Especiais |
Pastoral Familiar
Familiarmente
<<
1/
>>
Imagem

As férias são momentos privilegiados de vivência familiar, sendo também uma excelente oportunidade para a partilha de conhecimentos e de experiências marcantes. No diálogo, na partilha generosa do tempo, na entrega aos outros, crescemos e fazemos crescer para a vida e para o mundo.

Na compreensão dos fenómenos que assinalam o nosso presente preparamos o futuro, com especial atenção a soluções sustentáveis, num amanhã que se apresenta cada vez mais frágil.

 

Acidentes domésticos

A conversar, a perguntar e a responder se vão consolidando as relações familiares e o tempo de férias é propício a criar estes momentos de orientação, de experiências que se transmitem, do saber que se passa de pais a filhos, de avós a netos.

A distância geográfica impede um contacto regular e continuado entre as gerações, mas aquela casa, a casa dos avós, sempre foi referenciada como a “casa das brincadeiras”, sobretudo por ser um local de encontro dos mais novos e por ter recantos propícios à aventura.

Não se demitindo das suas responsabilidades de educadores, os avós assumiam com naturalidade a tarefa de fazer passar os valores e a tradição aos descendentes: “vemos que os netos valorizam o tempo e as experiências que vivem em nossa casa, longe do bulício da cidade, do trânsito e dos transportes apinhados de gente. E eles também gostam de estar juntos, vivendo aventuras que, entre irmãos e primos, os marcarão para o futuro, ajudando-os a crescer para o mundo. No entanto, mil olhos são poucos para prevenir os acidentes.”

Estes avós e pais sabem bem que a melhor prevenção é a que resulta de advertências antes dos acidentes. Porém, há sempre a tendência para que cada um dos mais novos queira experimentar por si, descurando os conselhos dos mais velhos. A isto se pode designar por afirmação da personalidade, ou incapacidade de amar na obediência.

Os acidentes domésticos são a primeira causa de morte nas crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos, na Europa. Os casos mais frequentes de acidentes domésticos são os que ocorrem com o lume (queimaduras) e por afogamento, seja nas piscinas ou nas praias.

Com efeito, qualquer que seja a sua causa, o conjunto dos riscos do dia-a-dia alerta para os perigos dos acidentes que podem deixar marcas para o futuro, pelo que a prevenção é sempre o melhor caminho a seguir.

Naquela “casa das brincadeiras”, os mais velhos sempre pugnaram pela prevenção: “não deixar pequenos objectos ao alcance dos mais pequenitos, arrumar bem os produtos de limpeza e produtos tóxicos, nunca os colocar em frascos ou embalagens semelhantes a outros de uso diário e inofensivo, verificar os electrodomésticos para que não haja passagem de corrente, vigiar poços, tanques e piscinas, etc.”

Aqui, também o “segredo” está numa vigilância atenta, mas sobretudo no diálogo, fazendo passar aos mais novos a mensagem clara dos perigos que cada situação envolve. E fazê-los obedecer! Porque na obediência aos alertas reside a melhor das prevenções. Até porque tudo acontece em segundos …

Hoje podemos dizer: “Foram umas férias maravilhosas, cheias de novas experiências e aventuras, em que todos crescemos na partilha de conhecimentos, na generosidade do tempo vivido em conjunto e na conversa apetecível entre todos.”

 

Compreender a realidade

A expressão “população activa” está cada vez mais nas nossas bocas, querendo abranger todos aqueles que estão ativos nas suas profissões. No entanto esta “população ativa” está cada vez mais envelhecida, o que leva as empresas a ter de enfrentar novos desafios pelas dificuldades acrescidas na aquisição de novos conhecimentos e novas práticas que façam face às exigências de um mercado cada vez mais competitivo, onde só sobrevivem os melhores.

Uma população envelhecida tem um perfil menos empreendedor e menor propensão para aceitar o risco e criar a inovação. Ora esta é uma realidade que não se ajusta às necessidades do tecido empresarial de hoje. E se, por um lado, temos uma idade média de vida cada vez mais elevada no geral dos trabalhadores das empresas portuguesas, por outro, temos de ser capazes de definir uma política de humanismo que dê lugar aos mais jovens, à inovação e ao risco de novas práticas na indústria, no comércio e serviços.

A distribuição dos recursos e da riqueza produtiva tem de contemplar os mais jovens, aqueles que irão garantir a continuidade do país e das instituições. Tem de se dar prioridade aos jovens em idade de procriar e é necessário avaliar o impacto financeiro expectável.

A escassez de talento mais jovem irá sentir-se nas empresas. Por isso é necessário que as empresas apostem em políticas que passem pela compatibilização entre trabalho e família, pela melhor integração entre colaboradores jovens e mais velhos, para uma correta e coerente transmissão de conhecimentos e, sobretudo, pela motivação dos mais novos.

Já vamos assistindo (embora timidamente) a alguns casos de “empresas familiarmente responsáveis”: são empresas que lançam políticas de apoio ao trabalhador, libertando o mesmo para as necessidades de apoio às suas famílias. Mas uma nova realidade terá de ser equacionada pelas camadas trabalhadoras e empregadoras: o “part-time” especialmente dirigido às camadas mais velhas. O trabalho a tempo parcial poderá introduzir mais espaço para a empregabilidade dos mais novos, maximizando a capacidade de inovação das empresas e de renovação dos seus métodos produtivos. Qualquer solução, porém, está na capacidade do trabalhador em enfrentar cada dia com uma alegria renovada na construção do presente, que se refletirá num futuro melhor.

Hoje estamos mais velhos e sobretudo mais sozinhos. As vidas prolongam-se e cada um procura manter a sua própria autonomia, por forma a não representar um encargo para a família. Porém, acentuam-se os casos de doenças crónicas e de dependência, onde têm um papel fundamental as IPSS com os Centros de Dia, Lares e ATL.

As mudanças na sociedade portuguesa têm sido rápidas e abruptas, mas há um fenómeno muito preocupante que compromete o futuro da sociedade portuguesa e até europeia, se quisermos ver nessa perspetiva: a “substituição das gerações” não está a ser assegurada, pois nascem muito menos crianças do que as desejadas pelas famílias portuguesas e do que as necessárias para assegurar a sustentabilidade dos apoios sociais do Estado.

Portugal construiu “direitos para o futuro” que não podem ser garantidos economicamente, porque temos um modelo de Segurança Social baseado numa dívida não sustentável, com a agravante da diminuição das receitas pela redução da “população ativa”. Por isso, todas as políticas que visem o equilíbrio entre trabalho e família têm de ser consideradas como válidas e necessárias para que Portugal dê o passo em frente necessário à sua sobrevivência.

 

_______________


Catequese doméstica: “O amor que converte”

“Amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo” (cf. Dt 6, 5; Lv 19, 18)

No Antigo Testamento, muitos textos apresentam estas duas leis fundamentais, as quais são invocadas por Jesus Cristo, acrescentando que não veio revogar a Lei, mas veio completá-la. Para fundamentar esta sua posição, Jesus anuncia “Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13, 34).

Para Jesus, a Lei resume-se a uma atitude constante de amor em todas as circunstâncias, sendo que a ressurreição como atitude no cumprimento da Lei é o objetivo para a salvação.

O povo de Israel caminhava com Moisés pelo deserto após muitos e longos anos de cativeiro, mas agora este povo sentia-se perdido, sem referências às antigas tradições. Por isso precisava de orientações, normas de conduta, que restabelecessem a sua relação com Deus.

Tal como hoje, aquele povo precisava de se libertar da idolatria. Era preciso reconhecer que só Deus é o Senhor, por isso Deus convoca Moisés para lhe oferecer as Tábuas da Lei no monte Sinai.

Também aqui o amor de Deus por aquele povo se revela um amor que converte, porque o Deus de Israel é um Deus de amor, oferecendo o perdão a este povo.

O amor de Deus pela humanidade traduz-se na entrega de Jesus, o Messias, pela Sua imolação no altar da cruz. “Deus amou de tal forma o mundo que lhe deu o Seu próprio Filho” (Jo 3, 16)

texto do Sector da Pastoral Familiar
A OPINIÃO DE
Guilherme d'Oliveira Martins
Acaba de ser publicada a declaração “Dignitas Infinita” sobre a Dignidade Humana, elaborada...
ver [+]

Tony Neves
Há fins de semana inspirados. Sábado fiz de guia a dois locais que me marcam cada vez que lá vou. A...
ver [+]

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Conta-nos São João que, junto à Cruz de Jesus, estava Maria, a Mãe de Cristo, que, nesse momento, foi...
ver [+]

Pedro Vaz Patto
Foi muito bem acolhida, pela generalidade da chamada “opinião pública”, a notícia de que...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
EDIÇÕES ANTERIORES