Missão |
Inês Faustino
Recebestes de graça, dai de graça
<<
1/
>>
Imagem

Inês Faustino cresceu a ouvir falar de Jesus Cristo e, cedo, se identificou com a Sua proposta e a assumiu para si. Aos 12 anos começa a sentir que Deus a chama a servi-Lo junto dos pobres.

 

Na altura, Inês não se apercebeu, mas começou ali o seu processo de discernimento e de escuta, umas vezes mais atenta, outras mais ausente e distraída. 17 anos depois, o convite de Deus permanecia firme. É, então, com 29 anos, que Inês sente a maturidade para dizer SIM a tamanho apelo. Em Fevereiro de 2011, parte rumo a Mecanelhas, Moçambique, e com os Missionários da Consolata, trabalha durante dois anos com o povo Macua.

 

A marca do Movimento Shalom

Inês Faustino fez o seu percurso cristão na Paróquia do Coração Imaculado de Maria, no Cacém. Terminada a catequese, ingressa no Movimento Shalom, “grupo de jovens que conhecia desde menina e com o qual fui crescendo, não fosse o meu pai um dos membros que viveu este Movimento em Angola e o ‘trouxe’, juntamente com outros, para Lisboa, nomeadamente para o Cacém.” O Tiago, seu irmão mais velho, também já pertencia ao Movimento e, curiosamente, animou o grupo que Inês integrava. “Como que por ‘sucessão geracional’ tinha chegado o tão esperado momento de entrar para o Movimento: primeiro o meu pai, depois o meu irmão e agora eu. Estaria no sangue? Não sei, mas na vivência e no ambiente em que crescia, sim, estava sem dúvida.” Inês recorda com carinho e emoção o testemunho do seu pai no encerramento do seu Encontro Inicial, momento que marca a sua entrada e opção pelo Movimento Shalom, “na partilha de testemunhos e emoções, uma das tradições mais bonitas deste momento, a intervenção do meu pai, na sua vertente quadrupla, foi muito especial: como ancião do Movimento no Cacém, como representante da Associação Amigos Shalom, e como pai do Tiago (animador do grupo) e meu!” A pertença ao Movimento Shalom foi um grande marco na vida de Inês. Ali viveu momentos fortes de aprendizagem pessoal e, sobretudo de grupo, de responsabilidade, liberdade e crescimento na fé.

 

Firmeza na opção de partir em missão

Em 2005, então com 23 anos, inicia aquilo a que apelida da sua “odisseia de partir em missão”. O desejo profundo e a consciência crítica de atenuar as desigualdades sentia-os desde criança. Agora, adulta, sabia que a sua vida teria que ser de serviço numa missão humanitária. O percurso foi longo e difícil. Levada pela amiga Andreia Carvalho, também ela do Movimento Shalom, à sessão de apresentação dos Leigos para o Desenvolvimento (LD), Inês ficou encantada com o que apresentavam e com a formação que ofereciam. Decidiu ali que o caminho seria aquele. No entanto, o início do estágio em Medicina Veterinária obrigou-a a desistir da formação. Dois anos mais tarde, volta a inscrever-se, mas problemas pessoais levam-na de novo a abandonar o percurso. Em final de 2009, regressa cheia de determinação. “Incrível como a vontade fica lá, e como podemos ser tão persistentes”, afirma. Desta vez, concluiu o percurso de formação até à fase de seleção final. “À terceira é de vez!”, pensou. Depois de fazer Exercícios Espirituais de sete dias, e num profundo discernimento feito lado a lado com Jesus Cristo, não teve dúvidas. Partir em missão era o caminho! Ainda sem saber se tinha sido selecionada, mas convicta de que Deus a chamava a partir, Inês, médica veterinária, pediu a demissão do Hospital Veterinário de Almada, onde trabalhava há quatro anos. E, uma vez mais, foi posta à prova. Em Junho de 2010 recebe a notícia de que, mesmo tendo o perfil exigido pelos LD, os patrocínios insuficientes daquele ano não permitiriam enviar todos os voluntários selecionados. E Inês foi uma das não escolhidas…

 

Em Mecanhelas com o povo Macua

Incrédula e baralhada seguiu em frente. Por intermédio de uma outra amiga, conhece os Leigos Missionários da Consolata, que a acolheram e a enviaram para o Niassa, a província mais pobre e esquecida de Moçambique. Em fevereiro de 2011, juntamente com a Gisele Correia, parte finalmente em missão. “Recebestes de graça, dai de graça” (Mt. 10, 8) foi a inspiração para dois anos ao serviço do povo Macua. No distrito de Mecanhelas, onde vivia, tinha como principal trabalho apoiar o Centro Nutricional que, em regime de internamento, acolhe crianças com subnutrição e impossibilitadas de receber leite materno (órfãs, filhas de mamãs com problemas de amamentação, HIV/SIDA e outros). Paralelamente, dinamizava grupos de jovens, através de atividades desportivas e musicais; dava apoio escolar nos lares femininos e masculinos; dinamizava a biblioteca; e dava apoio ao trabalho pastoral. No segundo ano, e com uma nova companheira de missão, a Mariana Rosa, Inês sente que encontrou uma segunda casa. “Um segundo ano pode tornar-se mais desafiante pela exigência que se impõe: já não há tanto encantamento, o trabalho ganha uma nova realidade talvez mais próxima da vida real deste povo. Foi um segundo ano mais duro, mas nem por isso menos bom, pelo contrário. Sei que tenho uma segunda casa.”

Regressou a Portugal há dois meses e tem vivido as dificuldades da reintegração, apesar de conhecer bem a rotina em que viveu 28 anos. “Às vezes parece que me estranho. Estes dois anos mudaram muita coisa em mim, que aos poucos vou compreendendo e aceitando. Esta é, sem dúvida, uma nova etapa sem preparação possível”, mas vivida com serenidade e tranquilidade graças ao apoio incondicional da família e dos amigos.

texto por Ana Patrícia Fonseca, FEC – Fundação Fé e Cooperação
A OPINIÃO DE
Pedro Vaz Patto
Há temáticas sobre que tem falado o Papa Francisco de forma recorrente e que são da maior relevância, mas nem sempre têm o eco que seria devido.
ver [+]

Tony Neves
O Dia Mundial da Criança comemora-se a 1 de junho, em diversos países, incluindo Portugal, Angola, Moçambique…...
ver [+]

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
O que caracteriza o casamento não é o amor – que é também comum a outras relações humanas –...
ver [+]

Guilherme d'Oliveira Martins
Acaba de ser publicada a declaração “Dignitas Infinita” sobre a Dignidade Humana, elaborada...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
EDIÇÕES ANTERIORES