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Congresso da Federação Europeia das Associações Médicas Católicas
Bioética e Europa Cristã
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A crise financeira e social varre actualmente a Europa, embora com diferentes expressões que tendem a ser directamente proporcionais à fragilidade dos países mas é indubitável que há uma crise mais profunda no Velho Continente, uma crise de referências, de valores e de princípios. Numa altura em que se procuram corrigir rumos e procurar caminhos alternativos, a reflexão bioética numa Europa fundada em princípios que radicam no Cristianismo, assume primordial importância e daí ter sido esse o tema escolhido para o congresso da Federação Europeia das Associações Médicas Católicas (FEAMC), que se realizou em conjunto com a AMCI (Associação Médica Católica Italiana). O Congresso decorreu na Universidade Católica de Roma, nos dias 15 a 18 de Novembro, e teve como ponto alto a audiência concedida pelo Santo Padre aos participantes, na manhã de sábado, 17.

Os diversos temas abordados foram agrupados em seis sessões, sublinhando-se “Raízes cristãs e concepção da bioética na Europa”, “Objecção de consciência”, “Problemas do início e do fim da vida” e “Por uma divisão equitativa de recursos para a saúde na Europa”.

 

Encontrar denominadores comuns éticos

Entre as intervenções, merecem destaque as seguintes conferências: do jurista Prof Francesco d’Agostino sobre “Ética laica e ética cristã” onde defendeu a ideia da centralidade da Pessoa Humana como último baluarte da reflexão bioética, do Cardeal Giuseppe Versaldi, sobre “Fé e bioética”, reflectindo sobre a necessidade de um método de dialogo entre fé e ciência, e a Lectio Magistralis que teve como tema “As raízes cristãs da Europa e a bioética”, a cargo do Cardeal Dionigi Tettamanzi. Foram ainda abordados temas como a Objecção de Consciência e a sua situação em vários países da Europa, problemas do Início e Fim da Vida e discutida a problemática da repartição equitativa dos recursos da saúde. A propósito deste tema, foi particularmente interessante a apresentação do médico-padre e professor Klaus Baumann, acerca das assimetrias verificadas entre os diferentes estratos sociais dentro de um país rico como a Alemanha, condicionando mesmo diferente esperança de vida. A participação portuguesa esteve a cargo do Dr Cunha e Sá (participação na Mesa Redonda sobre Objecção de Consciência), do Prof Alexandre Laureano Santos (Ética da Medicina de Catástrofes) e do Prof Walter Osswald que lançou o desafio do diálogo ecuménico com outras correntes de pensamento, outros povos noutras latitudes, de forma a encontrar denominadores comuns éticos a nível global.

 

Encontro com o Papa

Como esperado, o ponto alto do congresso foi o encontro com o Santo Padre Bento XVI, que ocorreu no auditório Paulo VI no Vaticano, na manhã de sábado, 17 de Novembro. Na sua mensagem, o Papa desafiou os presentes a “dar sentido e dignidade ao mistério do sofrimento” . Disse o Santo Padre: “Aos profissionais católicos, profissão singular que necessita de estudo, de sensibilidade e de experiência vivendo a própria actividade como uma missão humana e espiritual que aos títulos académicos deve acrescentar uma competência ulterior: trata-se da “ciência cristã do sofrimento” apontada pelo Concílio como a única capaz de responder ao mistério do sofrimento”.

Bento XVI citou o Concílio Vaticano II. “Não se sintam abandonados nem inúteis porque unidos à cruz de Cristos, cooperam na sua obra salvífica” e  apelou ainda a que tutelas da saúde, mesmo em tempo de crise, defendam valores que se sobreponham às leis do mercado e promovam o respeito pela dignidade da pessoa que sofre aplicando o princípio da subsidiariedade  e da solidariedade nas politicas sanitárias. Quanto à missão médica e assistencial, centrada na defesa do Homem na sua condição mais frágil e indefesa evoca o exemplo o “Bom Samaritano” considerada pelo Beato João Paulo II como uma componente essencial de toda a cultura moral. Conclui que a nossa sociedade necessita de bons samaritanos que se compadeçam das pessoas que sofrem.

texto por Vítor Gil, médico participante
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