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Formação de Animadores: Um instrumento pastoral ao serviço da evangelização dos jovens
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Normalmente, as duas grandes questões pastorais de ordem prática que se põem para os grupos de jovens, sobretudo se estão a começar, são: Quem vai ser o animador? Que material ou subsídio catequético usar nos encontros do grupo?

Como resposta à segunda pergunta, surgiram (poucas) propostas concretas. Uma delas, dada pelo Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa, foi o Itinerário Juvenil, com um programa de aprofundamento da fé e da caminhada eclesial, pensado sobretudo para os três primeiros anos de um grupo de jovens.

A resposta à primeira pergunta é ainda mais complexa. Todos sabemos que, sendo necessários e úteis, os materiais não são o determinante na caminhada de um grupo. Muito mais importantes são as pessoas, os testemunhos, aqueles que em determinada altura exercem esse serviço de catequistas ou, no caso dos jovens, de animadores.

Não é ao serviço diocesano de pastoral juvenil que compete arranjar essas pessoas. Mas, pode dar um contributo assinalável na sua formação. Foi por isso que nasceu a Formação de Animadores, da responsabilidade do Serviço da Juventude.

Há outras ofertas semelhantes, quer a nível nacional (de outras dioceses e de movimentos), quer dentro da nossa própria Diocese, com propostas de formação por vigararia.

Neste ano pastoral, terminou mais um ciclo de Formação de Animadores (FA) desenvolvida pelo serviço diocesano: o grupo de 2008-2011. Dos 30 que começaram, terminaram 18 que agora são chamados a evangelizar de outra maneira.

A FA desenrola-se ao longo de três anos, com três fins-de-semana por ano, no total de nove. Está toda ela estruturada e pensada do princípio ao fim, quer tematicamente, quer do ponto de vista da sua implementação prática. O Serviço da Juventude pede a um grupo de formadores que assuma essa missão durante esses três anos e aceita os candidatos a formandos, que são apresentados pelos párocos, que os escolhem normalmente entre aqueles que já são animadores juvenis, ou virão a ser.

Não se trata de um curso, apesar de ter uma componente teórica que sempre se transmite através de actividades determinadas, com uma linha orientadora e temática, desde o primeiro ao último encontro. Mas também não é uma mera transmissão de técnicas de animação. Tem momentos de intimidade com o Senhor e de oração, mas não é um retiro. Serve-se do grupo como lugar onde acontece a formação, mas não pretende formar um grupo de jovens. Dizendo pela positiva: é um instrumento que contribui para a evangelização dos jovens, sobretudo de forma indirecta, enquanto capacita um pouco mais e mandata de maneira diocesana os formandos, para que sejam enviados junto dos jovens de que são ou serão animadores.

A experiência tem dito que, mesmo que os formandos não sejam no futuro animadores de grupos de jovens, a FA é sempre uma mais-valia na sua ligação a Cristo e à Igreja, no alargar do horizonte, e no incremento da consciência diocesana.

No fim de mais um ano pastoral, é tempo de preparar o futuro. É tempo de realizar pastoral juvenil, de olhar para os jovens da paróquia ou vigararia e interrogar-se Como se lhes pode levar Jesus Cristo? A resposta a essa pergunta passará provavelmente pela necessidade de um projecto concertado de grupo de jovens (seja de que género for, mas cristão). E para ele há que pensar em animadores e na sua formação. Enviar-se-á para a FA este ou aquele animador? Apostar-se-á na formação deste ou daquele paroquiano para que venha a ser animador juvenil?

 

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Andreia Vaz

 

“Eis-me aqui, envia-me!” (Is. 6, 8b)

Foi com esta mensagem que terminámos os três anos de Formação de Animadores. E talvez ela seja um óptimo resumo para tudo aquilo que esses mesmos três anos foram. O porquê de dizer isto é bastante simples: só se pode estar ao serviço e ser enviado a anunciar algo, quando se tem o conhecimento para o fazer e, por isso, nós só podemos estar plenamente ao serviço de Cristo e da Sua Igreja, depois de os conhecermos.

Este conhecimento foi no que crescemos neste tempo. Não um conhecimento teórico, mas antes um conhecimento experimentado e vivido.

Acho que, no primeiro encontro do primeiro ano, todos ou quase todos íamos com a ideia que o nome “Formação” se aplicaria de facto, ou seja, pensávamos que em cada encontro iríamos receber pistas e técnicas que nos ajudassem a saber como ser animadores. Nesse mesmo primeiro encontro, também percebemos logo que não iria ser nada disso.

Claro que cada experiência é vivida de forma diferente por cada pessoa e esta não foi decerto excepção, mas penso que para todos terá sido uma experiência de vida em comunidade e em fraternidade cristã. Para mim, além disso, foram três anos de grande mudança e crescimento, para os quais a Formação de Animadores contribuiu e muito.

No último encontro, quando nos pediram que fizéssemos a avaliação dos três anos, eu pensei em ideias-chave que, para mim, caracterizavam este tempo: crescimento, mudança, alargar horizontes, compromisso/desafio, dimensão alargada da Igreja.

Ao abraçar esta aventura surgiram em mim características que antes desconhecia ter, que me fizeram ter mais vontade de em cada dia ajudar na construção da Igreja e contribuir para um mundo em que Cristo esteja mais presente; aprendi a olhar além da minha Paróquia e descobri uma Igreja mais universal, que precisa igualmente de mim; percebi e aceitei que todos os dias sou chamada a abraçar os desafios que Deus me coloca de acordo com a Sua vontade; decidi comprometer-me em cada opção do meu dia-a-dia com aquilo a que sou então chamada e fi-lo com a plena consciência da dificuldade que isso acarreta, mas também sabendo que não há nada que nos possa tornar mais felizes.

Deus coloca na nossa vida pessoas e situações que sabe que nos trarão algo com o qual aprenderemos e, por isso, sou grata por estes três anos de Formação de Animadores e pelo João, Justiniano, Ana Catarina, Cláudia, Jorge, Joel, Cristina, Filipa, Ana Catarina, Mário, Ana, Tiago, Daniela, Padre Carlos, João, Madalena, Francisco, Lina, Dionísia, Francisco, Pedro, Emanuel, Sónia, Nuno, Soraia, Susana, Rafaela, Pedro, Daniel, Micaela, Cláudia, Luís e Catarina. De todos estes que começámos nem todos ficámos, mas de certeza que todos permanecemos na história uns dos outros.

Ao encerrar este ciclo, o desejo é que tudo aquilo que se viveu, experimentou, sentiu e partilhou seja um apoio neste caminho que é o de Fé, mas acima de tudo, que seja um desafio constante a sermos cada vez mais presença de Deus no mundo.

“Vós sois o sal da terra. (…) Vós sois a luz do mundo.” (Mt. 5, 13-14)

 

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Cláudia Lourenço

 

No primeiro dos nove encontros da Formação de Animadores (FA), no primeiro momento, na primeira intervenção da equipa de Formadores a mensagem é clara: não se trata de um curso onde são ensinadas técnicas de animação de grupos, não se ensinarão “truques” para se ser um excelente animador, não será um workshop. Antes, a FA é o que cada um fizer dela, com a sua entrega , a sua partilha, o seu espírito de comunidade. Porque é disto mesmo que se trata : da formação de uma nova comunidade com um principio básico – O amor de Cristo nos uniu. Ora, se a premissa é esta, o resultado é inevitavelmente positivo – o grupo de jovens, provenientes das mais diversas Paróquias da Diocese, primeiro tímido, ansioso, expectante e à descoberta, transforma-se, ao fim de nove encontros, num grupo de amigos, sinceros, sem máscaras, abertos, ansiosos por aprender com os outros.

O espírito subjacente à FA é, aliás, o mesmo das primeiras comunidades de cristãos, onde tudo era partilhado: o conhecimento, a experiência de cada um na sua Paróquia, os erros, a escuta da Palavra de Deus, as dificuldades, a oração, os desafios.

E se, por um lado, como dizia no início, a FA não é um curso, a verdade é que se aprende imenso. Formadores e formandos levam consigo momentos inesquecíveis, trabalhos realizados realmente em grupo, partilhas profundas, e sorrisos, muitos sorrisos.

Ser Formador na FA não é ser um “professor”. É estar disponível para, humildemente, partilhar a nossa experiência, para estar atento à personalidade e as especificidades de cada um, para motivar, para orientar mas sobretudo para escutar os que, todos os dias, dedicam a sua vida à Pastoral Juvenil e colocam ao serviço das suas comunidades o seu tempo e a sua energia.

Não ensinamos nada; aprendemos MUITO!

Numa nota pessoal, eu fiz o curso da FA e em 2008-2011 fui Formadora. Fica sempre bem dizer que é uma experiência gratificante. Mas é mais que isso. Muda a nossa vida, abre os horizontes, torna presente a diversidade da nossa Igreja Diocesana, traz-nos pessoas especiais e que ficarão para sempre connosco.

A FA é um compromisso. Para as Equipas de Formadores que o Serviço da Juventude convida mas também para os animadores que arriscam, que saem do seu “conforto”, que se inscrevem e respondem assim ao apelo do Santo Padre: “Caros jovens, deixai-vos empenhar na vida nova que brota do encontro com Cristo e sereis capazes de vos tornardes apóstolos da sua paz nas vossas famílias, no meio dos vossos amigos, no interior das vossas comunidades eclesiais e nos vários ambientes em que viveis e trabalhais” Bento XVI

 

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Tiago Krug Coelho

 

Eram várias as palavras que usávamos para descrever os nossos encontros de formação: identificação, entrega, reencontro, caminho... Foram, uma a uma, novos passos dados rumo a uma forma mais concreta de sermos cristãos, vivendo em Igreja. Juntos, demo-nos a conhecer, partilhámos os nossos problemas e dúvidas, saímos mais fortes com aquilo que era Jesus entre nós a revelar-nos. Numa viagem de três anos pudemos inspirar-nos no exemplo de quem melhor seguiu o nosso Salvador; aprendemos a olhar de forma mais profunda para cada um dos Sacramentos da Igreja e para a vida em comunidade; relançámo-nos, com a graça do Espírito Santo, para esta vida de Evangelização que Ele nos chama a viver, cientes de cada uma das nossas limitações. Os momentos que vivemos, ajudaram-nos a sentir parte de uma família que nos ultrapassava, que é plena e Universal.

Entre muitos sorrisos, usando apenas como ferramenta a nossa imaginação, foram tantas as aventuras que vivemos. Encontrávamos em cada fim-de-semana um desafio (nem sempre fácil de superar) que nos obrigava a expandir o nosso coração, cada vez mais, à medida do coração de Jesus. Quer nos momentos de oração que nos propusemos viver, como naqueles em que nos lançamos para fora indo ao encontro de tantas realidades distintas, sentíamo-nos seguros por um algo mais que nos unia. Era o rosto de Jesus que se tornava mais nítido, era a Sua forma de amar que se tornava mais clara da desconstrução de todas as nossas ideias pré-definidas que nos afastam daquilo que foi o Seu pensamento para nós.

Os encontros da formação de animadores foram, para todos nós, uma escola. Éramos jovens de várias gerações que se juntavam apenas por um motivo divino: caminhar juntos na descoberta daquilo que a presença de Jesus nos impele a viver. As amizades que foram construídas ficarão. Somos agora enviados de coração renovado, certos de que é desta forma que seremos um só.

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