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Imagem Peregrina de Fátima visita vigararia de Cascais
Maria é sinal obrigatório para a Igreja
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O Patriarca de Lisboa considera que foi “decisiva e importante” a publicação da documentação crítica de Fátima. Na preparação da vigararia de Cascais para a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, a acontecer entre os dias 13 e 20 de outubro, D. Manuel Clemente refletiu sobre o papel de Maria em Portugal, que apontou como “um sinal obrigatório” a seguir.

 

“A Igreja nasce da cruz de Jesus e do Pentecostes com o seu Espírito sempre com a presença de Maria”, começou por dizer o Patriarca de Lisboa no Auditório da Boa Nova, no Estoril, diante de uma plateia que, assim, preparava a visita da imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à vigararia de Cascais, que vai decorrer entre os dias 13 e 20 de outubro.

Sublinhando que “Cristo nasce de Maria e a Igreja nasce com Maria e de Maria, D. Manuel Clemente lembrou que  “a presença de Maria é uma verdade permanente” na Igreja. “A Igreja aparece no mundo com Maria e com a sua presença permanente”, destacou acentuando, ainda, que “o Concílio, há 50 anos, quando refletiu sobre a Igreja, dedicou o último capítulo do documento sobre a Igreja a Maria”.

Segundo o Patriarca de Lisboa, para os cristãos, católicos, “Maria é definição, critério, luz para o seguimento de Cristo”, e o lugar de Maria na Igreja situa-se no “apontar para Jesus Cristo”. ‘Façam o que Ele vos disser’, disse Maria aos discípulos e diz a nós ainda hoje”, observou.

 

Evolução da devoção mariana em Portugal

Reflectindo sobre a relação de Nossa Senhora de Fátima e Portugal D. Manuel Clemente, ao longo de cerca de uma hora de conferencia, repassou a história de Portugal e a sua relação com Maria que, frisou, nasceu ainda muito antes de Fátima. “O papel de Maria na história portuguesa não começou em Fátima, em 1917, começou antes de Portugal nascer”, afirmou.

Segundo explicou, na Península Ibérica a grande devoção mariana era celebrada no dia 18 de dezembro. “Era designada por ‘Nossa Senhora da Expectação’, ‘Nossa Senhora do Ó’. Era assim até Portugal nascer no primeiro milénio”, comentou. Esta devoção mariana vai, depois, dar lugar a outra, na altura da fundação da nacionalidade, a ‘Senhora da Assunção’. Uma devoção que, refere D. Manuel Clemente,  “se vai prolongar até ao século XVII”. “Todas as antigas catedrais portuguesas têm como padroeira a Senhora da Assunção, mesmo que não se chamasse assim. A designação mais comum era Santa Maria, em vez de Nossa Senhora. Era a grande devoção portuguesa, ‘Nossa Senhora da Assunção’ padroeira de Portugal”, explicou o Patriarca de Lisboa que é também historiador.

Entretanto nos séculos XVI e XVII verifica-se uma nova alteração na forma como começa a ser designada Nossa Senhora, pelo título mariano que lhe é atribuído. “O titulo mariano passará a ser Imaculada Conceição. E este tem um reforço muito importante no século XIX, com a proclamação do Dogma da Imaculada Conceição de Maria, pelo Papa Pio IX, em 1854”, referiu D. Manuel Clemente.

Segundo o Patriarca de Lisboa nesta época “o ambiente católico vai ter uma repercussão natural”, que se vai manifestar na construção do grande monumento a Nossa Senhora da Conceição em Portugal, no Sameiro. “É o grande pólo da devoção mariana em Portugal”, garantiu D. Manuel Clemente salientando que “em 1904 acontece a primeira grande peregrinação mariana em Portugal, ao Sameiro, ao celebrar os 50 anos do dogma da Imaculada Conceição.

 

Maria marca catolicismo português

Nesta evolução história e religiosa da presença e da devoção de Maria em Portugal e da sua importância, a partir de 1917, com as aparições de Nossa Senhora em Fátima, há novas alterações que deixam marcas até hoje.  Fátima é, segundo D. Manuel Clemente “outra afirmação mariana em Portugal que vai marcar e caracterizar, de maneira fortíssima, o catolicismo português”.

Das aparições de Fátima que se verificam através de três crianças que “começam a afirmar que viram uma senhora que lhes disse que era preciso rezar muito, conversão e penitência”, surgem reações diversas que foram registadas e documentadas e que podem até ser consultadas. O conhecimento destas fontes teve um papel importante no estudo destas aparições.  “Foi decisiva a publicação da documentação crítica de Fátima”, afirmou D. Manuel Clemente “O recolher todos os testemunhos, todos os documentos, todas as fontes, sobre o que aconteceu entre maio e outubro de 1917, na Cova da Iria quer depois os desenvolvimentos que isso teve, permite-nos, hoje, dispor do fenómeno de Fátima em bruto e saber o que aquelas crianças disseram naquela altura”.

 

A mensagem essencial

No entender de D. Manuel Clemente, de toda a evolução da devoção mariana em Portugal e das aparições de Nossa Senhora em Fátima, “é importante perceber o cerne da mensagem”. “É preciso guardar o Evangelho a sério”, apelou exemplificando com as mudanças que aconteceram, depois disso, na vida daquelas crianças. “É importante perceber a mudança daquelas crianças, a maneira como as crianças aderem e correspondem ao que a Senhora lhes disse”, comentou.

Não apenas em termos religiosos, as aparições de Fátima trouxeram mudanças para o país. “Fátima teve uma grande projeção que foi definitiva”, referiu o Patriarca de Lisboa explicando que a partir de 1917,”ainda que tudo o que lá tenha acontecido só tivesse sido pronunciado como digno de fé em 1930, o que aconteceu a seguir deu uma centralidade ao catolicismo português, estável, em termos de devoção e de vida eclesial em geral, como nunca tinha acontecido”. Nesse aspecto, reforça D. Manuel Clemente, “Portugal é um país sui generis. A Igreja em Portugal tem uma naturalidade mariana ímpar”, garantiu.

 

Fátima deu uma unidade mariana à Igreja portuguesa

A visita dos papas a Fátima, a concentração de movimentos, congregações, e outros institutos naquele lugar, e a própria reunião dos bispos em Fátima são, segundo o Patriarca de Lisboa, alguns elementos que comprovam a marca de Fátima. “No conjunto das Igrejas europeias, Portugal foi dos países que mais absorveu, no seu melhor, a reforma litúrgica do Concílio. Isso significa as semanas de pastoral litúrgica realizadas, há mais de 30 anos, em Fátima. E isto é uma marca também de Fátima”, apontou, indicando outros exemplos similares. Neste sentido, D. Manuel Clemente considera que “Fátima deu uma unidade mariana à Igreja portuguesa”.

 

Papas apontam Maria

Outras ‘coincidências’ foram apontadas pelo Patriarca de Lisboa para valorizar o peso de Fátima na Igreja, não apenas em Portugal mas também no mundo. “O Papa Pio XII foi ordenado bispo no dia 13 de maio de 1917, na hora das aparições de Fátima. Ele foi o primeiro a consagrar o mundo ao Imaculado Coração de maria”, relevou sublinhando que “as duas grandes consagrações do mundo ao Sagrado Coração de Jesus pelo Papa Leão XIII e ao Imaculado Coração de Maria, pelo Papa Pio XII, tiveram origem em Portugal”. Por fim, D. Manuel Clemente recordou aos presentes que o Beato João Paulo II sobreviveu ao atentado no dia 13 de maio de 1981 e que o Papa Francisco lembra que num dia 13 de maio teve conhecimento da sua nomeação de bispo”. Por isso, refere, “a visita dos Papas a Fátima são um reforço e um sinal do que Maria é. É um sinal obrigatório”.

 

Imagem peregrina em Cascais

Entre os próximos dias 13 e 20 de outubro, uma das imagens peregrinas de Fátima vai visitar a vigararia de Cascais, numa iniciativa que vai abranger não apenas as paróquias mas também outras entidades civis.

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Em declarações ao Jornal VOZ DA VERDADE o vigário da vigararia de Cascais, padre Ricardo Neves, explicou que a ideia desta visita nasceu com o intuito de “encerrar o ano da fé e confirmar a fé e o percurso de aprofundamento” feito “da vida da fé”, e por outro lado pretende “passar da fé vivida e celebrada a uma fé cada vez mais evangelizadora”.

Segundo este sacerdote, pároco de Santo António do Estoril, as  comunidades de Estoril e Cascais “são muito numerosas e as celebrações têm muita gente, mas a percentagem dos que estão fora deste encontro com Nosso Senhor é muito maior”, afirmou. Neste sentido esta visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima à vigararia é uma resposta a um objectivo concreto: “Precisamos, queremos e sentimos que é esse o desafio de Deus: imprimir nas nossas comunidades o sentido evangelizador permanente”.

 

Sinal de anúncio

Na opinião do padre Ricardo Neves a vinda da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima a Cascais, “com o que ela tem de atração natural sobre os portugueses e até especialmente nesta zona”, pode ser “um sinal de anúncio e por outro lado um sinal para a comunidade de que precisamos de ir para a rua e de nos aventurarmos nesta ação evangelizadora”.

A conferencia com o Patriarca de Lisboa e o Terço Vivo, de modo especial, realizado pelos jovens em Cascais foram, assim, dois momentos de preparação para esta peregrinação que vai acontecer naquela vigararia.  “O Terço Vivo foi um momento bonito, marcado pelo silêncio e o respeito com que decorreu. Isso deu-nos a perceber que as pessoas estão à espera de qualquer coisa. Parece que é este o caminho e queremos intensificar esta dinâmica”, evangelizadora, garantiu o padre Ricardo Neves.

 

Consagração da vigararia

O programa desta visita começa no dia 13 de outubro, pelas 18h30 com a chegada da imagem à igreja da Boa Nova, ao que se segue uma missa presidida por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar seguida de procissão até à igreja de São João do Estoril.

Até ao dia 20 de outubro a imagem vai percorrer as nove paróquias que compõem a vigararia e, segundo o vigário, algumas instituições do concelho. A imagem vai a um quartel dos bombeiros, a uma prisão a escolas, a instituições que representam o movimento social e dinâmicas humanas no concelho”, observou.

A terminar a visita, no dia 19 de outubro será realizada uma vigília para os jovens, e no dia 20 procissão pela marginal, desde a igreja de Cascais até Santo António do Estoril. Daí a imagem seguirá para os jardins do Casino do Estoril onde será celebrada eucaristia presidida pelo Patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente. “Nessa celebração faremos a consagração da vigararia a Nossa Senhora de Fátima pedindo a bênção e as ajudas que todos precisamos para as várias necessidades desta vida, quer humana quer eclesial”, adiantou o padre Ricardo Neves.

texto por Nuno Rosário Fernandes; fotos por Diogo Paiva Brandão
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