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D. Zacarias Kamwenho, Arcebispo de Angola: Uma vida ao serviço da Justiça e da Paz
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Natural do Bailundo, foi Bispo em Luanda, Sumbe, Lubango e Namibe. No tempo da guerra civil foi Presidente da Conferência Episcopal e do Movimento Pro Pace. Ganhou o Prémio Sakharov para os Direitos Humanos, instituído pelo Parlamento Europeu. Celebra os 50 anos da sua Ordenação Presbiteral.

 

Do Bailundo a Luanda…

Nasceu no Bailundo (Huambo) há 77 anos. Foi Ordenado Padre em 1961, ou seja, há 50 anos. Após oito anos de intensa actividade missionária na Missão Católica da Bela Vista, no interior da Província do Huambo, foi nomeado Professor e, mais tarde, Vice-Reitor e Reitor do Seminário Maior de Cristo-Rei, na então chamada Nova Lisboa. Foi também Vigário-Geral da Diocese.

 

Do Sumbe ao Lubango.

Ainda antes da independência, o P. Zacarias foi nomeado Bispo Auxiliar de Luanda (1974), no período crítico da saída massiva dos portugueses e início da guerra civil. No ano seguinte, foi criada a Diocese de Nova Redondo (Sumbe) e ele foi o seu primeiro Bispo.

O Lubango recebeu-o com Arcebispo Coadjutor em 1995, sucedendo dois anos mais tarde a D. Manuel Franklin da Costa. Os seus tempos de Missão no Lubango coincidiram também com a Presidência da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé (CEAST) e com a criação do Movimento Pro Pace, de que foi o Presidente.

 

Contra a guerra civil

D. Zacarias Kamwenho sempre se mostrou sensível aos efeitos da guerra e nunca teve medo de se pronunciar. Sobre a situação dramática em que viviam as crianças da sua província natal, ele disse: “Há dias, fui ao Huambo e visitei um campo de deslocados do Bailundo. Disse, ao regressar, que há 25 anos os meninos do Huambo sonhavam que haviam de ter uma nova bandeira, haviam de soletrar a palavra ‘liberdade’. Mas o que sabemos é que, 25 anos depois, a bandeira que os meninos conquistaram é a da fome, da subnutrição, da inviabilidade das estradas, tantas sem escola”.

 

Movimento Pro Pace

Em 1999 liderou a criação do Movimento Pro Pace que daria a machadada final nos propósitos bélicos dos senhores da guerra em Angola. Os dez mandamentos deste Movimento falam por si. São dez conclusões em forma de propostas: Democracia, tolerância, ecumenismo, não-Violência, Media ao serviço da paz, defesa dos Direitos Humanos, proibição das Minas, Cessar-Fogo e Livre Trânsito, Diálogo e Reconciliação.

 

Prémio Sakharov 2001

D. Zacarias recebeu, no Parlamento Europeu, a 12 de Dezembro de 2001, em Estrasburgo, o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento e dos Direitos Humanos. O eurodeputado Ribeiro e Castro congratulou-se porque o prémio foi atribuído a um homem que não tem o dedo no gatilho; Mário Soares considerou o Arcebispo um combatente pela Paz e pela democracia; o jornalista angolano, William Tonet definiu este prémio como uma vitória do movimento pacifista.

O prémio é tão importante que os líderes da guerra enviaram uma mensagem de congratulação: “Quanto ao contributo que este prémio pode dar à causa da Paz em Angola, tenho nas mensagens que me dirigiram o Presidente Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi, um sinal de que algo vai acontecer na linha da pacificação e da reconciliação”.

No Discurso em Estrasburgo, o Bispo laureado apresentou ao mundo as causas da guerra e apontou caminhos de Paz: “Rogo humildemente um cessar-fogo bilateral e simultâneo que abra caminho à cessação de hostilidades (…). Porque ainda vamos a tempo de recuperar o tempo perdido”.

 

Desafios da Paz

Com a chegada da Paz, a voz de D. Kamwenho não se calou. Aproveitou para explicar aos governantes que a abertura de algumas estradas permitiu descobrir situações dramáticas: “Assistimos em Angola a uma catástrofe humanitária jamais vivida e que Governo algum poderia prevê-la. Dum momento para o outro, abriram-se os caminhos e chegou-se a zonas outrora inacessíveis, onde seres humanos sobreviviam como pudessem”.

Aos 75 anos, deixou o Lubango como Arcebispo, mas o exercício episcopal voltou a activar-se em pleno ao ser nomeado, em 2010, Administrador Apóstólico da nova Diocese do Nambe.

Em tempo de acção de Graças, prepara-se para celebrar os 50 anos de Padre na terra que o viu nascer (Huambo) e naquelas em que foi Bispo (Luanda, Sumbe e Lubango).

 

 

PERFIL

1934 – Nascimento no Bailundo – Nova Lisboa

1961 – Ordenação Presbiteral em Nova Lisboa

1970 – Vice Reitor e depois Reitor do Seminário Maior

1974 – Bispo Auxiliar de Luanda

1975 – Bispo de Nova Redondo – Sumbe

1997 – Arcebispo do Lubango

2001 – Prémio Sakharov – Estrasburgo

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