Das muitas viagens que fez pelo mundo, das peregrinações apostólicas que o trouxeram até Portugal, poucos momentos mais fortes poderemos guardar do que quando esteve a rezar aos pés da imagem da Virgem de Fátima, no Santuário, em 1982.
Foram longuíssimos minutos… em silêncio.
Quem esteve lá, naqueles dias, a acompanhar o Papa João Paulo II na sua primeira visita a Portugal, para agradecer à Virgem ter sobrevivido ao atentado na Praça de São Pedro, em Roma, no dia 13 de Maio de 1981, dificilmente esquecerá a imagem do Santo Padre ajoelhado, com a cabeça enterrada entre as mãos, completamente concentrado, como se à sua volta não estivesse uma multidão, não estivessem dezenas de jornalistas, de microfone em punho, com as câmaras de televisão, em directo, a mostrar ao mundo o Papa a rezar. “Aquele momento foi considerado o maior programa de televisão. Foram três quartos de hora em silêncio, sem som absolutamente nenhum. Ele, de joelhos, diante da imagem de Nossa Senhora.” O padre António Rego, então jornalista do programa “70X7” da RTP 1, recorda esse momento em que João Paulo II se ajoelhou e se deixou ficar em adoração e oração profunda junto da imagem da Virgem.
Profunda fé em Maria
Estar ali significava que toda a sua viagem a Portugal estava justificada. O Papa acreditava firmemente que tinha sido Nossa Senhora a salvá-lo das balas assassinas que o turco Ali Agca tinha desferido a apenas três metros de distância, no Vaticano. “Uma mão disparou e outra desviou a bala.” A certeza da intervenção da Mãe de Deus veio dar ainda maior robustez à profunda fé mariana de Karol Wojtyla, que ofereceu o seu pontificado a Nossa Senhora.
A extrema-unção
Quando caiu ferido, pelo impacto das balas, poucos ousavam acreditar que João Paulo II iria sobreviver ao atentado. Sempre a seu lado, Stanislaw Dziwisz, então seu secretário pessoal, ministrou-lhe a extrema-unção. O mundo, perplexo, rezava e chorava. Ainda agora, tantos anos decorridos, os próprios peritos em balística têm dificuldade em compreender como aquelas balas não trespassaram nenhum órgão vital, permitindo que o Santo Padre, apesar de esvaído em sangue, conseguisse escapar.
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Papa de Fátima
Homenagear João Paulo II na sua beatificação é dizer-lhe que estamos gratos pelo que fez pelo mundo inteiro, pela devoção especial a Nossa Senhora, que o trouxe até nós, por três vezes, como um especialíssimo Peregrino de Fátima. Por isso, nós, portugueses, devemos estar particularmente felizes com a certeza de que o Papa, que tanto amou a Virgem de Fátima e Portugal, vai agora seguramente interceder por nós e pelas nossas intenções. Durante o mês de Maio, a Fundação AIS convida a rezar a Nossa Senhora de Fátima, com o terço especial de João Paulo II.
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