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Diácono permanente Adelino Escudeiro celebra 25 anos de ordenação
Uma missão diferente
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Começou por querer ser padre mas por motivos de saúde teve de deixar o seminário. Hoje é diácono permanente e na sua simplicidade de vida o diácono Adelino Escudeiro testemunha, ao Jornal VOZ DA VERDADE, 25 anos de alegria da missão.

 

Adelino dos Santos Escudeiro nasceu em 20 de julho de 1940, em Rexaldia, Torres Novas, atualmente Diocese de Santarém. Enquanto criança frequentou a catequese e teve um percurso que considera “normal”. No entanto, em dado momento da sua vida, a pequena aldeia de Rexaldia começa a receber a visita de um padre dos Missionários da Boa Nova, amigo de seu pai que trabalhava no Seminário de Tomar. “Era um padre que andava pelo país a fazer promoção vocacional. Esteve na minha aldeia e falou comigo”, conta o diácono Adelino Escudeiro ao Jornal VOZ DA VERDADE.

Aos 11 anos decidiu entrar no seminário missionário, embora inicialmente a sua preferência fosse o seminário diocesano de Santarém, que nessa época pertencia à Diocese de Lisboa. “Inicialmente gostaria de ir para o Seminário de Santarém porque os colegas da minha aldeia iam todos para lá. Mas com a convivência com os padres da Sociedade Missionária comecei a encaminhar-me para Tomar”, explica.

 

Percurso interrompido

Adelino Escudeiro esteve, então, nos seminários de Tomar, Cernache do Bom Jardim e Cucujães e aos 19 anos, contrariando o que poderiam ser as suas expectativas, teve de abandonar o seminário. Motivado por uma deficiência num olho, por precaução, o médico aconselhou-o a deixar a formação para o sacerdócio. “Saí do seminário porque tive uma deficiência na vista esquerda, que permaneceu por toda a minha vida. Fui ao especialista que me disse que com a continuação dos estudos poderia fraquejar também a outra vista e, portanto, aconselhou-me a sair. Confrontado com essa informação, o reitor do seminário disse-me que era melhor não continuar no seminário”, recorda o diácono Adelino Escudeiro.

 

O primeiro trabalho

Após deixar o seminário da Sociedade da Boa Nova, nos finais dos anos 50, regressou à sua aldeia de Rexaldia e começou a trabalhar. “O meu pai, por intermédio de um sacerdote do seminário, arranjou-me trabalho no colégio Nuno Álvares, em Tomar. Nesse ano iria para trabalhar e no ano seguinte deveria continuar a estudar lá”, refere.

No entanto, após esse primeiro ano de trabalho, Adelino Escudeiro não quis continuar naquele colégio privado. “Quando cheguei ao fim do ano senti-me aborrecido com a forma como os alunos eram tratados. O diretor era de uma exigência e dureza tão grande que me incomodava. Por isso, quando chegaram as férias decidi não regressar”.

 

Chegada a Lisboa

Tendo saído do colégio e regressando a Rexaldia, o jovem Adelino é confrontado com uma solicitação de um padre de Lisboa que precisava de alguém para trabalhar. “Numa aldeia vizinha, o cunhado do pároco de Carnaxide e depois de Algés, padre Manuel dos Reis Escudeiro, tinha questionado o meu pai se conhecia alguém que quisesse vir para Lisboa trabalhar. Como eu tinha acabado de chegar a casa, o meu pai falou comigo e eu acedi imediatamente ao pedido. A 22 de agosto de 1959 apresentei-me em Algés”, conta.

 

A sobrinha do padre

Durante toda a sua vida, Adelino Escudeiro permaneceu em Algés como funcionário paroquial. “Estou aqui desde a criação da paróquia de Algés, em 1966. Nos anos anteriores trabalhei na paróquia de Carnaxide”, salienta. Tendo ali permanecido constituiu família, com laços muito próximos do pároco. “Casei com uma sobrinha do padre Escudeiro – revela com alguma graça – e apesar de não ter tido filhos, fui sempre muito feliz”, destacou ao Jornal VOZ DA VERDADE.

 

Uma missão diferente

No que se refere ao trabalho que realizava nas paróquias era muito diversificado mas com uma componente comum. “Toda a minha vida tenho sido empregado da paróquia. Fazia os assentos de batismo, processos de casamento, era empregado do cartório, sacristão... era tudo o que estivesse relacionado com a paróquia”. Era e é, porque, se enquanto jovem a vocação sacerdotal de Adelino Escudeiro não se concretizou por motivos de saúde, muitos anos mais tarde Deus confiou-lhe uma missão diferente. Com a chegada do novo pároco de Algés, cónego João Ferreira, Adelino Escudeiro é confrontado com uma proposta. “Em meados dos anos 80 houve um encontro, em Fátima, sobre o diaconado permanente. O cónego João Ferreira convidou-me a ir com ele. Depois desse encontro, talvez dois anos depois, foram abertas inscrições para o diaconado permanente no Patriarcado de Lisboa. Foi aí que me foi feita a proposta para me inscrever”.

 

Primeiro hesitação... depois aceitação

No entanto, diante deste convite Adelino Escudeiro hesitou. "No primeiro ano meti a inscrição na gaveta de uma secretária e o tempo foi passando... Por isso, não me inscrevi nesse ano. Mas no ano seguinte decidi e fiz então a inscrição”. Como é normal nestes processos foi necessário o acordo da sua esposa, “que sempre manifestou o seu apoio”, e iniciou a formação no Seminário dos Olivais, integrado no segundo grupo de diáconos permanentes formados na Diocese de Lisboa. Tinha 47 anos quando foi ordenado. “Fiz a formação de três anos no Seminário dos Olivais e fui então ordenado diácono permanente a 3 de julho de 1988. O primeiro grupo de Lisboa a ser ordenado tinha sido ordenado um ano antes”, observa.

Hoje, viúvo e aos 73 anos, testemunha a felicidade pela sua missão e faz questão de frisar que a sua esposa “sempre ajudou” neste caminho.

 

Uma necessidade para a Igreja

Na perspectiva do diácono Adelino Escudeiro, o diaconado permanente “é uma necessidade para a Igreja, não por falta de operários mas como o fechar de uma lacuna”. “Um diácono pode, mais facilmente, integrar-se na vida da comunidade do que um sacerdote”, explica. “O sacerdote tem as suas especificidades, mas um diácono, por vezes, na vida normal é mais aceite que o próprio sacerdote”, refere.

“Eu, porém, sinto-me um servo inútil”, comenta o diácono Adelino apontando para um livro de testemunhos escritos que recebeu no dia dos 25 anos de ordenação, de pessoas “que demonstram o trabalho que o diácono pode ir fazendo na comunidade”.

 

Disponível para servir

Na base da vocação do diácono permanente está, segundo o diácono Adelino Escudeiro, “o sentido da disponibilidade que é necessária para exercer este ministério”. “Sinto-me totalmente disponível para todas as situações que me são requeridas. E o que mais desejo é ser disponível para aquilo que for preciso”, garante testemunhando ao Jornal VOZ DA VERDADE que “em parte” tem conseguido isso, “mas há sempre muitas coisas a emendar para crescer um pouco mais”.

Embora o diaconado permanente esteja presente na Diocese de Lisboa desde há 26 anos, a distinção entre o que é ser padre e diácono permanente ainda não é muito clara para algumas pessoas. “Por vezes ainda sou confundido como padre, mas eu tenho sempre o cuidado de marcar a diferença”, sublinha.

 

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98 diáconos permanentes em 26 anos

Desde o início do diaconado permanente no Patriarcado de Lisboa, em meados dos anos 80, foram ordenados 98 diáconos permanentes. No exercício do ministério mantêm-se atualmente 82, sendo que seis desses diáconos estão jubilados. Desde os primeiros diáconos ordenados, em 1987, faleceram 14 e dois passaram ao estado laical.

 

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O diácono na Igreja

O serviço dos diáconos na Igreja é documentado desde os tempos apostólicos. Uma tradição consolidada, atestada já por Ireneu e que confluiu na liturgia da ordenação, viu o início do diaconado no acontecimento da instituição dos «sete», de que falam os Actos dos Apóstolos (6, 1-6). No grau inicial da hierarquia sagrada estão portanto os diáconos, cujo ministério foi sempre tido em grande honra na Igreja. (…)

O diaconado permanente constitui um enriquecimento importante para a missão da Igreja. Uma vez que os munera que competem aos diáconos são necessários à vida da Igreja, é conveniente e útil que, sobretudo nos territórios de missão, os homens que na Igreja são chamados a um ministério verdadeiramente diaconal, quer na vida litúrgica e pastoral, quer nas obras sociais e caritativas, ‘sejam fortificados por meio da imposição das mãos, transmitida desde o tempo dos Apóstolos e sejam mais estreitamente unidos ao altar, para poder explicar mais frutuosamente o seu ministério com a ajuda da graça sacramental do diaconado’.

In Normas Fundamentais para a Formação dos Diáconos Permanentes.

 

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5 diáconos permanentes ordenados em 1988

No mesmo dia em que foi ordenado o diácono Adelino Escudeiro, a 3 de julho de 1988, foram também ordenados diáconos permanentes Alberto Elísio de Castro Ferreira, Manuel Gonçalves Rocha, João Teixeira Soares e Arlindo Rodrigues da Costa Madaleno, já falecido.

texto e fotos por Nuno Rosário Fernandes
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