Na semana em que se tornou pública a data de canonização de João XXIII e João Paulo II, o Papa Francisco reuniu com os oito cardeais seus conselheiros, e lembrou que não quer uma Igreja centrada no Vaticano. Aos Catequistas pediu coragem.
1. O dia 27 de abril de 2014, Domingo da Misericórdia, foi o dia escolhido pelo Papa Francisco para a canonização dos Papas João XXIII e João Paulo II. O anúncio foi feito na passada segunda-feira, dia 30 de setembro, durante o Consistório dos Cardeais que tinha como único ponto da agenda a canonização destes dois Papas. A escolha do Domingo da Misericórdia tem tudo a ver com João Paulo II e é uma profunda devoção do povo polaco que irradiou dos arredores de Cracóvia, a partir das revelações de Cristo a uma religiosa que o próprio João Paulo II viria a beatificar e a canonizar: a Santa Faustina Kowlaska.
No passado mês de julho aquando a viagem de regresso do Papa Francisco, do Rio de Janeiro, o pontífice tinha deixado, aos jornalistas, algumas notas sobre estes dois futuros santos. “João XXIII é uma figura do tipo pároco de aldeia, um padre que ama cada um dos fiéis e fê-lo também como núncio, como bispo… e fez tantos registos de baptismo falsos, na Turquia, para salvar os judeus; foi um corajoso, com grande sentido de humor e uma grande santidade, manso e humilde. Quanto a João Paulo II, foi um grande missionário da Igreja, um homem que levou o Evangelho a todo o lado – e fez tantas viagens! – sentia o fogo de levar por diante a Palavra do Senhor, era um São Paulo! E isto, para mim, é grandioso!”, acentuou o Papa Francisco.
2. Esta semana que passou ficou também marcada pelo encontro com cerca de 1600 catequistas para celebrar o Ano da Fé. Aos educadores o Papa Francisco afirmou que “ser catequista não é só dar catequese! Ser catequista envolve a vida toda, exige amor!”. Francisco recordou aos catequistas reunidos no Vaticano que primeiro é preciso familiaridade com Cristo na oração e depois sair de si para ir ao encontro dos outros, sem medo nem cobardia. “Não tenham medo de sair. Se um catequista se deixa tomar pelo medo, é um cobarde! Se um catequista está sossegado, acaba por ficar uma estátua de museu… e já temos muitas! Nada de estátuas de museu!” apelou. “Se um catequista é rígido, torna-se encarquilhados e estéril. Pergunto-vos: algum de vós quer ser cobarde, estátua de museu ou estéril? Não? Ainda bem!”, concluiu Francisco interpelando os catequistas.
O congresso internacional dos catequistas encerrou com a Eucaristia, no Domingo dia 28 de setembro, com uma missa presidida pelo Papa Francisco, onde lembrou que “o catequista é um cristão que traz em si a memória de Deus, deixa-se guiar pela memória de Deus em toda a sua vida, e sabe despertá-la no coração dos outros. Isto é difícil! Compromete a vida toda!”, frisou.
3. O Papa Francisco esteve esta semana reunido com os 8 cardeais que escolheu para seus conselheiros para a efetuar reforma da Cúria. Escolhidos a dedo, os ‘C8’, como foram chamados, são originários dos 5 continentes, e devem ajudar Francisco a governar a Igreja e a reformar a Cúria. Segundo revelou o Vaticano, neste encontro estiveram em cima da mesa cerca de 80 documentos e relatórios, recolhidos em consultas quer pelo próprio Papa, quer pelos 8 cardeais e que durante 3 dias foram discutidos à porta fechada. Os trabalhos foram coordenados pelo cardeal Maradiaga, das Honduras. No documento publicado esta semana e que oficializa este conselho de cardeais, Francisco explica que este conselho de cardeais é mais uma expressão da comunhão episcopal de ajuda ao Papa a que são chamados os bispos de todo o mundo.
4. “Não se pode conhecer Jesus sem ter problemas. E até arrisco dizer: ‘Se queres ter um problema, segue o caminho de conhecer Jesus… e não terás um, mas vários!’”, referiu o Papa Francisco na quinta-feira, 26 de setembro, na Eucaristia a que presidiu na Casa de Santa Marta, no Vaticano. Salientando que para conhecer Jesus é preciso envolver-se com Ele na vida e nos problemas do dia a dia, o Papa Francisco garantiu que “não se consegue conhecer Jesus tranquilamente sentados na primeira classe, nem dentro da biblioteca” e recordou que há 3 tipos de linguagem que se articulam para conhecer Jesus: “inteligência, coração e a linguagem da ação”.
5. O desemprego dos jovens e a solidão dos idosos são os piores males que afligem o Papa. Na conversa com o director do La Repubblica, Francisco diz que não gosta de vaidosos – diz mesmo que o narcisismo é um distúrbio mental e o pior é que atinge quase sempre quem está no poder, incluindo dentro da Igreja! Mais: Francisco refere que “a corte é a lepra do papado!”
Sobre a Cúria Romana, o Papa quer que ela volte a ser uma comunidade ao serviço do povo de Deus, “não tão centrada no Vaticano como até agora”. Afirmando-se contra uma Igreja clerical, o Papa Francisco aposta no diálogo com todos e revela os santos da sua preferência e as emoções que teve quando o elegeram Papa.
Sobre o Conselho dos oito cardeais, Francisco define-os como “sábios, nada cortesãos, homens que conhecem bem o terreno e partilham os mesmos sentimentos do Sucessor de Pedro”, por isso, capazes de o ajudar a percorrer o caminho da Igreja com “firmeza, prudência e tenacidade”.
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