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Paróquia de Benfica
Olhar o outro pela caridade
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A paróquia de Benfica reuniu no passado Domingo, 27 de outubro, em assembleia aberta, os diversos organismos que fazem parte da pastoral sócio-caritativa na comunidade. Com o objectivo de dar a conhecer aos paroquianos o que se faz na comunidade para pôr em prática a fé pela caridade, foi realizado um documentário vídeo que serviu de base a este encontro.

 

Fernanda é funcionária do Centro Social Paroquial de Benfica, em Lisboa, e sai todos os dias, pela hora do almoço, para levar a refeição a casa de Dona Carlota, que com os seus 80 anos reside sozinha. Numa pequena marmita plástica de cor laranja, Fernanda transporta consigo uma refeição quente, que é confecionada na cozinha do referido centro social. Do mesmo modo, outras 60 refeições são confeccionadas e entregues em diversos lares da área da paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica. “Temos uma cozinheira apenas para este serviço do Apoio Domiciliário”, refere Susete Jorge, da direção do centro social paroquial. O apoio domiciliário que a paróquia de Benfica presta, através do centro social paroquial, é um serviço que funciona durante todo o ano. Este ano, garantiu também as refeições no mês de agosto. “Foi uma experiência que, com a colaboração de todos, correu bem. As pessoas precisam de, também no mês de agosto, ter a sua higiene e refeição garantida”, observa Susete Jorge.

 

O refeitório social

No refeitório social Nossa Senhora do Amparo são servidos todos os dias, de segunda a sexta-feira, 39 almoços aos mais necessitados. “Temos a capacidade esgotada”, refere Isabel Carvalho, voluntária da paróquia de Benfica que coordena este serviço. Iniciado em abril de 2010, este refeitório social nasceu no âmbito do projeto Igreja Solidária para “ir ao encontro dos novos desempregados, os novos pobres”, salienta. “Quando abriu, eram 14 os utentes. Neste momento vêm aqui 33 pessoas almoçar, e as restantes seis refeições são levadas a casa de famílias muito carenciadas e que estão doentes em casa”, explica. Segundo esta voluntária, frequentam diariamente o refeitório social “pessoas que vivem na rua, que vivem em quartos ou em casa de amigos, e algumas têm rendimento zero”. Há inclusive “pessoas que têm curso superior mas estão em situação muito complicada”. Para alguns destes utentes, “o almoço era a única refeição do dia” e, tendo percebido essa realidade, os voluntários deste refeitório social começaram por fazer, entre eles, uma campanha “para angariar leite, para que essas pessoas pudessem, pelo menos, beber leite com pão, ao jantar”, refere Isabel Carvalho. “Entretanto houve uma oportunidade de contactar com o Pingo Doce, que tem sido uma ajuda inestimável, porque todos os dias da semana, de segunda a Domingo vamos buscar o que eles não vendem mas que está bom. É uma fruta tocada, um pacote de arroz que caiu ao chão, muitíssimo pão, pastéis ou frangos assados que não venderam e isso permite que todos aqueles que aqui vêm almoçar possam também levar o jantar”, testemunha. Neste refeitório social, que conta com o apoio do Centro Social Paroquial de Benfica no que diz respeito à confecção e ao fornecimento das refeições, colaboram 16 voluntários de diversas idades. No entanto, “não tem qualquer comparticipação do Estado” e “sobrevive com as esmolas que os paroquianos dão para os pobres”, observa o pároco, o cónego José Traquina.

 

O banco alimentar

Junto à igreja de Nossa Senhora do Amparo localiza-se a Casa de São Joaquim onde cerca de 300 pessoas carenciadas, da área paróquia de Benfica, vão buscar, todos os meses, ajuda alimentar. Os bens são fornecidos pelo Banco Alimentar, por campanhas de angariação que se realizam na paróquia e por outras ofertas que chegam de particulares. “Temos 86 famílias que vêm aqui todos os meses buscar um saco onde levam arroz, massa, açúcar... todas essas coisas que servem para a sua alimentação e outros alimentos frescos, porque todas as quartas-feiras vêm do Banco Alimentar alimentos frescos”, conta a voluntária Maria José. Desde há 14 anos a coordenar este serviço, Maria José explica que, como são muitas as famílias, a distribuição de alimentos está repartida por quatro semanas, à quinta-feira. “Isto possibilita que todas as famílias levem sempre alimentos frescos para casa”, observa. “A Padaria Portuguesa dá-nos todos os dias, ao final do dia, o pão que sobra. Eu coloco-o numa arca frigorífica, para não endurecer, e depois, à quinta-feira, as famílias levam esse po pa﷽﷽﷽﷽﷽﷽ esse pofam,-o numa arca para ncasa"famtas-feiras v, pobres.  respeito, apenas, ão para as suas casas”, acrescenta. “Ainda ontem uma senhora veio dizer-me que já não precisava da ajuda deste banco alimentar porque já tinha arranjado emprego”, testemunha com um ‘sorriso nos olhos’.

 

As Conferências Vicentinas

Na paróquia de Benfica, também as Conferências Vicentinas desenvolvem um importante papel na ajuda aos mais necessitados. “A missão das conferências é ajudar famílias carenciadas e essa ajuda, que é também em dinheiro, é possível porque há muitas pessoas que nos auxiliam com donativos”, salienta Natalina Martins, presidente da Conferência Vicentina feminina de Benfica. “Nós temos famílias a quem ajudamos com alimentos, provenientes do Banco Alimentar, temos algumas pessoas  a quem ajudamos monetariamente para poderem comprar medicamentos, pagar a renda da casa, os transportes... mas há também um caso de uma família de pobreza envergonhada”, conta o presidente da Conferência Vicentina masculina de Benfica, Vasco Atouguia. Em comum, estas duas conferências vicentinas deparam-se com a dificuldade de serem constituídas por poucos membros e todos de “idade já avançada”. “Não há maneira de conseguirmos revitalizar as conferências com gente mais nova”,  lamenta Vasco Atouguia.

 

Apoio na saúde

Para responder a uma necessidade de apoio psicológico, na paróquia de Benfica é possível encontrar, todas as semanas, uma ajuda especializada através da colaboração voluntária da psicóloga clínica Lurdes Barbosa, que está disponível para atender e ajudar, gratuitamente, os paroquianos em situação de diversas patologias. Semanalmente, recorrem aos serviços especializados desta psicóloga pessoas de diversas idades, que apenas precisam de fazer a sua marcação na recepção da paróquia. Segundo Lurdes Barbosa, o apoio psicológico “é eficaz em todas as idades, dependendo do método ou da técnica que se utiliza e a relação terapêutica é muito curativa, ou pelo menos traz muita qualidade de vida”, observa.

Também na área da saúde, o Gabinete de Enfermagem da paróquia de Benfica dispõe de uma equipa de doze enfermeiras disponível para responder a diversas necessidades. “Aqui, todos os dias, atendemos as pessoas para responder a qualquer informação. Fazemos a medição da tensão arterial, a determinação da glicémia, e temos medicamentos disponíveis que são doados pela população ou por algumas farmácias.  Estes medicamentos são revistos pelas enfermeiras e dados a quem necessitar mediante a apresentação da receita médica”, garante a enfermeira Laura Ferreira. “Sempre que necessário, fazemos também a administração de injeções”, acrescenta.

 

Visita a doentes, em casa e no hospital

A paróquia de Benfica insere-se numa freguesia que se caracteriza por ser um pouco envelhecida. Neste sentido, para ir ao encontro daqueles que estão doentes e já não podem sair de casa, existe na paróquia um grupo de visitadores de doentes. Para além da visita normal, estes doentes têm a oportunidade de receber a comunhão eucarística. “O visitador de doentes vai a casa dos doentes pelo menos uma vez na semana, acompanha-os ao médico, ao hospital, ajuda no que for preciso e até mesmo em alguns trabalhos em casa”, conta a coordenadora dos visitadores de doentes, Fátima Páscoa.  Para esta voluntária, realizar esta missão é algo que faz “com muito amor” e do qual retira grande recompensa. “Esta missão traz-me muita alegria porque eu dou a eles mas o retorno é ainda maior”, testemunha.

Nesta proximidade com os doentes da paróquia, Domingas Mendes, voluntária na Capelania do Hospital de Santa Maria, faz a ponte para uma maior atenção aos paroquianos hospitalizados. “Responsabilizei-me por informar a paróquia e o pároco sempre que algum paroquiano está hospitalizado. Da mesma forma, a paróquia informa-me quando tem conhecimento de alguma situação para que eu possa visitá-lo e levar-lhe a comunhão eucarística, se assim o desejar”, refere esta voluntária de Benfica.

 

Convívio de idosos

O ‘Grupo Renascer’ é outra das valências do Centro Social Paroquial de Benfica. Este grupo realiza diversas atividades com o objetivo de “dar testemunho do amor fraterno que deve ser mandamento primeiro de uma comunidade cristã, ajudar o idoso a garantir uma maior estabilidade na sua vida, seja física, emocional, psíquica e religiosa, e ajudar a exercitar o seu poder intelectual”. Desde o grupo coral aos trabalhos manuais, os Arraiolos e a pintura, até ao simples convívio, esta é também “uma forma de quebrar o isolamento e gerar uma integração social”, referem os estatutos deste grupo. “Ter esta possibilidade de conviver, de pintar, é algo que é muito importante para mim. É menos um comprimido que tomo”, observa a Dona Adelina, utente deste grupo.

 

O sector infantil

O jardim-de-infância de Nossa Senhora do Amparo, fundado em 4 de julho de 1965, destina-se a crianças entre os 3 e os 6 anos de idade, “com preferência pelas famílias com mais carências da paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica”. Enquanto pertença do Centro Social Paroquial de Benfica, a preocupação na formação das crianças que o frequentam passa, também, pela aprendizagem dos valores cristãos. Valores que segundo a coordenadora pedagógica desta escola, Susana Silva, “são universais”.

 

Maior procura de apoio

Com o agravar da crise económica que afecta o país, são cada vez mais as pessoas que solicitam o apoio junto do Centro Social Paroquial de Benfica ou da própria paróquia. “Neste momento temos uma outra faixa da sociedade que não estava habituada a pedir ajuda e que agora recorre aos nossos serviços”, destaca a assistente social Ana Paula Sequeira. Diante do desafio de ir ao encontro das diversas realidades, o centro social paroquial está atento para procurar responder às solicitações, mas segundo esta diretora técnica, “nem sempre é fácil”. “A maior dificuldade prende-se com a capacidade de resposta em meios materiais e em algumas situações em meios humanos”, frisa.

 

Crescer em motivação

Para o pároco desta comunidade, cónego José Traquina, o trabalho que se realiza na paróquia de Benfica já tem uma “expressão visível ao longo dos anos e com tradição própria” mas, considera, “é preciso crescer em motivação”. Testemunhando que ao longo da sua vida, enquanto pároco, aprendeu “muito com os leigos sobre esta dimensão da pastoral social”, o cónego Traquina sublinha que, mensalmente, se reúne com todos os grupos ligados a esta área da pastoral “para ir acompanhando as diversas situações”.

texto por Nuno Rosário Fernandes; fotos por paróquia de Benfica
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