Os números são tão impressionantes que merecem ser lidos devagar, com cautela. A diocese da “Transfiguração do Senhor”, em Novosibirsk, na Sibéria, é a maior do mundo, já sabemos. Tem uma população de cerca de 25 milhões de habitantes, mas, como se sabe, na Rússia a esmagadora maioria dos crentes segue o rito ortodoxo. Mesmo assim, há duzentas mil pessoas que possuem raízes católicas e, destas, cerca de dez mil costumam assistir regularmente à missa de Domingo. Quando podem, claro. Imagine-se a dificuldade deste jovem bispo: encontrar-se com esses dez mil fiéis, entre os 25 milhões de habitantes de uma diocese que tem mais de dois milhões de quilómetros quadrados… Agora, atente-se noutro problema. A ajudá-lo, o jovem bispo podia contar com o trabalho de cerca de 100 padres e irmãs das mais diversas origens, até dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e da Índia. Mas, numa imensidão daquelas, como fazer?
A história da Tia Rosa
Imagine-se que D. Joseph tinha sido nomeado bispo de uma diocese que abrangesse os territórios de Portugal, Espanha e França, os três países juntos. Seria uma enormidade, dir-se-ia. Pois é. A diferença é que a diocese de Novosibirsk é, sensivelmente, o dobro disso. A sua principal tarefa passou a ser a presença junto dos fiéis. Um dos seus padres contou-lhe um dia uma história que ilustra bem a dificuldade deste trabalho. “A Tia Rosa não via nenhum padre há 60 anos. Quando finalmente um padre a encontrou, ela contou-lhe: Em grandes festas da Igreja, o meu anseio pela Eucaristia era tão grande que pegava num pedacinho de pão, mergulhava-o em vinho e comia-o, lembrando-me das palavras de Jesus – Fazei isto em memória de Mim’. O meu padre – acrescenta D. Joseph – ficou com lágrimas nos olhos quando me contou isto.”
Apoiar novo centro diocesano
Entretanto, muito trabalho já foi feito, as paróquias têm vindo a crescer e em Novosibirsk está a ser erguido um novo centro diocesano. Para o bispo, esta é uma opção essencial: “O novo centro será uma grande ajuda para o trabalho da diocese”. E não só por aquilo que permitirá fazer directamente, como por aquilo que poderá ajudar a construir aos poucos: o diálogo e entendimento entre católicos e ortodoxos, pois as suas instalações estão pensadas para eventos sociais e culturais, albergando ainda uma livraria e os estúdios de uma emissora católica, a Kana, além de que será também a sede da Caritas diocesana.
A ajuda da Fundação AIS
A obra começou na Primavera de 2010 e deverá estar concluída no final deste ano. O custo, de 3,8 milhões de euros, ultrapassa largamente a capacidade de financiamento da diocese, que é tão pobre por ter tão poucos recursos humanos… Por causa disso, o bispo enviou pedidos de ajuda ao mundo inteiro. A Fundação AIS, com sede em Köningstein, na Alemanha, contribuiu com 500 mil euros. D. Joseph Werth agradeceu, comovido, esta ajuda. “Sem vós, estaríamos perdidos!”. E acrescentou: “Vale a pena acreditar, apesar das perseguições e privações que se vêem no mundo.”
Energia para prosseguir
Na Sibéria, depois de todas as inumanas perseguições por que a Igreja passou nos tempos tenebrosos da ditadura comunista, a fé não esmoreceu. E os católicos continuam a dar um incrível exemplo de tenacidade, de coragem e de fidelidade a Jesus. O exemplo da Tia Rosa, a cristã que não deixou de comungar o seu pedaço de pão mergulhado em vinho, e que assim superou a ausência de qualquer padre ao longo de seis décadas, deve ter revigorado o bispo de Novosibirsk emprestando-lhe energia para o seu hercúleo trabalho apostólico. É bom saber que histórias assim, com final feliz, têm também, um pouco, a nossa assinatura…
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