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Com os pés na terra a olhar mais longe
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As regras que nos comandam
Cada vez mais nos apercebemos dos tempos difíceis que estão à porta: o desemprego, a precariedade, os cortes nas regalias sociais, enfim, um passo atrás no processo que sonhávamos fazer-nos mais próximos da Europa desenvolvida.

Também nos vamos convencendo de que nada disto acontece por acaso e que não é iludindo a questão que vamos contribuir para o mundo florido com que sonhamos; as nossas vidas estão em parte nas mãos de alguém que nos manobra e que nenhum “desejado” alterará significativamente.

Na economia há regras que importa não ignorar; nas finanças, tão próximas da economia, as mesmas podem não coincidir. Só resta à pessoa agarrar-se à sua inteligência e vontade para conseguir libertar-se, tendo um modelo de vida pela frente, o que no caso presente significa ter um outro modelo de desenvolvimento, onde a pessoa ocupe o lugar central. A esse modelo já se vêm referindo os documentos da Igreja, sobretudo desde Paulo VI a Bento XVI, todos eles alicerçados nos ensinamentos da Escritura. Quando Jesus fala em Reino de Deus tem em vista essa atitude dos seus amigos perante o mundo e a perspectiva que os deve animar: estando no mundo, não pertencem ao mundo, dando a entender que com os pés na terra têm um olhar que os arranca de uma visão redutora limitada ao imediato e ao descartável, para os conduzir a dimensões de perenidade e gratuidade.

 

A História repete-se
Não é a primeira vez que a sociedade vive uma crise que deixará marcas na História. Recordando as condições de miséria em que vivia o operariado no tempo da revolução industrial, podemos encontrar uma situação idêntica no que se passa hoje, só mudando o cenário, mas não as expressões da exploração e vilipêndio da pessoa e da incapacidade em fazer parar esses abusos. No manifesto Pic-Nic contra a Precariedade, no passado dia 9 de Julho, no Parque Eduardo VII, pode-se ler: “Todos os dias os jovens, sejam eles operários especializados, enfermeiros, professores, psicólogos, operadores de call-center, jornalistas, trabalhadores do comércio nas grandes superfícies, operadores de caixa entre muitos outros, escondem as suas habilitações académicas para terem um trabalho, uma ocupação. São pessoas disponíveis para quase tudo e que em troca recebem uma mão cheia de quase nada”. Mas há ainda aqueles muitos que, sem diplomas ou certificados, nem sequer a sua dignidade podem titular e ficam cada vez mais sem voz e sem vez: idosos, reformados, imigrantes são apenas exemplos numa sociedade que continua desigual, porque injusta, com proventos escandalosamente elevados para poucos e baixíssimos para a maioria, situação frequentemente cozinhada no compadrio político e servida por uma máquina administrativa ineficiente, com agentes feitos senhores e não servidores e com cidadãos alheados da gestão da coisa pública.
A JOC – Juventude Operária Católica, que integrou a parceria promotora do referido Pic-Nic, apresentou um Decálogo no qual os militantes apontam para uma intervenção positiva no presente com vista ao futuro.


Decálogo de Orientações e Propostas
1. Consciencializa-te que é tempo de busca, não de segurança.
2. Tem uma visão positiva e de esperança, evitando o discurso derrotista, mas sem esquecer a crítica e a rebeldia.
3. Vive com integridade todas as dimensões da tua vida.
4. Procura novos espaços e formas para te expressares e desenvolveres.
5. Informa-te e procura conhecer os teus direitos e deveres, está atento e sê interventivo.
6. Encara o trabalho não como fardo, mas como uma forma de cooperares com a sociedade, transmitindo alegria naquilo que fazes.
7. Contribui para que todos reconheçam que o Homem deve ser sempre o centro de toda a economia.
8.Trabalha em rede e estimula a associação de pessoas.
9. Procura ser solidário potenciando a outros jovens oportunidades de desenvolvimento pessoal e social.
10. Dá a conhecer a realidade da vida dos trabalhadores, numa atitude de denúncia de tudo o que vai contra a dignidade humana e de anúncio dos valores que nos devem orientar, acolhendo e acompanhando.

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