Missão |
Elizabeth Carrillo, Missionária Comboniana:Equador, Brasil, Moçambique, Portugal?
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Nasceu no Equador, estudou Informática, mas a Missão agarrou-a por dentro, tocada pelo testemunho radical de Monsenhor Proaño e… partiu. As favelas e os povos indígenas do Brasil, os pobres de Nacala e os excluídos de Lisboa são o horizonte alargado da sua missão sem fronteiras. As malas estão feitas para o regresso a África.

Da Informática à Vida Consagrada

Nasceu e cresceu num ambiente de fé. Fez a secundária num Colégio de Irmãs e estudou Informática na Universidade de Quito, capital: “Para mim, era esta a profissão que prometia futuro, e com isso, eu chegaria aonde queria. Mas Deus desviou o meu caminho e serviu-se daquilo que me perturbava: os mais pobres. Nunca entendi tantas diferenças e injustiças; isto incomodava-me, magoava-me”.

A Betty é tocada pelo testemunho heróico de Monsenhor Proaño, chamado o ‘Bispo dos Índios’, no Equador: “Proaño foi e é um exemplo de solidariedade, junto dos indígenas, defendeu as suas terras e os seus direitos; conseguiu que fossem reconhecidos como equatorianos, cidadãos de valores e tradições diferentes. O seu exemplo sacudia a minha consciência: O que estás a fazer com a tua vida? Foi através da sua pessoa e do seu exemplo que Deus mudou o meu rumo”.

Os pais não aceitaram a sua decisão, mas entrou no Instituto das Irmãs Missionárias Combonianas em 1984.

 

De Curitiba à Rondônia

Após a primeira formação, foi para Curitiba, no Brasil, onde estudou Teologia, fazia catequese numa favela e pastoral prisional, uma experiência muito dura, mas onde sentiu que Deus estava sempre do seu lado. Depois de quatro anos, foi para a Rondônia, na Amazónia do Brasil, para trabalhar com os índios Surui e Ureu Wau Wau: “Viver junto deles fez-me crescer como pessoa e como filha de Deus. São culturas originárias, de grande respeito por Deus e pela criação. Com os indígenas, o nosso trabalho era ajudá-los no encontro com a cultura ocidental que estava a invadi-los, dar passos para este ‘encontro e desencontro’ era muito complicado para um povo que então tinha somente 25 anos de contacto com o mundo chamado dos ‘brancos’. Ajudávamos também os jovens e crianças com um reforço escolar; vivíamos com eles na sua aldeia, tentávamos entrar no seu mundo, viver como eles para conhecer a sua cultura, a sua língua oral, pois, não tinham livros”.

 

Com o povo Macua em Nacala

Passados oito anos no Brasil, em 1997 partiu para África, o continente amado de São Danile Comboni, o fundador: “Fui destinada ao Norte de Moçambique, a Nacala, na província de Nampula. Era a minha primeira vez em África, terra de sonhos e de realidades penetrantes. Outro mundo diferente abria-me as portas, Deus mostrava-me outra face do Seu mesmo ser. Encontrei uma terra fascinante, quente, alegre, espaçosa, rica apesar de sua pobreza; gente forte que sabe viver e sobreviver a todas as tragédias da vida”. Ali, a Irmã Betty trabalhou na formação de catequistas, animadores(as) de comunidades, na formação e acompanhamento dos professores das escolas comunitárias e na formação da mulher, no povo macua, é quem mais trabalha para o sustento da família. Foi ainda responsável de um lar que acolhia meninas pobres que, assim, podiam frequentar a escola pública.

Avalia assim a passagem por Moçambique: “O povo macua ensinou-me e ajudou-me a não ter medo, a ter coragem e a saber defender e denunciar quando é justo e necessário. Admiro a simplicidade e a tenacidade deste povo para conseguir os seus objectivos, fui sempre bem acolhida entre eles, senti-me amada e respeitada”.

 

De Portugal a África

Portugal recebeu-a em 2005 para dirigir o jornal ‘Evangelizar Hoje’ e partilhar a sua experiência missionária com o povo português, através da animação missionária. Em Lisboa faz parte da Comissão de Justiça e Paz dos Religiosos/as e do CAVITP (Comissão de Apoio às Vitimas de Tráfico de Pessoas).

Após seis anos de Portugal, África volta a estar na linha do seu horizonte Missionário. Confessa a sua alegria: “Ser missionária para mim é ser peregrina e migrante através de um Deus presente em todos os lugares. Ele é o próximo que encontro, aqui e mais além, que me faz feliz e me vai mostrando um pouco do Seu ser em cada pessoa, e em cada lugar”. As malas estão feitas e a disponibilidade para partir faz parte do ser Comboniana.

 

 

PERFIL

 

1963 – Nascimento no Equador

1984 – Entrada nas Combonianas

1988 – Chegada a Curitiba – Brasil

1992 – Missão na Rondónia

1997 – Missão em Moçambique

2005 – Missão em Portugal

2011 – Regresso a Moçambique

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