a renovação da Pastoral da Igreja em Portugal’, “o seu resumo programático, em idêntico sentido missionário”, salienta, observando que esta mesma dimensão já tinha sido referida na homilia de abertura do seu “trabalho patriarcal em Lisboa: fomentar «comunidades de acolhimento e missão»”.

 

Conversão pastoral e missionária

Deste modo e seguindo as indicações que o Papa Francisco sugere na exortação apostólica onde deixa expresso que espera “‘que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária’” e faz o convite para que “todas as regiões da terra”, se constituam em “estado permanente de missão”, D. Manuel Clemente frisa que há, portanto, “programa geral e definido para os próximos tempos, diocese a diocese e na Igreja em geral: constituirmo-nos em estado permanente de missão”.

Segundo o Patriarca de Lisboa, o Papa Francisco apresenta nesta exortação “propósitos tão largos como firmes, que devemos levar muito a sério. Designadamente quando escreve: «Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal mais proporcionado à evangelização do mundo atual do que à auto-preservação. A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de “saída” e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade»”, destaca D. Manuel Clemente, citando o número 27 da Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’.

 

Proposta do sínodo

No documento que apresentou ao Conselho Presbiteral, o Patriarca de Lisboa refere: “Explicitando ainda mais o seu ‘programa’ para a Igreja universal, o Papa Francisco dá-nos uma incumbência precisa: «Para que o impulso missionário seja cada vez mais intenso, generoso e fecundo, exorto também cada uma das Igrejas particulares a entrar decididamente num processo de discernimento, purificação e reforma»”. Segundo D. Manuel Clemente, estas indicações pontifícias “encontrarão na Igreja de Lisboa o mais fiel e pontual cumprimento” que se traduz na realização de um sínodo diocesano em 2016, cuja preparação começa “desde já, para concretizar na Diocese de Lisboa as orientações do Papa Francisco, retomando e projetando para o futuro o melhor fundamento da nossa qualificação patriarcal”.

 

Três séculos de qualificação patriarcal

A realização deste sínodo vai acontecer no preciso momento em que se cumprem três séculos sobre a qualificação patriarcal de Lisboa. Explica D. Manuel Clemente, também historiador, que a distinção da Diocese de Lisboa enquanto Patriarcado “deveu-se certamente à magnanimidade do rei D. João V”, e remonta ao tempo do Papa Clemente XI que terá “fundamentado missionariamente tal qualificação, pelo facto de o soberano ser movido «pelos claríssimos exemplos dos tão beneméritos reis de Portugal seus antepassados na defesa e propagação da fé»”, destaca citando uma bula papal de 7 de novembro de 1716. “Justificação retomada depois pelo Papa Clemente XII, noutra bula referente ao patriarca de Lisboa, sublinhando a «singular solicitude [do rei português] em promover e propagar, à imitação de todos os seus predecessores, reis de Portugal e dos Algarves, a fé católica entre os povos»”, acrescenta D. Manuel Clemente.

“É esta fundamentação do Patriarcado de Lisboa que nos motivará ainda, para cumprirmos o programa do Papa Francisco”, garante o Patriarca de Lisboa, observando que “a meta de 2016 será um incentivo mais para a conversão missionária e evangelizadora que o Sucessor de Pedro nos reclama, agora entre nós e a partir de nós”.

A mesma exortação apostólica refere, segundo D. Manuel Clemente, “o modo de concretizar este objectivo, que passa por “‘estimular e procurar o amadurecimento dos organismos de participação propostos pelo Código de Direito Canónico e de outras formas de diálogo pastoral, com o desejo de ouvir a todos’”. “Em nota, o Papa indica quais são esses “organismos de participação”, começando pelo sínodo diocesano”, conclui o Patriarca de Lisboa.

 

O convite à diocese

Já depois de apresentada a proposta ao Conselho Presbiteral, que aprovou por unanimidade e aclamação, D. Manuel Clemente comunicou oficialmente à diocese a sua decisão na celebração da Solenidade do mártir São Vicente, no passado dia 22 de janeiro. “A Solenidade de São Vicente, diácono e mártir, padroeiro principal do Patriarcado de Lisboa, celebra-se este ano no especial contexto da receção atenta e consequente da exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’, em que o Papa Francisco nos entregou um verdadeiro “programa” de missão geral e evangelizadora. É uma feliz coincidência que, hoje mesmo, a nossa diocese encete um caminho sinodal nesse sentido, que até 2016 – tricentenário da nossa qualificação “patriarcal” – a todos nos fará cumprir, o mais cabalmente possível, a determinação pontifícia, como vem no número 25 da exortação: «Sublinho que aquilo que pretendo deixar expresso aqui, possui um significado programático e tem consequências importantes. Espero que todas as comunidades se esforcem por usar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão»”, refere.

Neste sentido, D. Manuel Clemente considera que estas palavras do Papa Francisco são “como se o Papa dissesse que, se os cristãos querem mudar o mundo, têm de começar por si próprios, pela Igreja de Cristo, retomando e aprofundando a sua atitude essencial de Filho de Deus e irmão universal, tão profundamente orante e tão ativamente evangélico”. Para o efeito, o Patriarca de Lisboa propõe, ainda, que procure inspiração e força no exemplo de São Vicente.

 

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O que é um Sínodo?

De origem grega, “Sínodo” é a palavra que significa uma reunião ou assembleia para tratar de assuntos importantes para toda Igreja (o que acontece com os Sínodos dos Bispos na Santa Sé – Vaticano) ou apenas para uma Igreja Diocesana (como acontece com a presente iniciativa do Patriarca de Lisboa). O Código de Direito Canónico diz expressamente: “O sínodo diocesano é a assembleia de sacerdotes e de outros fiéis escolhidos no seio da Igreja particular (...)”. A expressão “Igreja particular” designa o que habitualmente se designa por Diocese ou Igreja Diocesana. E continua o Código: “Em cada Igreja particular celebre-se o sínodo diocesano quando, a juízo do Bispo diocesano e ouvido o conselho presbiteral, as circunstâncias o aconselharem” (cf. can. 460 e 461). Depois do anúncio feito, aguarda-se, agora, pela instituição do Sínodo e pelas instruções que deverão chegar para a participação na sua preparação, em caminhada eclesial e em sintonia de comunhão com toda a Igreja Diocesana de Lisboa. 

 

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Conselho Presbiteral

Nos dias 21 e 22 de fevereiro, esteve reunido, no Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais – pela primeira vez após o término do mandato anterior que cessou com a nomeação do novo Patriarca –, o 16º Conselho Presbiteral da Diocese de Lisboa, sob a presidência de D. Manuel Clemente.

Aos membros do conselho, o Patriarca de Lisboa recordou que o Papa Francisco apresentou, com a Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’, um programa pastoral para ser seguido na diocese. Nesse sentido, foram lembradas algumas dimensões que devem ser tidas em conta na evangelização, como a autenticidade do anúncio da Palavra de Deus, o qual seja radicado na fonte, ou seja, na atitude orante, e com disponibilidade interior. D. Manuel Clemente lembrou que é necessário criar uma “disponibilidade espiritual para a evangelização”, e uma “coragem”, para caminhar numa posição de “contra corrente”,  porque “em muitos casos trata-se de evangelizar na contra corrente por sermos a favor de uma humanidade completa”. “Se formos coerentes com o que anunciamos, podemos sentir a alegria do Evangelho”, e “há muito trabalho a fazer”, afirmou D. Manuel Clemente, no discurso inicial ao Conselho Presbiteral.

O Conselho Presbiteral refletiu, ainda, sobre algumas questões relacionadas com o tema da família, e as dificuldades que surgem na transmissão da fé e dos valores morais, no seio de muitas famílias, tendo em conta que “são o primeiro agente da iniciação cristã”.

Durante este Conselho Presbiteral, foi igualmente reflectido o documento proposto pela Conferência Episcopal Portuguesa ‘Promover a renovação da Pastoral da Igreja em Portugal’, onde foram acentuadas, entre outras, algumas notas que apontam para a dimensão do apelo à conversão e autenticidade cristã; para a dimensão da missão; para a vivência da comunhão dos padres em todos os níveis; para uma atenção e promoção de uma pastoral urbana na cidade, e para a valorização do papel dos leigos na Igreja, lembrando que estes tem um papel específico na missão da Igreja.

Foi, ainda, aprovada a proposta de destino deste ano 2014, da Renúncia Quaresmal da Diocese de Lisboa, que será entregue à Associação de Solidariedade Social ‘Ajuda de Berço’, para a construção de uma unidade de cuidados continuados pediátricos, em Lisboa.

texto e fotos por Nuno Rosário Fernandes
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