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Paulus edita biografia
D. Manuel Clemente – Patriarca de Lisboa
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Foi publicada esta semana, pela Paulus Editora, uma obra biográfica sobre D. Manuel Clemente, o novo Patriarca da Lisboa. Numa parceria com a editora, o Jornal VOZ DA VERDADE publica excertos de cada um dos três capítulos do livro.

 

Introdução

D. Manuel é um excelente comunicador e respeitado intelectual. É uma figura reconhecida tanto no meio eclesial como no meio cultural, social e político.

Há, porém, muitas outras qualidades e curiosidades sobre o novo Patriarca de Lisboa que poucos conhecem. Nesta pequena biografia recordamos diversos episódios da vida de D. Manuel que foram fundamentais para a construção da sua identidade e para a edificação do grande sacerdote e bispo que hoje é. Detalhes que moldam uma vida e nos fazem simpatizar ainda mais com o menino Manel, de Torres Vedras, que retorna a Lisboa depois de por aqui ter passado várias vezes. A relação com a família e com

os amigos, as raízes da sua vocação e das suas paixões – por Cristo, pela Igreja, pelo conhecimento, pela História, pelo Escutismo e muitas outras – são aqui apresentadas de uma forma simples e intimista, bem ao estilo do novo bispo da capital.

Num segundo momento apresentamos um pequeno glossário com palavras de D. Manuel sobre os temas mais prementes da Igreja e da sociedade atual. Descobrimos um homem de muitas palavras e reflexões, que tem muito a ensinar-nos. Um homem de pensamento, que gosta de analisar o presente e o passado a fim de contribuir para a construção do futuro.

Um futuro certamente cheio de desafios, com diversas questões delicadas às quais responder. Aprofundaremos sete destes desafios, o número da perfeição que esperamos prenuncie a perfeição com que D. Manuel responderá a cada um deles. Nos anos que esteve como bispo do Porto já demonstrou ser um verdadeiro pastor que sabe conduzir o seu rebanho e protegê-lo contra os perigos internos e externos.

Esperamos confiantes que este mesmo dinamismo e coragem continue a marcar o seu ministério em Lisboa, contando para isso com o apoio e ajuda de toda a Igreja, especialmente dos leigos empenhados e dos diversos carismas da vida religiosa, nem sempre valorizados. A Igreja é chamada a viver em perfeita unidade, por isso somos todos conduzidos pelo Espírito Santo recebido no dia de Pentecostes (…).

No meio de uma grande crise económica, de vocações e principalmente de valores, o novo Patriarca de Lisboa será certamente a voz de referência da Igreja no diálogo com a sociedade portuguesa e com o governo civil. Que a profunda lucidez e seriedade que sempre o caracterizou sejam ainda mais visíveis e eficazes neste novo serviço. Acompanhamo-lo com as nossas orações e ajuda.

Que este livro seja um contributo para todos os cristãos portugueses, especialmente os do patriarcado de Lisboa, para que conheçam melhor o seu pastor, pois ao conhecê-lo mais de perto certamente encontrarão o pastor, o mestre, o amigo, o Patriarca que precisamos.

 

Biografia

(…) Sorrir é também um verbo muitas vezes conjugado por todos os que conhecem D. Manuel Clemente – tal como a boa disposição. Gostava de pregar partidas às empregadas da família. Enquanto elas almoçavam, escondia-se debaixo da mesa para brincar. Ia aos armários da cozinha tirar as tampas das panelas e dos tachos e fazia orquestras com a irmã mais nova, Maria Sofia. Corria pelos corredores para jogar à apanhada. Na casa da família, havia um burburinho constante pelos amigos que entravam e saíam, conversavam, divertiam-se e corriam pelos dois longos corredores

que se ligam um ao outro. Fora de casa, mesmo ali ao lado, na antiga Praça da Batata, junto à Igreja de São Tiago, Manuel jogava à bola e ao berlinde. «Era

uma criança normal como todas as outras», recordam as irmãs Margarida, hoje com setenta e um anos, e Maria Sofia Clemente, de sessenta e um. Manuel foi desde muito pequeno o «menino

dos porquês». Passava o tempo a querer satisfazer a sua curiosidade: «Porquê isto? Porquê aquilo?» (…)

 

Pensamento

“Culto” é a palavra que mais aparece nas definições que todos dão de D. Manuel Clemente. Homem de fé, que sabe transmitir aquilo em que crê, e homem de cultura, que comunica o seu pensamento com clareza. As palavras saem-lhe espontâneas e lúcidas, e toda a gente gosta de o ouvir. Quer pela palavra escrita,

quer pela palavra falada, as suas comunicações são profundas, densas de significado e esclarecedoras. (…)

Domina a arte da palavra como ninguém e as suas comunicações são afetivas e exortativas. Quem o ouve ou lê sente-se estimulado pela mensagem transmitida. Exorta frequentemente e especialmente à coerência, ao testemunho, ao conhecimento, à verdade, à justiça, à caridade.

Interpela a todos – jovens, idosos, casais, sacerdotes, diáconos, religiosos, leigos, professores – a crescerem na fé, a fazerem uma experiencia forte de

Cristo, a não se deixarem dominar pela mentalidade do tempo presente, mas a deixarem-se conduzir por Cristo, que tem «palavras de vida eterna».

A Palavra de Deus é sempre o ponto de partida para o desenvolvimento de uma ideia ou reflexão, complementada depois com o magistério da Igreja, através das encíclicas e exortações papais, e dos documentos do Concilio Vaticano II. (…)

Tornar a vida cristã acessível a todos e dar razões da fé é a sua arte. Fá-lo por vocação e com espírito de missão. Procurando ir ao encontro de todos e garantir que da compreensão se passe à ação.

É um homem de diálogo, firme nas suas convicções mas aberto ao confronto de ideias para encontrar a verdade. É sobretudo alguém com quem dá gosto

dialogar, seja em privado ou em público. Porque nos faz sentir acolhidos e livres de expressar o nosso pensamento. Para depois, como bom mestre, ajudar a aprofundar a razão das coisas e ver a historia e a realidade com mais profundidade.

Os seus textos dizem-nos também que a Historia é a sua paixão. Talvez por isso não se deixe perturbar pelos acontecimentos e sabe separar o «trigo do joio». O seu olhar de historiador conduz-nos ao conhecimento de nós mesmos, da nossa história, cultura e fé. Daqui deriva um pensamento lúcido sobre a sociedade, a política, a economia, a antropologia, as religiões, a Bíblia, a igreja, a ciência, etc.

 

Desafios

(…) A Igreja precisa, hoje, de pessoas fortes em termos culturais e intelectuais mas que, ao mesmo tempo, sejam capazes de andar neste mundo junto com às pessoas do mundo. A imagem do cardeal Bergoglio a andar de transportes públicos ou a comprar o jornal no quiosque revela uma pessoa próxima, que se abeira das pessoas e fala com elas.

É impossível olhar para a eleição do Patriarca de Lisboa e não ver ali também a inspiração do novo Papa. Quando no Porto, D. Manuel Clemente andava de transportes públicos e chegou a fazer confissões numa paróquia, como qualquer outro sacerdote. São gestos de proximidade que lhe granjearam uma multidão de admiradores que ficou

desolada com a sua nomeação para Lisboa.

(…)Espera-se que D. Manuel Clemente consiga chegar aos fiéis de Lisboa com uma abordagem mais pastoral e próxima, que saia de dentro da igreja e caminhe na rua com as pessoas, conforme exemplo do próprio Papa Francisco, cuja eleição pelos cardeais no último Conclave foi uma indicação clara de que este é o caminho a seguir pela Igreja nos próximos tempos.

Os tempos não são fáceis, pois a laicização da sociedade coloca a Igreja desafios que nunca tinham sido colocados na sua historia, e obriga a uma mudança de atitude pastoral que possa chegar a todos, sem nunca alterar os princípios básicos da fé em

que se sustenta. Foi neste sentido que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) aprovou as linhas de ação que resultaram do estudo Repensar a Pastoral da Igreja em Portugal, cujas notas finais foram conhecidas em abril de 2013. As prioridades definidas passam pela criação de «comunidades de comunhão e oração», mas também que «sejam autênticas escolas de vivência da fé e da comunhão», onde «a missão como empenho da comunidade toda e de todos os seus membros» seja uma realidade. Lisboa não foge do diagnóstico traçado para o resto do país, pese embora tenha as suas especificidades. Neste sentido, os desafios que se colocam a D. Manuel Clemente, e que exploramos nas próximas páginas, seguem os temas que a própria Igreja definiu como prioridades: a

iniciação crista e a formação das comunidades, seja de leigos, seja do próprio clero; a organização das comunidades e paróquias; o combate a laicização da sociedade; o diálogo com os jovens, que foi um dos pedidos que os bispos mais ouviram ao serem confrontados com os resultados dos inquéritos. (…)

 

_________________


Sinopse

A obra ‘D. Manuel Clemente – Patriarca de Lisboa’ apresenta uma biografia do recém-eleito Patriarca de Lisboa e um elenco dos principais desafios que o aguardam na condução do Patriarcado, bem como uma seleção de pensamentos sobre os temas mais pertinentes para a Igreja e a sociedade atual.

Escrito por 3 jornalistas da revista ‘Família Cristã’, este livro ajuda a conhecer melhor esta figura reconhecida tanto no meio eclesial quanto no meio cultural, social e político. O livro relata diversos episódios da vida de D. Manuel que foram fundamentais para a construção da sua identidade e para a edificação do sacerdote e bispo que é hoje. A relação com a família e com os amigos, as raízes da sua vocação e das suas paixões – por Cristo, pela Igreja, pelo conhecimento, pela História, pelo escutismo e muitas outras – são apresentadas de uma forma simples e intimista.

Num segundo momento, o livro apresenta um pequeno glossário com o pensamento de D. Manuel sobre alguns dos temas mais prementes da Igreja e da sociedade atual. ‘D. Manuel Clemente – Patriarca da Lisboa’ apresenta o pensamento do novo Patriarca sobre temas como Igreja, Alegria, Ateísmo, Celibato, Crise Social, Solidariedade, entre outros.

Por fim, o livro elenca alguns dos desafios que esperam D. Manuel Clemente na condução do Patriarcado de Lisboa.

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