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Arcebispo Basile Casmoussa, do Iraque, denuncia perseguição aos cristãos ?Não nos querem cá, mas não temos para onde ir?
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A comunidade siro-católica no Iraque já teve mais de 800 mil pessoas. Hoje não passam de 200 mil e, todos os dias, estes cristãos têm de suportar o medo, a humilhação, a violência. O Arcebispo Basile Georges Casmoussa, em declarações exclusivas à Fundação AIS, fala do sentimento trágico de quem é perseguido na sua própria terra por causa da fé. Apenas.

A comunidade siro-católica do Iraque tem vindo a ser ameaçada e quase todos os dias há histórias de raptos, de pessoas que são mortas ou que simplesmente desaparecem. A comunidade, que hoje não representará mais de 200 mil pessoas, vive dias desesperados, sob uma crescente violência assumida por parte de radicais islâmicos. O próprio Arcebispo Basile George Casmoussa, líder da comunidade cristã de Mossul, que nesta entrevista fala à Fundação AIS, também já foi raptado. Foi em 2005. Desde então, a situação tem vindo ainda a piorar. O arcebispo não sabe mais o que fazer. Do Iraque, lança-nos um apelo desesperado: “Esta é a nossa terra, mas temos a sensação de que não somos mais desejados aqui. Não nos querem cá. Só que não temos para onde ir.” Quem os ameaça fala uma linguagem radical.

 

Ameaças de morte

Os membros da Brigada Islâmica têm vindo a intimidar os cristãos que vivem no país. Querem-nos de lá para fora. Dizem que é o último aviso… Falam em morte e violência.

“A situação está muito má”, denuncia o Arcebispo Casmoussa. “Nós tínhamos a esperança de que as coisas melhorassem tal como tem vindo a acontecer, desde há dois anos, em Bagdade e em outras cidades. Mas em Mossul – a maior cidade no Norte do Iraque e que é considerada como a capital dos cristãos – a situação está muito mal, há muitos raptos e mortes.”

 

O poder do terror

De facto, a proclamada Brigada Islâmica tem vindo a lançar ameaças  tenebrosas sobre os cristãos no país, exigindo a sua saída. Para o arcebispo, mais grave do que as ameaças directas à vida e integridade dos cristãos, é a constatação de que estão a ser empurrados para fora da sua própria terra. “Estes extremistas não têm poder, mas usam o terror para intimidarem”, afirma Basile, acrescentando que não é expectável que “venham alguma vez a ser julgados por causa do clima do medo”. “Isso é um facto.” E tudo isto apesar de o país garantir constitucionalmente a liberdade religiosa e a prática de culto.

 

Pedido de ajuda

O exemplo que nos chega do Iraque é tremendo. Apesar de perseguidos, os cristãos continuam a persistir e a alimentar o futuro com projectos de desenvolvimento da comunidade, nomeadamente a nível educativo, como é o caso da criação de uma Universidade. O arcebispo lança-nos, porém, um apelo e um desafio: “Os cristãos têm de continuar no Iraque. Vocês têm de nos ajudar a pressionar o Governo central para que se respeitem os nossos direitos, a nossa presença no país e a nossa liberdade. Apelo ainda para que apoiem os nossos projectos para, assim, se garantir a manutenção da presença dos cristãos iraquianos no Iraque.”

 

CAXIA

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