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Comentário
Acreditar com o Concílio
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O comentário a uma selecção de textos do Concílio Vaticano II, “escolhidos com a intenção de apresentar a fé da Igreja através do Magistério Conciliar” é o que propõe a Diocese de Lisboa com o programa 'Acreditar com o Concílio'. Semanalmente, à quinta-feira, o site do Patriarcado (www.patriarcado-lisboa.pt) vai publicar comentários a textos do Concílio realizados em formato video e escrito, que são depois reproduzidos pelo Jornal VOZ DA VERDADE.

 

1. O que é um Concílio? |

É a expressão de uma dimensão da natureza da Igreja: os Bispos, Sucessores dos Apóstolos, unidos ao Santo Padre, Sucessor de Pedro, são pelo seu ministério e magistério a garantia da promoção e defesa da fé da Igreja, recebida dos Apóstolos.

O Colégio Episcopal reunido com o Santo Padre é um exercício extraordinário do magistério apostólico. Ao longo dos séculos aconteceu em momentos particularmente importantes na vida da Igreja: necessidade de esclarecimento dogmático da fé da Igreja; quando a Igreja enfrentou situações históricas complicadas como convulsões sociais, grandes cismas como o de Constantinopla e a reforma protestante; a necessidade de enfrentar derivas culturais como o modernismo.

Esta reunião magna dos Bispos de todo o mundo só é válida como órgão supremo de Magistério, se for convocada pelo Papa e em comunhão com ele. Circunstâncias houve em que os concílios foram convocados pelos imperadores cristãos, mas só foram válidos depois da aprovação do Sumo Pontífice, Sucessor de Pedro.

O Concílio é a principal expressão da sinodalidade da Igreja. João XXIII afirma: “Os Concílios Ecuménicos, todas as vezes que se reúnem, são celebração solene da união de Cristo com a Sua Igreja, e por isso, levam à difusão universal da Igreja, à recta ordenação da vida espiritual, familiar e social, ao reforço das energias espirituais, em permanente elevação para os bens verdadeiros e eternos” .

 

2. Motivos que levaram João XXIII a convocar o Concílio

 

2.1. Confessa que foi uma surpresa do Espírito:

“Foi uma surpresa; uma irradiação de luz sobrenatural; uma grande suavidade nos olhos e no coração. Mas, ao mesmo tempo, um fervor, um grande fervor que de despertou, de repente, em todo o mundo, na expectativa da celebração do Concílio” .

 

2.2. Reconhece uma diferença em relação aos Concílios anteriores:

“A finalidade principal deste Concílio não é, portanto, a discussão de um ou outro ponto da doutrina fundamental da Igreja, repetindo e proclamando o ensino dos Padres e dos Teólogos antigos e modernos, pois este supõe-se sempre bem presente e familiar ao nosso espírito” .

 

2.3. Procura-se a renovação da Igreja, numa sociedade que mudou:

“A Igreja tem consciência, hoje, da grave crise que aflige a sociedade humana. E quando a comunidade dos homens entra numa ordem nova, pesam sobre a Igreja, obrigações de uma gravidade e amplitude imensas como nas épocas mais trágicas da sua história. Trata-se, na verdade, de pôr o mundo moderno em contacto com as energias vivificadoras e perenes do Evangelho, um mundo que se exalta com suas conquistas no campo da técnica e da ciência, mas que carrega também as consequências de uma ordem temporal que alguns quiseram reorganizar prescindindo de Deus. Por isso, a sociedade moderna se caracteriza por um grande progresso material a que não corresponde igual progresso no campo moral. Daí, enfraquecer-se o anseio pelos valores do espírito e crescer o impulso para a procura quase exclusiva dos prazeres terrenos, que o avanço da técnica coloca tão comodamente ao alcance de todos; e mais ainda, um facto inteiramente novo e desconcertante: a existência do ateísmo militante, operando no plano mundial” .

 

2.4. A Igreja é chamada a não cair no desânimo e dar o seu contributo para a transformação da sociedade:

“Perante este duplo espetáculo: um mundo que revela um grave estado de indigência espiritual e a Igreja de Cristo, tão cheia de vitalidade, Nós, logo que subimos ao supremo pontificado, apesar da nossa indignidade e por um desígnio da Providência, sentimos o urgente dever de apelar aos nossos filhos para darem à Igreja a possibilidade de contribuir mais eficazmente na solução dos problemas dos nossos dias. Por este motivo, acolhendo como vinda do alto uma voz íntima do Nosso espírito, julgamos ter chegado o tempo de oferecermos à Igreja católica e ao mundo o dom de um novo Concílio Ecumênico” .

 

2.5. A evangelização deste mundo moderno supõe que a doutrina de sempre seja apresentada de uma maneira nova:

“Uma é a substância da antiga doutrina do «depositum fidei» e outra é a formulação que a reveste; e é isto que se deve – com paciência, se necessário – ter em conta, medindo tudo nas formas e proporções do magistério de carácter prevalentemente pastoral” .

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