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D. Óscar Braga, Bispo Emérito de Benguela: A Alegria de ter abraçado, conversado e acolhido João Paulo II em sua casa
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Nasceu em Malanje e estudou Agricultura. Ordenado Padre, cedo mostrou carisma de liderança e foi nomeado Bispo ainda antes da Independência de Angola. Foi Bispo de Benguela de 1975 a 2008, onde acolheu João Paulo II. Foi Delegado da Igreja de Angola à beatificação do Papa Wojtyla.

Regente Agrícola

D. Óscar Braga é das maiores figuras da Igreja em Angola. Nasceu em Malanje, filho de pais portugueses. Após estudos iniciais, veio para Tomar onde fez o 6º e 7º anos. Depois, rumou em direcção a Santarém, onde fez o curso de Regente Agrícola. Cumpriu o serviço militar em Lisboa e regressou a Angola, tendo trabalhado algum tempo como Regente Agrícola em Malanje. Quando a Agricultura parecia ser o seu horizonte e o seu futuro, eis que sente que Deus o chama a uma entrega radical a Ele. Deixa o mundo dos campos e decide dedicar a sua vida à Vinha do Senhor, como Padre.

 

Dos Campos ao Altar

Fez todos os estudos de Filosofia e Teologia no Seminário dos Olivais, em Lisboa, sendo ordenado Padre em 1964. Membro do Presbitério da Diocese de Malanje, para lá se dirigiu tendo desenvolvido uma intensa actividade pastoral, mostrando qualidades de um excelente missionário. Aulas de Religião e Moral, trabalho com Escuteiros e Acção Católica fizeram do P. Óscar uma figura de referência. Daí que tenha sido Chanceler e Vigário Geral da Diocese ainda em tempo colonial, no tempo em que eram Bispos D. Pompeu Seabra e D. Eduardo André Muaca.

 

Bispo de Benguela

Foi nomeado Bispo de Benguela ainda antes da Independência. Mas o seu ministério Episcopal iniciou-se no conturbado período da saída massiva dos portugueses e do início da guerra civil que duraria até 2002.

Benguela foi, para a Igreja em Angola, um grande alfobre de vocações. Ao analisar o Anuário Católico de 2008 (data da sua passagem a Emérito), verificamos que dos 157 Padres ainda vivos e activos na Diocese de Benguela, 156 foram ordenados por D. Óscar: “Só no ano de 1989, ordenei 23 Padres!”. Investiu muito nos Seminários e os resultados apareceram, a ponto de hoje haver padres de Benguela espalhados pelo mundo. Benguela manteve-se muitos anos como um dos maiores viveiros de vocações sacerdotais e religiosas em África.

 

Missão arriscada

Ser Bispo em Angola durante a guerra civil foi missão de alto risco. O interior da diocese foi, durante a guerra, terra de mártires que, na opinião de D. Óscar, são os pilares de uma Igreja comprometida com o povo espezinhado e de um futuro de paz para Angola que só chegaria em 2002.

 

Uma Igreja atacada

Olhando para o período que se seguiu à independência, D. Óscar recorda a dureza com que o governo marxista atacou a Igreja: “Atacavam-nos com alegações de que a Igreja era privilegiada (…). Aliás, o próprio Agostinho Neto, nos seus discursos, dizia que a Igreja tinha os dias contados, que não poderia haver religião em Angola, e estabelecia um prazo de sete ou oito anos durante os quais a Igreja deixaria de existir no país. Ironia do destino, dentro desse prazo acabou ele e a Igreja continua”.

 

A Igreja quis mediar

O Bispo de Benguela divulgou a notícia de que “(…) desde a primeira hora, a Igreja Católica esteve disposta a ajudar na mediação. Só que os beligerantes nunca solicitaram a nossa mediação, por mais situações o favorecessem e nós tivéssemos oferecido os nossos préstimos. As partes em conflito sempre acharam que não era a mediação mais conveniente, até porque já havia um processo com as Nações Unidas e a Troika”. Esta mediação nunca foi pedida por ambos os beligerantes em simultâneo, pelo que nunca se pôde concretizar. Mas D. Óscar não desistiu e, em 2001 voltou à carga, reafirmando a vontade mediadora da Igreja e denunciando a intensificação dos combates e ataques, situação grave para as populações e que só permitia chegar a duas das muitas paróquias e Missões do interior da Diocese, para apoio humanitário e religioso.

 

Um santo que abracei

Atingiu o limite de idade e foi substituído por D. Eugénio dal Corso, continuando a trabalhar em Benguela. Acaba de viver um momento grande da sua vida, ao representar a Igreja de Angola na cerimónia de beatificação de João Paulo II: “É emocionante ver subir ao altar alguém com quem falei, que abracei, que comeu comigo à mesa e até dormiu na minha casa em 1992”. João Paulo II é uma das suas grandes referências e tem um lugar especial no seu coração.

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